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“Só a peritagem pode determinar os custos do sinistro de Viana”

O entrevistado precisou ainda que a empresa possui tratados de resseguro e trabalha com uma das maiores resseguradoras do mundo, a Swiss Re.

Luanda /
08 Jun 2021 / 10:05 H.

A Fortaleza Seguros afirmou que apenas a peritagem pode determinar os custos do sinistro ocorrido em Luanda, na qual um incêndio de grandes proporções destruiu, na madrugada desta terça-feira, 01, cinco naves pertencentes à Kikovo - fazenda Pérola do Kikuxi.

Ao Mercado, o CEO da seguradora que responde pelo sinistro, Paulo Bracons, assegurou que a companhia que dirige trabalha nesta altura na peritagem dos factos para determinar as causas do incêndio, sendo por isso prematuro avançar qualquer conclusão sobre as causas e prejuízos do sinistro.

“Apenas a peritagem é capaz de determinar e calcular os danos causados pelo incêndio. Isso leva algum tempo, mas prometemos ser céleres na resolução do sinistro”, prometeu Paulo Bracons, que preferiu não se pronunciar sobre os prejuízos avaliados em cinco milhões USD avançados por Elisabeth Dias dos Santos, administradora da fazenda Pérola do Kikuxi.

O entrevistado precisou ainda que a empresa possui tratados de resseguro e trabalha com uma das maiores resseguradoras do mundo, a Swiss Re, que deverá comparticipar na indemnização do cliente.

Para já, a destruição do centro de distribuição da maior empresa nacional do sector avícola, não vai afectar a produção de ovos, segundo a empresária, que falou à imprensa logo após do incidente, já que as unidades produtoras de produto têm unidades de frio autónomas.

Por seu lado, o porta-voz dos Serviços de Protecção Civil e Bombeiros, Faustino Minguês, evocou um curto circuito como estando na origem do incêndio que reduziu a cinzas o complexo industrial constituído por cinco naves com câmaras frigoríficas que eram usadas para armazenamento de frescos.

Com capacidade para produzir cerca de um milhão de ovos/dia, a Kikovo produz nesta altura 600 mil ovos/dia e 50 toneladas de frango também por mês. Além da Kikovo e da fazenda Pérola do Kikuxi, o grupo Diside é detentor da Solmar, empresa que se dedica à actividade pesqueira e processamento de pescado.

Cronologia de incêndios em Luanda

A 23 de Agosto de 2006 um incêndio deflagrou e consumiu, durante cerca de 24 horas, nove armazéns no município do Cazenga, bairro Hoji-Ya-Henda em Luanda. Cinco anos mais tarde, em Outubro de 2011, registou-se outro incêndio na fábrica de lubrificantes da Sonangol, em Cacuaco.

Em Agosto de 2011, armazéns da antiga Macambira pegaram fogo e a 16 de Novembro de 2012 os supermercados da cadeia Alimenta Angola, em Viana também foram consumidos pelo fogo.

Em Dezembro, também de 2012, dois armazéns grossistas, no Cazenga, bairro Hoji-Ya-Henda foram engolidos pelo fogo.

Um ano depois, em Fevereiro de 2014, o município do Cazenga acordou novamente em chamas e desta vez foram cinco armazéns grossistas.

A 27 de Julho de 2014 foi registado outro incêndio de grandes proporções no supermercado Shoprite do Palanca. Um ano depois, em 2015 a Shoprite viu-se novamente em chamas e desta vez no município de Viana, Zango II.

No dia 28 de Abril de 2017, o Centro de Logística da Refriango no Kikuxi transformou-se em cinzas.

Em 2018 a segunda maior fábrica de detergente em Viana ardeu em chamas.

O município do Cazenga é um dos maiores protagonistas de incêndios em Luanda, a 24 de Julho de 2018 mais seis armazéns arderam em chamas no bairro do Hoji-Ya Henda.

A 22 de Dezembro de 2019, um incêndio deflagrou sobre a fábrica de lubrificantes na Petrangol.

A rede de supermercados Shoprite foi também uma das mais afectadas pelos incêndios em Luanda. A sete de Agosto de 2020 a instituição voltou a registar mais um incêndio desta vez em Cacuaco.