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Co-sourcing: uma opção de reforço da Função de Auditoria Interna

Os Advisory Services da Ernst & Young (EY) Ângela Barros e Rui Vicente abordam sobre a alternativa para reforçar a função de auditoria interna.

01 Jun 2020 / 13:29 H.

Por: Ângela Barros, Associate Partner EY, Advisory Services e Rui Vicente, Senior EY, Advisory Services

A actual pandemia (Covid-19) trouxe um elevado grau de incerteza ao comportamento dos agentes económicos e ao sector financeiro, com um impacto social e económico alargado a nível internacional.

Inicialmente, colocou os planos de contingência e de continuidade de negócio à prova, com os modelos operacionais a serem adaptados, acelerando a transformação digital e a flexibilização da força de trabalho. Numa segunda instância, conduziu à necessidade de avaliar impactos no negócio e definir estratégias de mitigação dos riscos decorrentes (p.e. aumento do incumprimento e riscos operacionais, maior exposição a ataques de informáticos).

Este ambiente singular afectou a Função de Auditoria Interna (FAI), na condução de actividades de revisão de adequabilidade do ambiente de controlo interno e verificação de conformidade com as regras internas e o contexto regulamentar.

A adopção de medidas de resposta à actual pandemia (p.e. regras de funcionamento interno, comunicação com clientes, aplicação de moratórias, entre outras), implicou igualmente uma elevada agilidade na revisão de processos e controlos instituídos, na adopção de novos mecanismos de comunicação, partilha de informação, bem como no calendário de exercícios de reporte regulamentar e consequente ajuste dos planos de auditoria.

Torna-se por isso cada vez mais relevante olhar para o actual modelo operacional da FAI e projectar o seu futuro, compreendendo a extensão e impacto da sua actividade, avaliando a adequação dos recursos tecnológicos e gestão de talento, enquanto vectores cruciais para salvaguarda dos principais objectivos definidos no seu mandato (assurance, business insights, aconselhamento estratégico e visão dos riscos).

Gradualmente as instituições passaram a considerar o co-sourcing como uma opção para incorporar recursos com um leque diversificado de competências e experiências, facilitar a disseminação de conhecimento e melhores práticas de mercado, colmatar eventuais lacunas de recursos humanos disponíveis na FAI, acelerar a resposta a “picos de actividade” ou na capacidade de emitir uma opinião independente e crítica em áreas tecnicamente complexas e/ou de forte especialização (p.e. IFRS 9, ICAAP, AML, segurança de informação, digitalização, automatização, resiliência do negócio, alterações climáticas e sustentabilidade).

Alguns dos principais benefícios são o acesso a especialistas e facilitadores na execução das missões de auditoria interna, a redução do tempo de execução das actividades, partilha de insights relacionados com as tendências e práticas de referência, alinhamento com as práticas internacionais do Institute of Internal Auditors (IIA) e exigências regulamentares (p.e. BdP, EBA, IASB), elevando assim a qualidade do output final e da FAI.

Considerando o momento actual de elevada incerteza, o co-sourcing pode contribuir com inputs na avaliação dos principais riscos que a instituição enfrenta (entre os quais o estratégico, reputacional, cybersecurity, compliance, crédito e liquidez e fiscalidade), de novas formas de entrega (interactivas, dinâmicas e flexíveis), e na comunicação com a gestão e o Comité de Auditoria, contribuindo para uma FAI mais robusta durante e após a pandemia.