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Macau em recessão de 2% deve crescer 3% em 2020, antevê Moody’s

“Esperamos que o PIB real de Macau se contraia em 2% em 2019, recuperando para um crescimento de 3% em 2020, já que o efeito negativo da redução do investimento público se irá desvanecer no próximo ano”, escrevem os analistas.

China /
22 Nov 2019 / 10:28 H.

A agência de notação financeira Moody’s prevê uma recessão de 2% este ano em Macau, alertando que o risco de o abrandamento económico previsto na China pode levar a uma diminuição do número de turistas.

“Esperamos que o PIB real de Macau se contraia em 2% em 2019, recuperando para um crescimento de 3% em 2020, já que o efeito negativo da redução do investimento público se irá desvanecer no próximo ano”, escrevem os analistas da Moody’s numa referência a 2020.

Numa nota enviada aos clientes, e a que a Lusa teve acesso, a Moody’s aponta que “os riscos desta previsão são negativos, já que os turistas da China representam cerca de dois terços de todas as chegadas de visitantes, e um abrandamento no crescimento económico da China para além das nossas estimativas vai influenciar o número de turistas e as receitas do jogo e exportações de serviços, no geral”.

Na primeira metade deste ano a economia de Macau enfrentou uma recessão de 2,5%, que se seguiu a um crescimento de 2% nos primeiros seis meses de 2018 face ao período homólogo, devido “à redução do investimento público e privado e à descida das receitas do jogo VIP, motivados pela redução do crescimento da economia chinesa”.

A conclusão da ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau levou a uma queda abrupta dos níveis de investimento, “e os operadores de jogo parecem estar a cortar nos investimentos já que as licenças expiram em 2022”, acrescenta a Moody’s.

Apesar disto, as exportações de serviços e o consumo privado continuaram a expandir-se e a chegada de turistas manteve-se robusta, “apesar dos protestos em Hong Kong, possivelmente porque a ponte liga directamente o aeroporto de Hong Kong a Macau, permitindo aos visitantes da China chegarem directamente a Macau através de Zhuhai”.

Na análise à economia de Macau, a Moody’s, que atribui uma nota de A3 com Perspectiva de Evolução Estável, diz que perfil de crédito do território é sustentado pela ausência de dívida pública e por grandes almofadas fiscais que dão a esta região uma “significativa capacidade” de contrariar choques futuros.

“Sendo uma economia pequena e concentrada, o crescimento do PIB de Macau permance volátil”, mas os analistas notam, ainda assim, que “havendo mais progressos na diversificação para actividades não relacionadas com o jogo isso vai, com o tempo, sustentar um crescimento do PIB mais estável”.

A indústria do jogo é responsável por mais de 80% das receitas do Governo de Macau, que deverá terminar o ano com um excedente orçamental de 12,5%, e com reservas suficientes para sustentar sete anos de despesa pública.

O novo chefe do Governo, Ho Iat Seng, deverá “manter as principais opções políticas e continuar a focar-se na diversificação económica a longo prazo, para além do jogo VIP, promovendo o jogo de massas e o turismo não relacionado com esta actividade”, concluem os analistas.

A Agência Lusa publica até 20 de Dezembro uma série de notícias que assinalam os 20 anos da transferência de administração do território entre Portugal e a China.