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Sérgio Calundungo defende avaliação da dívida púbica

O problema da dívida pública é grande demais para ser apenas um “exclusivo” do Executivo, afirma o coordenador do Observatório Político e Social de Angola (OPSA), Sérgio Calundungo, que defende, por isso, “um amplo debate sobre a questão”.

12 Abr 2019 / 16:32 H.

Para Sérgio Calundungo, tendo em conta a falta de transparência com o Executivo tem gerido a a dívida pública, particularmente a externa, pode sacrificar as gerações futuras que para a qual não foram chamadas. “O mínimo que se podia fazer é abrir um amplo debate sobre a dívida – porque o problema é grande demais para ficar confinado ao Executivo”, defende.

Para minimizar a dívida pública, o também antigo coordenador da Acção para o Desenvolvimento Rural e Ambiente, defende eficácia no recadastramento dos funcionários públicos, pois lembra que “um país com tanta dívida por pagar, não pode ter funcionários fantasmas”, e sugere: “Há funcionários fantasmas, mas quem os pôs lá não é fantasma, daí que deveria ser responsabilizado”. Sérgio Calundungo falava falava no Executive Talk, evento da Academia BAI sobre o OGE 2019: Opinião dos Analistas

Na mesma ocasião, o economista Alves da Silva defende que “não se pode pagar dívida contraindo nova dívida” e afirma que esta máxima deve valer não só para o Estado, mas igualmente para as empresas e famílias. Nas suas contas, por exemplo, só entre 2018 e 2019, o Executivo angolano contraiu dívida externa que ronda os 12 mil milhões USD.

De qualquer das formas, segundo o coordenador do Centro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica de Angola (CEIC) salienta que o fundamental aqui é “sabermos onde vai o dinheiro da dívida, se é para o investimento público, por exemplo, que nem sequer tem dado retorno em Angola, ou para outras áreas, porque todos os cidadãos, empresas e famílias vão pagar esta dívida”, e acrescenta: “há a dívida pública que pode ser viciosa e a que pode ser virtuosa”.

Presente no evento, a directora do gabinete da secretária de Estado para as Finanças, Julieta Major, admitiu ser importante a participação de todos angolanos na procura de soluções para lidar com a dívida, mas assegurou, igualmente, que os “financiadores acreditam no que tem sido feito em Angola”.

A responsável lembrou, ainda que, o problema do País não está na dívida pública em si, mas na qualidade da despesa, admitindo que “o investimento neste momento não tem dado retorno. Na estratégia da dívida pública, temos de olhar para a maturidade da dívida externa e o mercado interno, descontinuar os financiamentos com garantia de petróleo – e, principalmente, apoiarmo-nos em instituições como Banco Mundial, FMI e empréstimos multilaterais que nos pode ajudar”.

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