Tempo - Tutiempo.net

Preços altos afastam angolanos dos seguros

Habitantes de Luanda que não têm qualquer seguro assumem que o principal problema é o seu preço elevado, indica um estudo de mercado da MIRA. O inquérito, centrado nas classes sociais mais elevadas, mostra que há um longo caminho a fazer, mas também oportunidades para as companhias conquistarem novos clientes.

Angola /
24 Ago 2019 / 11:03 H.

O preço elevado e a percepção de que estar protegido não tem interesse são os principais motivos que levam os habitantes de Luanda dos estratos sociais mais elevados sem seguro a nunca terem contratado nenhum, revela um estudo de mercado da MIRA – Market Intelligence Research Analytics, o MIRA Seguros 2019.

De acordo com a pesquisa, a que o Mercado teve acesso em exclusivo, baseada em inquéritos telefónicos realizados em Março passado junto de um universo de 1.723 indivíduos das classes A, B e C, o preço elevado (37%) e o facto de não haver interesse (30%) são as principais causas apontadas pelos inquiridos para nunca terem estado segurados.

O inquérito (ver infografia nas páginas 6 e 7), que por estar baseado essencialmente nas classes mais elevadas representa apenas 35% da população de Luanda, indica como outros motivos para que as pessoas não tenham seguro o facto de não haver necessidade (17%) ou não ter trabalho estável (9%).

O estudo da MIRA revela que, entre a população inquirida, a maior parte (53%) não tem ou não tinha nenhum seguro activo no momento do inquérito, sendo que, nos 47% que assumiram ter algum, não foi questionado se, naquela altura, estava pago, nem o valor do prémio.

Valer a pena vale, mas o preço...

No que diz respeito à atitude face aos seguros, verifica-se que os inquiridos reconhecem que vale a pena ter seguros, ainda que haja uma quase unanimidade em relação ao preço, considerado muito caro (74%). Apenas 6% entendem que os seguros são caros e não vale a pena ter um, sendo que quase um quinto da amostra (19%) entende que os preços são acessíveis.

Já em relação aos seguros automóveis, dois terços (66%) dos inquiridos pela MIRA acham que é importante e compensa ter um. Pouco menos de um terço entende ser importante, mas sai caro. E apenas uma minoria declarou que segurar o automóvel não é importante.

Entre aqueles que afirmaram não ter qualquer seguro no momento do inquérito, verifica-se que o de saúde é o principal a ter sido descontinuado pelos inquiridos, sendo que o principal motivo (52%) é o facto de ter sido uma apólice paga pela empresa. Entre as causas para descontinuar seguros de saúde está ainda o facto de serem considerados muito caros (17%). Curiosamente, o Hospital Josina Machel/Maria Pia (16%) é o mais frequentado pelos inquiridos dos estratos A, B e C sem seguro de saúde.

Já em relação a seguros automóveis descontinuados, as principais causas são o facto de os inquiridos terem deixado de conduzir ou possuir viatura (31%), ou a insatisfação com a seguradora (13%).

O estudo avaliou ainda, no caso dos indivíduos com seguro, qual a forma de contacto mais frequente da companhia - e-mail ou telefone?. E a conclusão é que o contacto com os segurados por e-mail/telefone por parte das seguradoras é ainda pouco frequente, sendo que é na estatal ENSA que esse contacto acontece com menos.

Questionados sobre a avaliação global seguradora com quem trabalham, numa escala de 1 a 4 (em que 1 é muito insatisfeito e 4 é muito satisfeito), os indivíduos com seguro colocaram a Nossa em primeiro, seguida da Global, Saham e ENSA.

Sem surpresa, a ENSA é a companhia que tem maior notoriedade espontânea por parte do universo ‘auscultado’ pela MIRA, incluindo aqueles sem seguro. A seguradora liderada por Manuel Gonçalves – que será a primeira a ser lançada em bolsa no âmbito do plano de privatizações do Governo, é referida por 63% dos inquiridos. Neste indicador da notoriedade espontânea seguem-se a Global, a Saham e a Nossa.

A pesquisa da MIRA inclui igualmente entrevistas a indivíduos das classes mais desfavorecidas, as classes D e E. Neste caso foram feitos questionários a 1.203 pessoas, também em Luanda, e o resultado não surpreende: 84% declararam não ter seguros de qualquer tipo.

Em entrevista ao Mercado (ver página 8), Filipa Oliveira, senior partner da MIRA, admite não ter ficado surpreendida, em geral, com os resultados do estudo, mas defende que existem elementos que devem ser analisados pelas companhias, na medida em que existem oportunidades que poderão não estar a ser exploradas.

Saiba mais na edição nº 220 do Mercado, já nas bancas.