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Multicaixa lidera transacções no sistema de pagamento

A rede multicaixa engloba os pagamentos nos ATMs, TPAs, Multicaixa Express e Internet Banking. Apesar de a rede registar maior movimentação, o maior volume de dinheiro processado no sistema de pagamento nacional foi feito através do sistema em tempo real (SPTR) com 13,7 biliões Kz, seguido dos pagamentos por multicaixa com 3,6 biliões Kz, registados nos primeiros três meses do ano. Os cheques são cada vez menos utilizados e as burlas mais constantes. EMIS volta a fazer soar os alarmes de burlas.

Angola /
09 Mai 2022 / 08:53 H.

O sistema de Pagamento Angolano (SPA) registou 84,6 milhões processos de pagamentos por multicaixa, o que corresponde a movimentação de mais de 3,6 biliões Kz, no primeiro trimestre deste ano, de acordo com as estatísticas do SPA divulgadas recentemente pelo Banco Nacional Angola (BNA).

As 84,6 milhões de operações na rede multicaixa (MCX) estão muito acima das 4,2 milhões de operações através do sistema de Transferências a Crédito (STC) e das operações realizadas pelo sistema de Pagamentos em Tempo Real (SPTR) e dos Serviço de Compensação de Valores (SCV), com 67,5 e 11,05 milhões, respectivamente, o que demonstra a preferência dos angolanos em efectuar pagamentos via multicaixa.

Os pagamentos na rede multicaixa, correspondem às operações financeiras em Caixas Automáticos (vulgo ATMs), Terminais de Pagamento Automáticos (TPA) , canal Homebanking (H2H) e Multicaixa Express (MCXE), realizadas com cartões Multicaixa , excluindo os levantamentos.

Os ATMs representam 35% dos valores movimentados na rede multicaixa, seguidos das operações feitas através do aplicativo multicaixa express com 32,6% e TPAs com 30,7%. Apenas 1,7% é realizado por internet Banking.

Apesar de se registar maior movimentação na rede multicaixa, o maior volume de dinheiro processado no Sistema de pagamento nacional é feito através do SPTR (que assegura o processamento automático e a liquidação em tempo real, operação por operação, de transferências electrónicas de fundos entre bancos em moeda nacional) com 13,7 biliões Kz.

Segundo contas do Mercado com base nos dados banco Central, no primeiro trimestre foram movimentados 19,7 biliões Kz, correspondentes a soma dos pagamentos processados através dos seguintes sistemas: SPTR ( 13,7 biliões Kz), MCX (3,6 biliões), STC (2,3 biliões ) e SCV( 59 mil milhões Kz).

O STC (que possibilita a transferência electrónica de fundos ordenados pelos pagadores e enviados pelo banco do pagador para o beneficiário ) também tem crescido. Em 2014, foram registadas mais 860 mil operações, tendo se verificado uma tendência crescente até 2021 onde se ultrapassou mais de 18 milhões de operações, o corresponde a 8,7 biliões Kz de pagamentos por transferência a crédito, um crescimento de mais de 2000% em relação a 2014.

No primeiro trimestre foram processados 2,3 biliões Kz, como resultado de mais de 4 milhões de operações por STC.

Em contramão, os cheques são cada vez menos utilizados. Nos primeiros três meses do ano, foram processados cerca de 11 mil operações através de SCV/SCC (que assegura a compensação de Cheques e de ordens de saque) e por esta via foram pagos cerca de 57 mil milhões Kz, representando apenas 0,3% das operações do sistema de pagamento.

Em 2010 foram usados cerca de 460 mil cheques e ordens de saque, no ano seguinte subiu para 474 mil e em 2014 atingiu os 625 mil cheques e ordens de saque, o valor mais alto desde a última década. De lá para cá, a utilização dos cheques tem reduzido significativamente, tendo registado apenas 45 mil operações em 2021, uma redução de 93% em relação ao ano de 2014, início da queda da economia nacional.

Levantou-se 705,4 mil milhões Kz nos ATMS

Os dados do sistema de pagamento apontam ainda que durante o primeiro trimestre deste ano foram levantados cerca de 705,4 mil milhões Kz, o que representa 76% do total de operações nos ATMs, estimado em 931,8 mil milhões Kz.

O volume de levantamentos do primeiro trimestre corresponde a 27% do total de levantamentos registados até Dezembro de 2021 (2,6 biliões Kz).

Até Março foram registados em todo País 3.262 ATMs, dos quais 3.083 estão activos. No primeiro trimestre do ano passado havia 3.026 ATMs activos.

