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CGD reduziu em 7,9 mil milhões o malparado desde a recapitalização

Este é o último ano do Plano Estratégico e a CGD vai ter de prestar contas a Bruxelas. A actuação sobre o malparado permitiu à reduzir 7,9 mil milhões de euros de NPL (-75%) desde dezembro de 2016, altura em que o rácio era de 15,8% e o volume de 10,6 mil milhões de euros. Paulo Macedo, nas contas de 2019, piscou os olhos às agências de rating.

04 Fev 2020 / 06:57 H.

Caixa Geral de Depósitos entra em 2020 – ano em que irá prestar contas definitivas a Bruxelas do Plano Estratégico assumido em 2016 – com um rácio de Non-Performing Loans (NPL) de 4,7%. Se olharmos apenas para o crédito vencido a mais de 90 dias, o rácio é de 2,8%. A melhoria da qualidade da carteira de crédito é assim a pedra de toque de Paulo Macedo.

O CEO do banco vai ter de prestar contas com a DGComp (Direção Geral de Concorência europeia) no final deste ano, depois da CGD ter sido recapitalizada (em 2017) num processo que foi autorizado por Bruxelas no ano , com quase 5.000 milhões de euros, dos quais 2.500 milhões de euros de injecção directa do Estado. Nessa altura o banco público tinha 1.672 milhões de euros em imparidades e 1.910 milhões de euros em outras perdas, de uma exposição total de 2.859 milhões de euros.

Só em grandes devedores com crédito malparado a CGD tinha em 2017, aquando da última recapitalização, 1.242 milhões de euros em imparidades e 1.334 milhões de euros em outras perdas geradas por 16 grandes devedores (que tinham créditos iniciais de 3.991 milhões), segundo a informação divulgada então pelo Banco de Portugal.

A actuação sobre os NPL permitiu à CGD reduzir 7,9 mil milhões de euros de crédito malparado (-75%) desde dezembro de 2016, altura em que o rácio era de 15,8% e o volume de NPL era de 10,6 mil milhões de euros.

O banco tinha em dezembro de 2019 um stock de crédito malparado de 2,7 mil milhões o que representava 4,7% do total da carteira, portanto abaixo da meta que a EBA (autoridade bancária europeia) exige e que é de 5%, e bastante abaixo da média da banca em Portugal, que está nos 8,3%. No entanto este rácio ainda está muito acima da média da União Europeia que é de 2,9%.

O rácio de Non-Perfoming Loans (NPL) líquido de imparidades está já em apenas 1,1%. O rácio de NPE (non-performing exposure) que inclui outras coisas como crédito em risco, e garantias prestadas, está em 3,9%.

O banco revelou ainda que em 2019 a cobertura dos NPL com imparidades está nos 77,4% e a dos NPE nos 71,9%, sem contar com os colaterais inerentes aos créditos.

Em 2019, a explicar esta melhoria do malparado estão as curas (700 milhões de euros ), ou seja crédito que deixa de estar em NPL e passa a crédito performante; há 600 milhões em recuperações de crédito; 600 milhões em vendas de carteiras de NPL (entre 2017 e 2018 tinham sido de 2 mil milhões); e 600 milhões de euros foi abatido ao activo (write-off) por ser incobrável.

As vendas de carteiras de NPL em 2019 foram responsáveis em parte pela queda de 7,9% da carteira de crédito, mas o maior impacto deve-se ao reembolso de empréstimos de empresas do sector público (2,5 mil milhões de euros, dos quais 2,1 mil milhões foram reembolsos antecipados). Os depósitos subiram 4,9%. O rácio de transformação dos depósitos em crédito está em 73%.

O reembolso de 2 mil milhões de euros do crédito de entidades publicas também explica a queda do volume da receita em juros (a margem financeira caiu 4,3% no consolidado e 7,1% em Portugal).

O banco continua também a baixar o número de imóveis por recuperação de crédito detido para venda. Em 2019 tinha 560 milhões de euros de imóveis detidos para venda (menos 206 milhões do que em 2018) e um particular impulso com a venda do Centro Comercial Nova Arcada no último trimestre do ano. A cobertura por imparidades reforçou-se para 47%.

No que toda a Propriedades de Investimento (que inclui fundos de investimento imobiliário e imóveis que não resultam da recuperação de crédito) houve uma queda de 77% para 186 milhões de euros (compara com 810 milhões em 2018) e que advém sobretudo da redução da posição da CGD em fundos de investimento imobiliário. Ao nível da exposição a fundos de reestruturação a Caixa baixou 14% para 549 milhões.

A CGD está determinada a atingir da rating de Investment Grade em 2020 e espera que as agências reconheçam a melhoria da actividade do banco que entra agora no seu último ano do Plano Estratégico assinado com a Direcção Geral da Concorrência europeia.

A CGD quer reembolsar o Estado com dividendos, mas também quer livrar-se da emissão de 500 milhões de euros dívida subordinada do AT1 [emissão de ‘additional tier 1’] que a Caixa teve de contrair a uma taxa de 10,75%.

“Obviamente é uma prioridade para este banco pagar essa dívida que não tem nada a ver com os contribuintes, mas não deixou de ser parte da capitalização. Até o Estado tem interesse em que a Caixa o faça”, disse o CEO na apresentação de contas anuais.

A opção de reembolso é a cinco anos. Portanto “se a Caixa tiver, dentro de dois anos, as condições que tem hoje, seria totalmente reembolsado“, afirmou Paulo Macedo.

Em 2022 a CGD vai reembolsar essa dívida depois de devidamente autorizada pelo BCE, o que poderá ser linear (e assim seria usado dinheiro em caixa) ou através de uma exigência de uma emissão idêntica a juros mais baixos (sujeita às condições de mercado).

O CEO do banco diz que em dois anos vai devolver, em dividendos, ao Estado 500 milhões de euros dos 2.500 milhões que foram postos, em dinheiro, na Caixa em 2017.