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Seguradoras devem criar pacotes ajustados ao sector mineiro

Makenda Ambroise diz que impõe-se ajustar os pacotes das seguradoras para atender às especificidades e características da mineração.

Luanda /
31 Out 2022 / 09:51 H.

As empresas de seguros devem criar produtos e pacotes ajustados ao sector mineiro, defendeu recentemente, em Luanda, o consultor do ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, aquando da realização do 1º Fórum Seguros & Mineração.

Makenda Ambroise, cuja mensagem foi transmitida no acto de abertura do evento, sublinhou que existem poucas ofertas de seguros ou produtos de gestão de riscos operacionais para o sector mineiro, salientando, no entanto, que existem muitas oportunidades de negócios que exigem uma certa agressividade na prestação de serviços por parte das companhias com pacotes e preços ajustados ao sector.

“Impõe-se ajustar os pacotes das seguradoras para atender às especificidades e características da mineração. Pretende-se com isto, providenciar o seguro de saúde, acidentes de trabalho e doenças profissionais, além do seguro automóvel para todos os trabalhadores e seus dependentes directos”, disse Makenda Ambroise.

O consultor lembrou que actualmente existe um número considerável de projectos mineiros, nomeadamente 58 diamantíferos e 46 não diamantíferos, que precisam da assistência e dos serviços das companhias de seguro.

Makenda Ambroise alertou que em relação ao seguro de saúde, por exemplo, um produto de elevado consumo, não será possível, por muito tempo, manter a cobertura no mercado angolano sem a existência da modalidade de co-pagamento.

Para o consultor, os preços praticados pelas seguradoras são aceitáveis, uma vez que a actividade mineradora é de alto risco e um dos maiores desafios das seguradoras parte pela oferta de serviços eficientes para segurar os riscos operacionais inerentes à actividade.

Mas para tal, o antigo secretário de Estado da Geologia e Minas destacou que é importante que as empresas mineiras estejam atentas e preocupadas com a boa gestão de riscos e que empreguem as melhores práticas de prevenção.

Nota que é importante ter soluções em que a cadeia de valor por questões de custos e eficiência do negócio esteja segurada. Neste contexto e no tocante às empresas mineiras, admite Makenda Ambroise, as seguradoras devem alinhar as suas intervenções ao nível dos produtos disponíveis ao serviço das empresas do sector mineiro na base das melhores práticas internacionalmente aceites.

“As empresas seguradoras precisam repensar a melhor forma de optimizar os seus serviços junto das empresas do sector mineiro e a indústria mineira precisa também melhorar em termos de comunicação de modos a evoluir em torno da sua contribuição e cooperarão com o sector segurador”, disse.

Diante dessa situação, avança, as empresas de seguros devem concentrar os seus esforços na implementação de transformações que possam atrair e mobilizar as empresas do sector mineiro, que poderão contar com os préstimos dos especialistas do sector segurador, a fim de desenvolver um plano de transformação, visando a protecção das pessoas e dos bens.

Aproximação dos sectores

Por seu lado, Sebastião Panzo, director geral da Bumbar Mining, organizadora do evento, destacou que o Fórum visou, acima de tudo, aproximar os actores, decisores e responsáveis dos sectores segurador e mineiro.

“Outro objectivo foi, no âmbito desse encontro, trazer reflexões fora de caixa sobre que produtos essenciais de cobertura e de garantias do sector mineiro não estão a ser cobertos neste momento pelo sector segurador e afinar os mecanismos para que isso se efective”, afirmou.

O responsável da Bumbar Mining enfatizou que a ideia do evento foi ainda olhar para o sector mineiro de forma mais diversificada e abrangente, ou seja, além dos diamantes.

“E para fazê-lo trouxemos intervenções do Governo, das entidades reguladora (ARSEG e Agência Nacional dos Recursos Minerais) e de quadros e técnicos dos dois sectores para partilharem o que pensam serem aqueles produtos que devem ser necessários e viáveis para que a indústria mineira cresça e os investidores tenham a segurança do retorno dos seus investimentos”, explica.

Sebastião Panzo notou igualmente que aos poucos as seguradoras vão conhecendo a complexidade do sector mineiro, na sua cadeia de valor, como a prospecção, exploração, transporte e comercialização dos minerais.

Por outro lado, segundo disse, os decisores e gestores dos projectos mineiros devem conhecer cada vez mais como é que as seguradoras tecem as suas apólices e os seus produtos de protecção e garantias em relação ao sector mineiro.

“Há, por exemplo, um seguro contra riscos ambientais e de poluição súbita que aguarda pela sua regulamentação e são desafios como este que os técnicos colocam à mesa para que se encontre soluções para o bem dos dois sectores”, assevera.

O certame decorreu sob o tema “O Olhar da Indústria Seguradora sobre o Sector Mineiro - Experiências, Desafios e Oportunidades” e foi encerrado pelo administrador da ARSEG, Jesus Teixeira, que enalteceu o encontro, tendo destacado o papel das empresas de seguros na cobertura dos riscos do sector mineiro.