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Queixa contra os bancos aumentaram 40% em 2020

As transferências constituíram o principal motivo de insatisfação por parte dos clientes bancários em 2020, sendo o BPC o alvo de mais reclamações

Luanda /
18 Fev 2021 / 10:53 H.

As queixas apresentadas ao Banco Nacional de Angola (BNA) registaram um aumento de 40%, segundo cálculos do Mercado com base nos dados do Departamento de Conduta Financeira no domínio da gestão das reclamações.

Em 2020, as reclamações apresentadas directamente ao BNA foram de 2 463, um aumento de 698, face a 2019 equivalente a 40%. As principais reclamações contra as instituições financeiras bancárias foram matérias relacionadas com as transferências e contas de depósitos à ordem.

No domínio das transferências, as queixas são contra as operações não efectuadas e reconhecidas; morosidade na realização das operações e a disponibilização do valor. Quanto às queixas relacionadas com as contas de depósitos à ordem, destacam-se as movimentações indevidas; a não disponibilização de numerário, bem como as comissões e despesas.

Banco de Poupança e Crédito lidera ranking das reclamações

No ranking das instituições financeiras de grande dimensão, o BPC fechou o ano com 232 reclamações foi a que mais queixas registou, com uma diferença significativa. Seguiu-se o Banco Angolano de Investimento (BAI) com 97 e o Banco de Fomento Angola (BFA) com 94 reclamações.

Para solucionar o problema, o BPC está a implementar um conjunto de acções que emanam do Plano de Reestruturação e Recapitalização, segundo a Direcção de Marketing e Imagem do banco. Revelou ainda que para o efeito foi definida como prioridade a modernização dos sistemas de informação, a revisão e reforço do controlo interno.

Os clientes insatisfeitos do maior banco público apresentaram queixas relacionadas às transferências, depósito à ordem e outros tipos de crédito.

O banco avançou que as reclamações apresentadas resultam do baixo índice de literacia financeira dos clientes, o que origina a utilização incorrecta de alguns produtos e serviços, possibilitando a existência de fraudes de vária índole com maior incidência para os cartões multicaixa e internet banking.

Para aumentar o nível de literacia financeira dos clientes, o BPC diz que tem realizado diversas acções e alertado para os riscos de fraude.

“Acreditamos que estas medidas irão permitir que a médio prazo haja uma redução substancial do número de reclamações dos clientes do BPC”, disse. Os menos queixosos foram os clientes do Banco BIC com 31 reclamações relacionadas com crédito à habitação, depósito à ordem e transferências.

No domínio das instituições financeiras de média e pequena dimensão, o Banco Yetu liderou as queixas com 37 reclamações, os descontentamentos referem-se às transferências e operações cambiais. A queixa contra o Banco Kwanza Investimento incidiu sobre o crédito automóvel, sendo a instituição com menor número de queixas.

Vale recordar que o referido banco viu a licença revogada recentemente por insuficiência de fundos próprios regulamentares, requisito necessário à continuidade da actividade bancária, nos termos da Lei de Base das Instituições Financeiras.