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Bolsas: 2019 foi bom, 2020 pode ser mais volátil

O ano que agora está quase a terminar rendeu bom dinheiro aos investidores das principais praças mundiais, com muitos índices a valorizarem ainda mais do que em 2018, após ganhos mis moderados em 2017. O desenlace da tensão comercial EUA-China, a resolução do Brexit e a evolução do preço do petróleo vão ser as principais variáveis a ter em conta em 2020, mas há um elemento adicional que pode mudar o ‘jogo’: as eleições presidenciais de Novembro do próximo ano nos EUA, sobretudo se vencer o candidato Democrata.

02 Dez 2019 / 10:26 H.

Os investidores das principais bolsas mundiais têm razões para festejar 2019, a um mês do seu final, com os índices a registarem ganhos superiores aos de 2018 e 2017. Num ano marcado por um abrandamento económico mundial para o nível mais baixo desde a última crise financeira, há cerca de 10 anos, as bolsas foram um bom refúgio para os investidores, com ganhos de dois dígitos quer nas chamadas praças ‘convencionais’, quer no caso dos índices tecnológicos. Wall Street foi o mercado com os maiores ganhos, de uma forma geral, com o Nasdaq a valorizar cerca de 33 %, até esta quarta-feira, 27 de Novembro, após valorizações de 22,1% e 27,5% em 2018 e 2017, respectivamente. O índice, criado em 1971, recorde-se, é aquele que actualmente integra mais cotadas, num total de 3.417. Em alta face aos dois últimos anos ) estiveram também os restantes índices da bolsa de Nova Iorque, como o Dow Jones Industrial (20,55%), que tem apenas 30 empresas cotadas, o S&P 500 e o NYSE Composite, que tem a maior capitalização bolsista do mundo (28,7 biliões USD), com as suas 1.910 cotadas. Ainda no continente americano, no Brasil, o principal índice da bolsa de São Paulo, o Ibovespa, com 65 cotadas, ganha perto de 22% desde Janeiro, em linha com 2018, mas bem abaixo – metade – da valorização de 2017, na era pré-Bolsonaro.

Nas praças europeias, o DAX alemão, com as suas três dezenas de empresas cotadas, é o campeão dos ganhos até agora, com 16%, que compara com os 17,6% de 2019 e os parcos 2,35% de 2017. Destaque ainda para as valorizações dos índices francês, o CAC (25,67%), suíço (SMI, 25%), e Euro Stoxx 50, que avançava perto de 24% até esta quarta-feira. Também com crescimentos de dois dígitos, referência para o londrino FSTE 100. Por fim, com yields igualmente interessantes, mas abaixo de dois dígitos, vem a bolsa portuguesa, com o PSI 20 (na verdade, actualmente apenas com 18 cotadas) a ganhar 9,3% (mais de três pontos percentuais acima de 2018) e o espanhol IBEX 35, um ‘cabaz’ de acções que estava a valer mais 9,76% do que no início do ano, Gigante chinês continua a mostrar ‘garras’ Na Ásia, os crescimentos foram um pouco mais modestos, de uma forma genérica, mas, ainda assim, quem meteu dinheiro na bolsa, ganhou dinheiro e não foi pouco– pelo menos, em termos médios, dado que os ganhos de uns, são, como se sabe, as perdas de outros. O destaque vai para CSI 300 chinês, um índice criado em 2004, que ganhava perto de 29%, mais animado ainda do que em 2018, quando avançou 23,5%, após as perdas de 2017 (-4,23%). Também na China, destaque para a praça de Xangai, cujo principal índice, o Shangai All Share, criado em 1990 e que conta hoje com 1.489 empresas, registou ganhos de 16,5%, e para o Hang Seng, de Hong Kong, que, apesar da instabilidade política do território, está com ganhos superiores a 6% desde Janeiro, um desempenho melhor do que o de 2018. África mista Menos animadas estiveram as praças africanas. A que teve maiores ganhos – e única com valorizações de dois dígitos - foi a ‘velha’ bolsa do Quénia.

O Nairobi SE All Share, criado nos idos de 1954, e que tem 65 empresas cotadas, avançou 10,71%, mais do que a principal praça do continente, a África do Sul. O FTSE/JSE All Share, um dos mais antigos de África, ‘nascido’ em 1887, actualmente com 388 cotadas, acumulava ganhos, até ao passado dia 27, de 6,78% face a Janeiro, um desempenho pior do que o do ano passado. No resto do continente, destaque pela positiva para a bolsa mais antiga, a do Egipto, cujo principal índice, de 1883, o EGX 30, ganhou 5,85%, em linha com os 5,9% do USE All Share Index, do Uganda, que existe desde 1997 e que conta hoje com 18 empresas cotadas. De resto, em África, apesar de mais uma ou outra excepção, as praças estão no ‘vermelho’, destacando-se as perdas de 18,8% na bolsa da Zâmbia, 18,3% na Costa do Marfim, 14,5% na Nigéria e 14,3% no Gana. Tiago Dionísio, economista-chefe da Eaglestone Securities, faz um balanço positivo do desempenho das bolsas em 2019, um ano marcado por várias tensões e incertezas que, ainda assim, não termina mal para os investidores. Em causa, elenca, estiveram neste ano temas como as tensões comerciais entre os EUA e a China “que também afectaram outros países”, o mercado de trabalho “permaneceu robusto nas principais economias, ajudando o consumo privado”, e o investimento e o comércio internacional abrandaram devido às tensões comerciais que penalizaram a confiança das empresas.