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Económico, Atlantico e Caixa Geral Angola financiaram BIOCOM com garantia soberana

A matriz do projecto BIOCOM previa que em 2016 a unidade industrial geraria cash-flow suficiente para libertar meios para investir na ampliação da capacidade de produção e comercialização de açúcar, etanol e electricidade a partir da biomassa.

23 Ago 2019 / 12:12 H.

O investimento na Companhia de Bioenergia de Angola (BIOCOM) atingiu os 1000 milhões USD financiados por dois sindicados bancários. O primeiro financiamento, na ordem dos 750 milhões USD foi concedido pelo sindicato bancário integrado pelos bancos BFA, BAI e Banco Económico e teve a garantia dos sócios. Os sócios são a Sonangol(20%), Grupo Cochan (40%) e a brasileira Odebrecht (40%).

O segundo financiamento, na ordem dos 210 milhões USD foi concedido em 2015 pelos bancos Económico, Atlantico e Caixa Geral Angola e este, sim, teve garantia soberana, de acordo com o director-geral da BIOCOM, Luís Bagorro Júnior. O Decreto Presidencial 193/15 que concede a garantia soberana sobre 100% do financiamento foi publicado a 6 de Outubro de 2015.

O Mercado sabe que ainda recentemente, em Junho, a BIOCOM recebeu mais um crédito em torno dos 90 milhões USD.

Sobre os anteriores financiamentos, Luís Bagorro Júnior diz que a empresa negociou um contrato com taxas de juro entre 10% a 12% mas o contexto económico, que provocou a desvalorização da moeda, obrigando a subida dos juros para 23% colocou a unidade industrial em situação de default com os bancos. “Agora eu pergunto, qual é o projecto agrícola que consegue suportar essa taxa de juros e honrar de forma regular? Hoje, o Estado definiu a taxa de 7,5% no âmbito do Programa de Apoio ao Crédito, portanto, é sobre esta base que estamos agora a negociar”, questiona Luís Bagorro Júnior.

A matriz do projecto BIOCOM previa que em 2016 a unidade industrial geraria cash-flow suficiente para libertar meios para investir na ampliação da capacidade de produção e comercialização de açúcar, etanol e electricidade a partir da biomassa. Previa-se que naquela altura estaria a 30% da capacidade, em 2018 a 70% e este ano estaria a 100% da capacidade atingindo, assim a maturidade. Entretanto, segundo o director-geral adjunto da empresa, Luís Bagorro Júnior, numa conferência de imprensa em Cacuso, a unidade indústria está a operar a 40% da sua capacidade instalada.

Recorde-se que a Unidade de Recuperação de Activos do Estado da PGR informou no mês passado que a Biocom, criada com o objectivo de promover o desenvolvimento dos sectores da agricultura e indústria, recorreu a um empréstimo com garantia soberana ao Sindicato Bancário, constituído por dois Bancos nacionais, no valor em Kwanza equivalente a 210 milhões USD.

No entanto, existindo um passivo por regularizar por parte desta empresa, e tendo em conta a garantia soberana emitida, o Estado irá despoletar todos os mecanismos para evitar o accionamento da referida garantia, que poderá passar pela recuperação da propriedade da referida empresa. Dito de outro modo, a Biocom, constituída com 20% do capital da Sonangol, 40% do capital do grupo COCHAN e 40% do capital da Odebrecht Angola Projectos e Serviços Lda, pode passar a 100% para o Estado.

O Mercado solicitou esclarecimentos aos três bancos para compreender com quanto é que cada desembolsou, quanto a BIOCOM já pagou e qual é o período de maturidade do crédito, não obtivemos respostas até à conclusão da peça.