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Produção de seguro directo cai 27,5% no primeiro semestre

A ASF nota que em Junho de 2020 o valor das carteiras de investimento das empresas de seguros sob sua supervisão totalizou cerca de 51 mil milhões Euros.

Luanda /
31 Ago 2020 / 12:10 H.

A produção global de seguro directo relativa à actividade em Portugal caiu 27,5%, no primeiro semestre do ano, face ao semestre homólogo de 2019, indicou a Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) local num relatório sobre a evolução da Actividade Seguradora divulgado esta semana.

O documento sustenta que em relação às empresas sob supervisão prudencial da ASF (empresas nacionais), o ramo Vida teve também um decréscimo de 51,2%, enquanto os ramos Não Vida apresentaram um crescimento de 5,5%.

Por outro lado, as sucursais de empresas da União Europeia a operar em Portugal registaram um decréscimo de 30,6% no ramo Vida, tendo a produção dos ramos Não Vida apresentado um ligeiro crescimento de 0,9%.

Entretanto, a ASF nota, no relatório, que em Junho de 2020, o valor das carteiras de investimento das empresas de seguros sob sua supervisão prudencial totalizou cerca de 51 mil milhões Euros, representando um decréscimo de 3,7% face ao final do ano anterior. No mesmo período, lê-se, as provisões técnicas, cujo valor foi de 45,3 mil milhões Euros apresentaram uma diminuição de 2,5%, face ao final de 2019.

O rácio de cobertura do Requisito de Capital de Solvência (SCR) – medida do montante de fundos próprios necessários para a absorção das perdas resultantes de um evento de elevada adversidade (VaR 99,5%, um ano) e que resulta da agregação das cargas de capital relativas aos vários riscos a que as empresas de seguros se encontram expostas – foi de 165%, reflectindo um decréscimo de 13 pontos percentuais, face ao final de 2019.

Consta que no mesmo sentido, o rácio de cobertura do Requisito de Capital Mínimo (MCR) – nível mínimo de fundos próprios abaixo do qual se considera que os tomadores de seguros, segurados e beneficiários ficam expostos a um grau de risco inaceitável – foi de 462%, reflectindo um decréscimo de 33 pontos percentuais, face ao final do ano anterior.

Custos com sinistros

Os custos com sinistros de seguro directo apresentaram um acréscimo muito ligeiro de apenas 1,4% face ao semestre homólogo do ano anterior. No ramo Vida, por exemplo, os custos com sinistros aumentaram 2,1%, mantendo-se praticamente inalterados nos ramos Não Vida.

Por outro lado, segundo a ASF, a produção de seguro directo do ramo Vida diminuiu 50%, tendo sido relevante, para este decréscimo, a diminuição verificada nos seguros de Vida não ligados, em particular nos Planos Poupança Reforma PPR (-80,1%), tendo estes diminuído o seu peso na carteira de 42,2% para 16,8%.

No total do mercado, os PPR registaram um decréscimo de 75,1% face ao período homólogo de 2019, diminuindo o seu peso na estrutura do ramo Vida, representando apenas 24,4% da produção total, quando em Junho de 2019 representavam 49,1% da carteira.

Os custos com sinistros de seguro directo do ramo Vida em Portugal aumentaram 2,1% face a Junho do ano passado. A produção dos ramos Não Vida do total do mercado ultrapassou 2,7 mil milhões Euros, com um aumento de mais 127 milhões Euros que em igual período do ano anterior. De destacar o crescimento de 9,5% no ramo Doença, cujo peso relativo na produção passou a ser de 18,8% no final do período.

Os ramos Incêndio e Outros Danos e Automóvel, assim como a modalidade Acidentes de Trabalho, apresentaram igualmente acréscimos, de 6,2%, 3,9% e 5,5%, respectivamente. Os custos com sinistros de seguro directo do total do mercado apresentaram um valor praticamente semelhante ao registado no primeiro semestre de 2019.

O ramo Automóvel e a modalidade Acidentes de Trabalho apresentaram decréscimos de 9,9% e 6,5% respectivamente, ao contrário do ramo Incêndio e Outros Danos, cujos custos com sinistros aumentaram 36,8% no período em análise.

A estrutura dos custos com sinistros de seguro directo dos ramos Não Vida tem sido idêntica ao longo dos períodos homólogos. Saliente-se, contudo, que no período em análise o ramo Incêndio e Outros Danos viu o seu peso aumentar 4,2 pontos percentuais. Por seu lado, o ramo Automóvel registou um decréscimo de 4 pontos percentuais.

O relatório do regulador português sublinha ainda que a produção de seguro directo de Acidentes de Trabalho apresentou, até Junho de 2020, um crescimento de 5,5%, inferior ao verificado no período homólogo do ano anterior (11,4%). O rácio “Custos com Sinistros/Prémios Brutos Emitidos” diminuiu 9 pontos percentuais, situando-se em 69,6%.