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5G com impacto superior a 3 mil milhões de euros na economia portuguesa até 2030, estima Roland Berger

O 5G vai fomentar o crescimento socioeconómico, com todos os sectores económicos a beneficiarem do 5G. Mas entre as indústrias referidas, apenas três vão ver o seu volume de negócios crescer 5% nos próximos 15 anos se adoptarem a nova vaga tecnológica. De acordo com a Roland Berger, são as industrias nacionais de media (10,7%), manufactureira (5,4%) e agrícola (5,3%) que mais condições terão de aumentar exponencialmente as suas vendas.

Angola /
15 Out 2020 / 10:39 H.

A nova vaga tecnológica será um dos principais catalisadores de valor económico a nível mundial na próxima década. E Portugal também tem condições para beneficiar do 5G, com as indústrias de media, manufactureira, agrícola, energia e utilities e saúde em destaque.

A implementação e o desenvolvimento da quinta geração da rede móvel (5G) vai gerar um impacto de 7,65 biliões de euros na economia mundial até 2030, com a economia portuguesa a beneficiar de um impacto de 3,4 mil milhões de euros nos próximos dez anos, estima a consultora Roland Berger, num estudo a que o Jornal Económico teve acesso.

A nova vaga tecnológica será um dos principais catalisadores de valor económico a nível mundial e em Portugal estima-se a criação de valor na ordem dos 35 mil milhões de euros até 2035, o “equivalente a um impacto anual de um ponto percentual acrescido ao PIB nacional, beneficiando transversalmente todos os sectores económicos, sobretudo pelo aumento da competitividade e surgimento de novos modelos de negócios, em particular nas pequenas e médias empresas”, adianta a consultora germânica.

Alavancando a experiência e know-how no apoio aos principais stakeholders públicos e privados dos sectores das telecomunicações, media e tecnologias (TMT), o 5G terá em Portugal um impacto-chave em oito indústrias: media; manufactura; segurança; agricultura; energia e utilities; saúde; automóvel; transportes públicos.

Ora, o 5G vai fomentar o crescimento socioeconómico, com todos os sectores económicos a beneficiarem do 5G. Mas entre as indústrias referidas, apenas três vão ver o seu volume de negócios crescer 5% nos próximos 15 anos se adoptarem a nova vaga tecnológica. De acordo com a Roland Berger, são as industrias nacionais de media (10,7%), manufactureira (5,4%) e agrícola (5,3%) que mais condições terão de aumentar exponencialmente as suas vendas.

De que forma? No caso da indústria de media, o aumento massivo do tráfego de dados vai elevar a qualidade do serviço. Já a indústria manufactureira vai estar habilitada a suportar plataformas de comunicação mais resilientes, mais seguras e com reduzia latência, o que vai beneficiar a operação dos complexos industriais. Na agricultura, por sua vez, o 5G vai habilitar esta indústria a desenvolver equipamento agrícola automatizado.

Ainda que abaixo de aumentos na ordem dos 5%, as vendas na área de energia e utilities (3,9%) e na área da saúde (3,9%) também vão crescer com a implementação do 5G. A primeira vai ter condições para “controlar em tempo real sistemas e geradores de energia em locais sem instalação de redes de fibra”, enquanto a inovação promovida pelo 5G vai assegurar “cuidados de saúde remotos” na segunda, de acordo com a consultora alemã.

A previsão da Roland Berger é apresentado no mês em que o leilão das frequências do 5G deverá ocorrer neste mês de outubro, de acordo com o calendário da Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom). Contudo, nenhuma indicação ou data para o início do leilão foi avançada pelo regulador, que também ainda não divulgou a aprovação do regulamento final do procedimento – algo que deveria ter acontecido em setembro.

O estudo da Roland Berger não é o primeiro a incidir sobre o impacto da nova geração da rede móvel em Portugal. Com uma estimativa idêntica à da consultora alemã, a Ericsson apresentou, em novembro de 2019, um estudo em que estimava que a implementação do 5G, em Portugal, poderá “desbloquear” quatro mil milhões de dólares (cerca de 3,6 mil milhões de euros) na economia do país até 2030. Turismo, portos e indústria manufactureira foram apontados como os principais beneficiários na próxima década.