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Telecons duplicaram oferta de serviços em meio a Pandemia

O isolamento social gerou necessidade de se conectar facto que aumentou a produtividade das empresas. Aumento da oferta sem acréscimo do preço gerou perda de receitas durante o estado de emergência

Luanda /
21 Jun 2020 / 14:00 H.

As empresas de telecomunicação obtiveram ganhos de produtividade com a adopção do teletrabalho durante o período de confinamento vivido nos últimos meses, segundo relatam os gestores das principais companhia do sector.

O principal desafio consistiu em garantir a mesma qualidade de serviços, em alguns casos superior, com a metade do quadro de pessoal disponível como aponta o Chairman da Angola Telecom, Adilson dos Santos.

Por sua vez o CEO da Angola Cables considera que o actual estágio da revolução industrial permitiu a empresa criar formas de produtividade, não sendo de todo nova a experiência de trabalho remoto, uma vez que possuem escritórios em três continentes, nomeadamente Europa, América e África.

“Mas o facto de estarmos realmente confinado deu-nos a oportunidades de pensar nessa estrutura funcional de uma forma mais eficiente. O que é certo é que temos tido ganhos de eficiência e produção” realça.

Acresce ainda que melhorou a percepção que os escritórios não precisam estar “abarrotados” por pessoas, pelo que estas funcionam melhor se forem as gestoras do seu “timings” com responsabilidade sobre o deadline das entrega dos trabalhos.

“Temos tido experiências interessantíssimas no ponto de vista da eficiência de produção do nossos colaboradores, porque temos pessoas que estão a trabalhar melhor que antes. Penso que é uma grande experiência e traz uma grande oportunidade. Fundamentalmente para nós que somos promotores dessas redes de ligação e interligação, potenciando muito a digitalização” assume.

Receitas a contramão

Os benefícios se estendem para os clientes que viram a oferta dos serviços duplicar sem que houvesse aumentos (equiparados) nos preços. O administrador da Unitel, Amilcar Safeca, destaca que foram criados pacotes sem taxas que provocaram aumento do consumo. Este facto associado a outros constrangimentos identificados no período em observação conduziram a uma “significativa redução de receitas” para a operadora.

De igual modo a Angola Cables registou um significativo aumento do tráfego na ordem de 1,3 e 6 vezes mais para África (Angola e África do sul) e Brasil respectivamente. Porém, as receitas não seguiram o mesmo curso. No mercado nacional os clientes beneficiaram do dobro da capacidade de consumo pelo preço habitual.

António Nunes prevê que a descontinuação desta campanha será difícil, assumindo ser um caminho sem volta. Contudo, vê com optimismo a estratégia a médio e longo prazo com perspectiva de recuperação do investimento.

Apesar da redução das receitas o sector não sofreu perdas assinaláveis de quadros por causa da Pandemia. A razão deveu-se a especialização da mão-de-obra que o sector exige e o investimento avultado feito pelas empresas na qualificação dos mesmos, a isto, se acresce a perspectiva de crescimento do sector.

Desafio da digitalização da economia

A Angola Cables afirma que, por um lado, é preciso investir para aumentar a quantidade de clientes, por outro lado, os custos de investimentos são muito altos, praticamente tudo é importado, o País está muito dependente das divisas.

“Nós ainda estamos numa fase de criação das infraestruturas, qualquer operadora no mercado ainda está nesta fase, os investimentos nas redes de telecomunicações são muito volumosos, tem que haver um investimento e um tempo de recuperação para depois continuar a investir” revela António Nunes.

Faz saber que a empresa se encontra em fase de recuperação do investimento, com uma rede internacional. As condições estão igualmente a serem criadas, sendo que os cabos marinhos e os datas center estão criados e operacionais.

A operadora navega nos mercados mais maduros do atlântico, como na África do Sul (mercado africano mais maduro), no Brasil, e tem ligações na Europa e nos EUA que são mercados extremamente maduros. Pretende ainda ingressar no mercado nigeriano, mas tem sido uma operação árdua, porque os nigerianos defendem o seu mercado.

No âmbito da expansão dos negócios, a Angola Cables está a criar ligações com mercados potenciais e grandes produtores de conteúdos para iniciar a comercialização de serviços. Na forja está já uma parceria com produtores de conteúdos do sector agrícola brasileiro, de formas a fazer a ponte com o sector agrícola angolano.

É o caso da negociação com o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Agrícola (IMBRAPA), que revelou forte interesse em comunicar directamente com fazendeiros angolanos. A operadora está a identificas potenciais fazendeiros nacionais que possam usar a INBRAPA como suporte para o desenvolvimento de produção nacional.

“É uma troca de experiência e conhecimento a distância, potenciando a agricultura digital”, afirma o CEO.