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Mediação de Seguros contribui pouco nos prémios brutos

A quantidade de prémios emitidos por meio da mediação de seguros representou pouco no total de prémios brutos emitidos em 2021.

Luanda /
31 Out 2022 / 09:06 H.

As receitas obtidas por meio da mediação de seguros (21,5 mil milhões kz) representam 8% do total de prémios brutos emitidos no ano de 2021 (277,8 mil milhões kz), calculou o Mercado com base nos dados do relatório recentemente publicado pela Agência Angolana de Regulação e Supervisão de Seguros (ARSEG).

Os dados referentes à mediação de seguros em 2021 indicam que o ramo vida representou 97% dos prémios emitidos (20,9 mil milhões kz), enquanto o não vida 3% (554,5 milhões Kz).

Quanto ao número de apólices subscritas, a mediação contribuiu com 7 813, deste número 99,5% (7 775) representa o ramo não vida, ao passo que o ramo vida teve um peso de 0,5% (38); o regulador (ARSEG) reconhece a pouca exploração deste segmento de seguro no País, apesar da importância na vida do segurado.

Ainda sobre o número de apólices subscritas, o ramo de automóveis (2 368) e diversos (2 288) destacam-se como aqueles que mais subscreveram, impulsionado pelo Seguro Obrigatório de Responsabilidade Civil e Automóvel.

Os prémios de resseguro, cedidos por meio da mediação (20,7 mil milhões Kz), representam 22% do total (96,1 mil milhões Kz). O ramo diverso teve um peso de 48% do global; petroquímica 11% e responsabilidade civil geral 1%.

A mediação de seguro também se repercutiu nas comissões de resseguro, gerando 693,5 milhões Kz. O ramo diverso teve um peso de 57%, acidentes 17% e doenças 10%.

Para o presidente da Câmara dos Profissionais de Seguros e Fundos de Pensões (CAPSA), Gerson Silva, a quantidade de prémios emitidos por meio da mediação de seguros representou pouco no total de prémios brutos emitidos em 2021.

A título de exemplo, Gerson Silva fez menção ao mercado português, onde a mediação representa cerca de 37% e os corretores cerca de 12%. “Todavia, tem havido um decréscimo, alicerçado à comercialização pelas sociedades financeiras bancassurance”.

“É um valor ínfimo quando comparado ao número de mediadores e corretores licenciados pelo regulador e a operar no mercado”, acrescentou.

Uma das causas para o resultado pouco animador da mediação em Angola, como se pôde depreender dos argumentos do presidente da CAPSA, é a penetração de seguros que está a menos de 1%. Mas, disse que a instituição que dirige trabalha para, no prazo de cinco anos, ter 8% a 10% de toda a matéria segurável no País devidamente protegida.

O Que deve melhorar

Para Gerson Silva, é necessário a existência de uma boa organização dos profissionais da mediação de seguro, a fim de se criar mecanismos que possibilitem maior taxa de crescimento e alcance de literacia.

Também disse ser preciso focar a demografia nas soluções micro e aprimorar os conhecimentos do sector da mediação de seguro para melhorar, esclarecer e elucidar possíveis compradores.

Mediador de seguro

O relatório refere também que no ano de 2021 a ARSEG deu continuidade ao processo de actualização da base de dados para aferir o total de mediadores em actividade.

Até ao final de 2021, existiam mil e 351 mediadores singulares, contra mil e 136 registados em 2020. No ano passado, os mediadores colectivos contavam-se 99 e no anterior aquele 94. Houve um crescimento de 19% no primeiro grupo e 5% no segundo.

Os agentes singulares representam a maior parte dos mediadores de seguro no País (93%).

Quanto à remuneração da mediação de seguros, as comissões no ano passado cifraram-se em 13,2 mil milhões kz, registando assim uma evolução na ordem dos 362%, se comparado ao valor de 2020.

O presidente da CAPSA defende a ‘descentralização’ dos mediadores de seguros, pois (quase) todas as sociedades de mediação de seguro registados na ARSEG estão sediadas em Luanda. “Existe apenas uma localizada em Benguela”. Apesar de estarem concentradas na capital, também exercem mediação noutras províncias do País.