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Saneamento e provisões ditam resultado negativo da ENSA

A margem de solvência, de 102%, segue em linha com as exigências do regulador.

21 Jun 2020 / 11:45 H.

Os esforço empreendido no saneamento financeiro das contas da empresa, e a constituição de provisões técnicas e de provisões para prémios em cobrança foram algumas das causas do resultado negativo da ENSA Seguros, revelou o Chairman da instituição, Carlos Duarte em conferência de imprensa.

Como consequência desse saneamento, que foi abrupto, mas necessário para a estabilidade da empresa, conforme aponta o responsável, a companhia encerrou o ano de 2019 com um resultado negativo de 9,9 mil milhões Kz.

Entretanto, o mesmo já não se pode dizer em relação à margem de solvência, de 102%, que embora tenha registado um decréscimo de 421%, comparativamente ao ano anterior, segue em linha com as exigências do regulador ARSEG - Agência Angolana de Regulação e Supervisão de Seguros.

No total, a maior empresa de seguros do País investiu e constituiu provisões avaliadas em 94,7 mil milhões Kz, subdivididas entre provisões técnicas e provisões para prémios em cobrança, como acima referido.

Além da situação de insuficiência de provisões, a nova gestão, que entrou em funcionamento em Novembro do ano passado, encontrou dívidas elevadas da seguradora junto de fornecedores, a par de um volume de prémios por cobrar em 2019 na ordem dos 17 mil milhões Kz, de acordo com o administrador financeiro, Ildo Nascimento.

“O Estado e empresas públicas são os principais clientes que não pagam”, avançou. Mas, contudo, seguradora registou um crescimento de 35% no volume de prémios brutos emitidos, num total de 63,7 mil milhões Kz. No entanto, deste valor, a empresa conseguiu apenas cobrar 27,9 mil milhões Kz.

Ainda assim, de acordo com dados da Associação de Seguradoras de Angola - ASAN, a companhia de capitais público manteve-se em 2019 como líder do mercado, com uma quota de 35%.

Em termos de áreas de negócio, o destaque recai para o ramo Saúde, que representou 49% do volume de negócio da ENSA, seguida pelos produtos Acidentes de Trabalho e Acidentes Pessoais (17%) e pela Petroquímica (16%).

O rácio de cobertura das provisões técnicas foi o segundo mais elevado desde 2016, ficando nos 165%. Registe-se igualmente que, em 2019, a Standard & Poor´s (“S&P”) manteve o rating internacional da ENSA em B- em alinhamento com o rating do País.

Carlos Duarte referiu que em 2019, a ENSA manteve a sua política de aposta nos recursos humanos, tendo reforçado acções para a formação e dinamização de quadros. No final do ano, a ENSA contava com 634 colaboradores directos cobrindo todas as províncias do País.

“Em 2020, o sector segurador assistirá novamente a um ano de grandes desafios, tal como se tem vindo a verificar nos últimos anos, o qual será acompanhado por um ambiente de elevada competitividade”, disse. Sobre a influência da pandemia da COVID-19 nos resultados da seguradora, a empresa admitiu que já se observa o impacto negativo, salientando que os clientes particulares têm vindo a protelar os seus pagamentos por falta de liquidez.

“Não se podem deslocar, estão limitados na sua ação, mas existe esse impacto, fundamentalmente para o seguro automóvel e para os clientes particulares, numa redução na ordem dos 40%”, referiu o administrador comercial da ENSA, Mário Mota Lemos.

Plano Estratégico

Um dos pontos mais relevantes do Plano Estratégico 2020-2022 tem que ver com o programa de privatização da seguradora que deve ainda acontecer no decurso de 2020. E a empresa é vista como um dos activos mais relevantes do Estado a alienar, conforme indicou Patrício Vilar, PCA do Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE).

O administração da ENSA, Mário Mota Lemos, entende, entretanto, que é necessário optimizar o funcionamento da empresa, preparando-a convenientemente para a privatização, modernizando-a nos seus modelos de governance, comercial e tecnológico.

O plano destaca igualmente a alteração da sede da empresa para um imóvel que permita um reposicionamento institucional e funcional mais alinhado com a sua importância no mercado e a simplificação da estrutura interna de direcções para uma maior eficiência interna.

Subscreve ainda a potencialização dos novos talentos, mas também o melhor aproveitamento do conhecimento histórico acumulado e o aperfeiçoamento dos procedimentos internos de contratação, fazendo a empresa comprar melhor, em alinhamento com as regras da contratação pública.