“Zona euro não está devidamente preparada para enfrentar uma nova crise”

O antigo ministro das Finanças da Grécia Giorgos Papakonstantinou considera que a área do euro não está devidamente preparada para enfrentar uma nova crise económica e financeira.

Europa /
22 Mar 2019 / 17:06 H.

O ex-ministro grego entende que actualmente temos mais ferramentas para enfrentar novos choques económicos, mas a área do euro é ainda um projecto “frágil” e que precisa de uma união monetária europeia “viável”.

“A crise na área do euro veio revelar várias vulnerabilidades da união monetária europeia e obrigou a pensar os mecanismos que tínhamos disponíveis para enfrentar períodos de recessão”, afirmou Giorgos Papakonstantinou, na conferência “Para onde vai a Europa?”, promovida pela Fundação Calouste Gulbenkian, sublinhando que “a partilha de riscos [entre países mais e menos desenvolvidos] sem uma redução efetiva dos mesmos levanta questões morais e pode conduzir a novos riscos”.

O ex-governante afirmou que quando olhamos para trás é fácil tecer críticas à actuação dos regulares, que intervieram “demasiado tarde”, mas lembra que a vontade de preservar a moeda única foi sempre uma prioridade das instituições europeias. É por isso que, segundo Giorgos Papakonstantinou, é crucial que seja criada uma união monetária europeia devidamente estruturada.

“Podemos falar em missão cumprida? Muito foi feito, mas a área do euro está ainda frágil”, afirmou o actual professor da Escola de Governança Transnacional do Instituto Universitário Europeu de Florença. “Não há uma visão consensual sobre a direcção que a união monetária europeia deve tomar no futuro, mas é necessário, nesta conjuntura, que haja um acordo em vários tópicos, o que não vai levar a uma união monetária europeia ideal, mas traria uma união monetária europeia viável”.

Giorgos Papakonstantinou apresentou quatro pontos-chave em que os Estados-membros devem concordar: o foco numa reforma estrutural e na competitividade, a conclusão da União Bancária Europeia, colher frutos da reforma fiscal e assegurar a continuidade das instituições europeias.