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Banca com prejuízos de 177,7 mil milhões Kz com o BPC e lucros de 358,2 mil milhões sem

Prejuízos recorde de 535,9 mil milhões Kz do banco estatal empurraram sector para o vermelho no último exercício. Económico, Atlântico, Standard Chartered e VTB África ainda não divulgaram balancetes violando aviso do BNA que obriga à publicação da peça contabilística até 45 dias depois do fecho de cada trimestre.

Luanda /
29 Mar 2021 / 12:37 H.

Os 21 bancos comerciais do sistema bancário angolano que publicaran balancetes do IV trimestre registaram prejuízos de 177,7 mil milhões Kz em 2020, de acordo com cálculos do Mercado.

Quatro dos 25 das instituições bancárias autorizados a operar no sistema financeiro nacional ainda não publicaram balancetes referentes ao último trimestre do ano passado: Económico (BE), Millennium Atlântico (BMA), Standard Chartered Angola (SCBA) e VTB África (VTB).

A culpa dos prejuízos deve ser totalmente assacada ao BPC que, com as suas perdas de 535,9 mil milhões Kz, as maiores da história empresarial angolana, empurrou o sector para o vermelho. Excluindo banco estatal, os 20 bancos que apresentaram balancetes lucraram 358,2 mil milhões Kz.

Os prejuízos de 177,7 mil milhões Kz dos 21 bancos em 2020 comparam com lucros de 83,4 mil milhões Kz em 2019. Excluindo o BPC, os resultados dos 20 bancos desceram 26,6% de 488,2 em 2019 para 358,2 mil milhões Kz em 2020.

Os bancos de Fomento Angola (BFA) com lucros de 89,8 mil milhões Kz, de Desenvolvimento de Angola (BDA) com 77, 7 mil milhões, Standard Angola (SBA) com 36, 1 mil milhões, Angolano de Investimentos (BAI) com 32 mil milhões e BIC com 21,3 mil milhões, compõem o “top 5” dos lucros.

A sucursal do Banco da China em Luanda (BOCLB), com lucros de 433,7 milhões Kz foi o banco que registou menor lucro no ano passado, depois de uma sucessão de prejuízos registados desde 2017, ano em que começou a operar em Angola.

O BNI liderou o crescimento dos lucros, saindo de 2,5 mil milhões Kz em 2019 para 5,7 mil milhões em 2020, um aumento de 129%. No extremo oposto está o BAI que registou a maior queda de resultados, com os lucros a afundarem 72%, caindo de 118 mil milhões Kz em 2019 para 32,6 mil milhões, em 2020.

No respeita aos activos, os 21 bancos somaram 15,1 biliões Kz, em 2020, face aos 12,5 biliões apurados em 2019, o que representa um aumento de 21%. O BAI, BFA e BPC continuam a liderar ranking dos activos com registos de 3,1 biliões Kz, 2,9 biliões e 2,5 biliões, respectivamente. Em termos de rubricas do activo, destaque para os títulos públicos que cresceram 41%, os bancos somaram cerca de seis biliões Kz, contra os 4,2 milhões conferidos em 2019.

O BAI vai na frente como o banco que mais investiu em títulos públicos com cerca de 1,3 biliões kz, enquanto o BMF, controlado pelo BAI, foi o que menos investiu com um milhão Kz.

Quanto ao crédito concedido, a carteira dos 21 bancos cresceu 10% em relação a 2019. O BIC continua a liderar a carteira de crédito concedido, ao encerrar o ano de 2020 com 662,8 mil milhões Kz, o que representa um aumento de 18% face aos 561,0 contabilizados em 2019. BAI e o BFA completam o pódio. O Atlântico que em 2019 estava no pódio juntamente com o BIC e o BAI ainda não apresentou o balancete do IV trimestre de 2020.

Contas atrasadas

De acordo com o aviso nº5/2019 do BNA, os bancos “devem elaborar balancetes em base individual e consolidada” e “publicar até 45 dias após término do trimestre”.

Entretanto, os bancos deveriam ter publicado os seus relatórios do quarto trimestre de 2020 até dia 14 de Fevereiro de 2021.

“Os balancetes trimestrais em base individual e em base consolidada, caso aplicável, devem ser publicados no seu sítio da internet, ou, alternativamente, em boletim de informação e divulgação de entidade de classe, sem restrições de acesso e gratuitamente, ou em jornal de grande circulação”, explica o aviso do BNA.

O Banco Económico lidera a lista dos incumpridores, desde o quarto trimestre de 2019 que não divulga os balancetes e desde 2018 que não divulga os relatórios e contas.

O Mercado questionou os bancos sobre o atraso. O Millennium Atlântico garantiu que ainda esta semana iria disponibilizar o documento, já o Económico, o SCBA e o VTB não responderam até ao fecho desta edição.

Toninho Van-Dúnem passa a maior acionista do Económico com 25%

O Banco Nacional de Angola (BNA) impôs aos 10 maiores depositantes do Banco Económico a troca de 35% dos depósitos por acções na futura estrutura accionista do banco no âmbito do resgate do banco que sucedeu ao antigo BESA. Os depositantes vão tornar-se accionistas através da subscrição de um aumento de capital.

“Os maiores depositantes não queriam mas não tiveram liberdade de escolha”, garantiu ao Expansão uma fonte conhecedora do processo”.

Depois do aumento de capital, o maior acionista do Económico será “Toninho” Van Dúnem com 25% explicou a fonte sem precisar se a percentagem inclui a participação indirecta que o antigo Secretário do Conselho de Ministros já detém na instituição através da Geni. Esta empresa, que conta com o general Leopoldino Fragoso do Nascimento “Dino” na estrutura acionista, controla actualmente 20% do Económico.

A Sonangol que se tornou accionista maioritário, com cerca de 70%, depois de ter recebido a participação de 31% da Lektron do ex-Vice-Presidente Manuel Vicente e do General Kopelipa, deverá reduzir a sua posição para 19%, enquanto os portugueses do Novo Banco passarão a deter menos de 3%, contra os actuais 10%.

“A grande questão é como o BNA vai anunciar ao público que alguns dos chamados “marimbondos” são os novos accionistas do Económico”, previu a fonte do Mercado.