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Títulos e valores mobiliários pesam 68% no activo dos Big 5

Entre os principais bancos, o destaque recai para o BIC, que investiu 43,9% dos activos em Títulos e Valores Mobiliários e 32,2% em crédito a particulares.

Luanda /
04 Ago 2020 / 12:18 H.

O peso dos Títulos e Valores Mobiliários da banca comercial representam 68% dos activos no primeiro trimestre do ano, o que supera os 32% do crédito cedido à economia no mesmo período, segundo contas feitas Mercado.

O estudo confirma uma tendência que perdura a cerca de 10 anos, na qual os bancos cedem mais crédito ao Estado do que à economia, facto confirmado pelo mais recente relatório da Deloitte ´Banca em Análise`, dando conta de que os bancos se apartam da função clássica que é a concessão de créditos.

Entre os principais bancos, o destaque recai para o BIC, que investiu 43,9% dos activos em Títulos e Valores Mobiliários e 32,2% em crédito a particulares, tendo no total investido 74,1% dos activos no primeiro trimestre.

O Banco Millennium Atlântico surge em segundo lugar, investindo 38,91% dos activos em Títulos e Valores Mobiliários e 27,03% em crédito a particulares. Assim o banco investiu 65,93% dos activos nos três primeiros meses.

Segundo o relatório da Deloitte, a partir de 2017, registou-se um aumento do crédito bruto à economia de 15%. Em 2018 (17,9%) e em 2019 os maiores aumentos registaram-se nos sectores da construção com 27,5%, agricultura e pecuária (23,9%) e serviços (23%).

Em 2019, o peso do crédito sobre clientes na estrutura global de activos registou uma diminuição de cinco pontos base face ao seu peso em 2018, passando de 23% para 18%. Em contrapartida, o peso dos Títulos e Valores Mobiliários continua a ser superior ao verificado nos mercados mais maduros, fruto da exposição significativa dos Bancos nacionais à dívida pública angolana.

De acordo com o documento da consultora, para esta situação, contribuíram as conclusões resultantes do exercício de Avaliação da Qualidade dos Activos (AQA), promovido pelo Banco Nacional de Angola, em 2019, e que originou a necessidade de reforço das perdas por imparidade de crédito nas Demonstrações Financeiras com referência a 31 de Dezembro de 2019, bem como o maior rigor na concessão de crédito aos particulares e empresas.

Com base na análise de requisitos e princípios definidos para efeitos do Exercício desta análise foi reportado pelo BNA, que foi possível verificar que na sua maioria, os Bancos devem melhorar as suas políticas e procedimentos do risco de crédito, com ênfase na avaliação das garantias e nos activos problemáticos, com base nas melhores práticas e normativos emitidos pelo BNA.

A nível da caracterização da amostra, o relatório indica que cerca de 81% correspondeu a empresas privadas, 17% ao sector público e 2% a particulares.

Sector não petrolífero

Por sua vez, o sector não petrolífero apresenta um desempenho positivo. Os sectores de actividade económica que compõem o PIB não petrolífero deverão crescer a um ritmo superior face à taxa de crescimento média do sector, com excepção dos sectores Energia e Serviços Mercantis, conforme o relatório da Deloitte. Destaca ainda que o sector da extracção de diamantes e outras indústrias extractivas, deverá apresentar a melhor performance em 2020, com uma taxa de crescimento de 7%.

A redução dos níveis de liquidez, a elevada exposição de um conjunto significativo de bancos ao Estado, nomeadamente através da aquisição de dívida pública soberana, os aumentos dos custos de funding, bem como a redução dos níveis de concessão de crédito, que têm resultado na diminuição das margens dos bancos são alguns dos desafios imediatos com que os bancos se deparam, ainda que atenuados pelas mais-valias cambiais, decorrentes da desvalorização do Kwanza.

Refira-se o peso do crédito na estrutura global de activos em 2019, permaneceu a aquém dos valores registados em mercados mais maduros, nomeadamente na Nigéria, África do Sul, Estados Unidos da América ou Portugal, conforme reporta o último relatório Banca em Análise da Deloitte.