Quanto aos terminais de pagamento automático, vulgos TPA, estão matriculados 148.971 , destes 71,4% estão activos (106.383). As estatísticas revelam que no período em análise foram feitas mais de 71 milhões de operações financeiras nos TPAs, que correspondem ao total de 1,06 biliões Kz, 99,7% deste valor foram compras.

Actualmente o sistema de pagamento tem 6,7 mil cartões registados, dos quais 5,7 mil (85%) estão activos.

Luanda concentra mais de metade dos meios da rede multicaixa de todo o País. A capital tem 1.894 Caixas automáticas (ATMs), o equivalente a 58% do total registados em todo território nacional, segue-se Benguela com 278, Huíla com 181 e Huambo com 133, juntas são as províncias com maiores números de multicaixas. Bengo está na última posição com apenas 33 ATMs registados, o equivalente a 1%.

Quanto ao número de TPAs, Luanda concentra 73%, do total de 148.971 terminais, seguem-se as mesmas províncias, Benguela, Huíla e Huambo com 7.376, 4.961 e 4.757, respectivamente. Sem surpresa, Bengo é a província com menor número de TPAs registados, com apenas 617.

EMIS volta a fazer soar alarmes de burlas

A Empresa Interbancária de Serviços (EMIS) voltou a alertar aos cidadãos sobre uma rede de criminosos cibernéticos, que se fazem passar por seus funcionários, com o intuito de enganar usuários de serviços de Internet Banking ou Multicaixa Express, através de um comunicado.

Os supostos burlões usam páginas falsas nas redes sociais e, através das mesmas, enviam mensagens aleatórias aos usuários de Multicaixa Express ou Internet Banking, alegando tratar-se de uma nova versão de actualização do serviço.

O comunicado desta semana, divulgado no dia 3 de Maio, informa que “nem a EMIS nem os Bancos, em momento algum ligam para os clientes a solicitar o fornecimento de dados pessoais e códigos de segurança“, chamando assim a atenção para os utilizadores do Multicaixa Express a não fornecerem os seus dados pessoais, PINs e códigos de validação, por telefone, mensagem ou pelo preenchimento de formulários, para “evitar serem vítimas de burlas, cuja consequência é o saque indiscriminado dos fundos nas suas contas bancárias”.

A EMIS afirma também que “o canal MCX Express é extremamente seguro porque obedece às melhores práticas internacionais, bastando aos seus utilizadores não se deixarem levar por falsas e/ou tentadoras ofertas, para evitar a perda do seu dinheiro por burla”.

Em declarações ao portal isto é notícia, o operador de call center da EMIS, Eduardo Zinga adiantou que em 2021 foram desviados pelos criminosos cibernéticos mais de 40 milhões Kz, dos quais o Serviço de Investigação Criminal (SIC) conseguiu recuperar apenas pouco menos de um milhão de kwanzas.

De acordo com o engenheiro informático e especialista em cibersegurança, José Varela Da Silva, o uso sem o conhecimento adequado das plataformas digitais é uma das principais causas das burlas.

“Mas a pergunta certa não seria a falta de Literacia por parte dos clientes do nosso mercado nacional e não propriamente dos riscos que essa plataforma acaba acarretando consigo por transitarem pagamentos financeiros?”, apontou em declaração ao Mercado.

“Não se pode julgar e condenar a ferramenta digital criada para facilitar e ajudar a crescer o sector financeiro”, afirmou.

Segundo José Varela, o País está ainda a caminhar “no sentido da adesão e inovação no mercado a fim de facilitar a vida do cidadão e a integração de meios de pagamentos”, portanto, reforça que o processo é imperioso, “por isso que transmitir o máximo de conhecimentos sobre a plataforma hoje é importante para quem disponibiliza o meio de pagamento digital, como para quem usa e tem o desejo de aprender o máximo sobre o uso seguro da mesma”.

Recentemente, o Governador do BNA afirmou que a cibersegurança é um tema de extrema importância.

“Vivemos num mundo cada vez mais digitalizado, e o cibercrime é o tipo de crime económico que mais tem crescido a nível internacional, com danos previstos custar à economia global 10,5 biliões USD anualmente até 2025, de acordo com a Interpol”, disse José de Lima Massano durante o discurso da Conferência sobre Integridade, Ética e Cibersegurança organizada pela EY Angola.

José Massano explicou que o número de utilizadores e dispositivos ligados à internet tem vindo a aumentar de forma significativa, impulsionado principalmente pelo uso generalizado de telefones em todo o mundo, justificando que o crescimento foi acelerado durante a pandemia da Covid-19, devido à transferência massiva de vários serviços e actividades para um modelo digital.

“Mais de 4,5 bilhões de pessoas no mundo estão “online” e por isso, mais da metade da população corre o risco de ser vítima de crimes cibernéticos a qualquer momento”, evidenciou.