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Prémios brutos podem atingir 400 mil milhões Kz até Dezembro

A ARSEG prevê um aumento de cerca de 42% a nível dos prémios brutos e os montantes poderão ser canalizadas em forma de investimentos.

Luanda /
08 Ago 2022 / 08:52 H.

A Agência Angolana de Regulação e Supervisão de Seguros (ARSEG) prevê chegar aos 400 mil milhões Kz de prémios brutos para os ramos Vida e não Vida neste ano, segundo informações avançadas recentemente, em Luanda, pelo director de supervisão de seguros da instituição, Walter Bravo, durante o fórum “Mercado de Capitais e o sector dos Seguros e Fundos de pensões”.

Walter Bravo sublinhou que a ARSEG prevê para este ano, a nível dos prémios brutos, um aumento de cerca de 42%, em relação ao período anterior. Assim sendo, ressalta, os montantes das provisões constituídas e não inferiores a 35% poderão ser canalizadas em forma de investimentos.

Já para os fundos de pensões, as contribuições até ao primeiro semestre foram ligeiramente baixas (cerca de 91 mil milhões Kz), mas Walter Bravo sublinhou que o valor poderá ascender os 150 mil milhões Kz.

Ao mesmo tempo espera-se, segundo a fonte do Mercado, que o volume total de fundos de pensões para o ano de 2021 atinja os 600 mil milhões Kz e em 2022 chegue a 700 mil milhões Kz.

Por outro lado, o director do Gabinete de Estudos e Estratégia da Comissão do Mercado de Capitais (CMC), Johny de Azevedo Soki, mencionou alguns pontos que espelham a importância da participação de investidores institucionais no mercado de capitais, nomeadamente, a maior oferta de instrumentos no mercado de capitais, mobilização de poupança interna a canalizar na economia, correlação positiva entre um mercado de capitais forte e a solvência dos fundos de pensões, além da estabilização da economia.

Johny de Azevedo Soki, referiu que o sector dos seguros teve uma participação de 2,99% em 2021, no mercado de capitais, ao passo que em 2020 o peso foi de 0,84% e em 2019 de 1,37%.

Já os fundos de pensões, disse ainda o responsável da CMC, em 2021 tiveram uma participação de 2,26% no mercado de capitais, enquanto em 2020 o peso foi de 1,52% e em 2019 (4,41%).

CMC apela à maior participação

No entanto, a directora do Gabinete de Desenvolvimento do Mercado da CMC, Ludmila Dange, afirmou que é possível, com os instrumentos existentes no mercado de capitais, que as seguradoras e sociedades gestoras de fundo de pensões tenham uma maior participação, tomando como título de exemplo outras economias mundiais.

Por seu lado, a Presidente do Conselho de Administração (PCA) da CMC, Maria Uini Baptista, que falou na abertura do fórum, sublinhou que a regulamentação da actividade seguradora e dos fundos de pensões já permite uma participação mais activa no mercado de capitais, enquanto investidores institucionais e almeja-se que se tornem os maiores dinamizadores deste segmento do sistema financeiro.

“Foram já adoptadas algumas medidas de incentivos e mobilização dos investimentos com destaque para a redução do capital social das seguradoras e a retirada dos limites inferiores para o investimento”, disse.

De acordo com a PCA, os montantes negociados por investidores institucionais em instrumentos da dívida, até finais do primeiro semestre do corrente ano, rondaram os 360 mil milhões kz, sendo que as empresas ligadas aos seguros e aos fundos de pensões representaram cerca de 4% deste total.

“Reconhecemos a importância dos investidores institucionais na canalização de investimentos de longo prazo atendendo aos actuais níveis de participação no mercado”, afirmou.

Maria Uini Baptista apelou também para uma participação mais activa das empresas do sector dos seguros e dos fundos de pensões no mercado de capitais e que canalizem o montante disponível para os instrumentos já existentes no mercado de capitais.

ENSA tem mais de 200 mil milhões Kz para o mercado de capitais

Por outro lado, a seguradora ENSA anunciou na mesma que tem mais de 200 mil milhões Kz para investir no mercado de capitais, de acordo com a informação avançada pela directora técnica da ENSA, Dádiva Malanga, durante a sua intervenção no painel de debate que teve como tema “Oportunidades e desafios do Mercado de Capitais na óptica das seguradoras e fundos de pensões”.

Dádiva Malanga afirmou ainda que o valor é referente apenas aos fundos de pensões e equivalem a dois terços do valor total dos activos a circular no mercado de capitais, ressaltando também que o objectivo é andar de mãos dadas com a CMC e para tal os desafios devem ser ultrapassados.