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BAI Europa lidera ganhos em Portugal, BNI Europa soma perdas

Braço armado do BAI em Lisboa deverá fechar o ano com os lucros novamente em alta face a 2018. Atlântico Europa deverá ganhar menos neste ano e BNI mantémse no vermelho. Chineses entram nos bancos de Carlos Silva e Mário Palhares em Portugal.

Luanda /
06 Dez 2019 / 15:16 H.

O BAI Europa foi o banco de origem angolana no exterior que mais dinheiro ganhou nos primeiros nove meses deste ano, 3,5 milhões EUR, cerca do dobro dos lucros do Atlântico Europa, igualmente baseado em Lisboa, Portugal. A instituição, controlada pela holding Atlantico Financial Group, ligada ao banqueiro Carlos Silva, que até Dezembro do ano passado era presidente do seu conselho de administração, ganhou pouco mais de 1,7 milhões de euros de Janeiro a Dezembro, após lucros de 7,1 milhões EUR em 2017. De novo em perda está o BNI Europa, com as contas negativas em 3,9 milhões EUR (ver tabelas e gráficos nestas páginas) de Janeiro a Setembro, após um prejuízo histórico de 6,5 milhões EUR em 2018. O banco, controlado pela casa-mãe em Angola, o BNI, de Carlos Palhares, foi fundado em 2012, mas só iniciou operações em 2014.

E, desde o início, sempre deu prejuízos, excepto em 2017, quando conseguiu ter lucros pela única vez. A maioria da participação angolana – cerca de 80% - deverá estar prestes a passar para as mãos de um investidor de Hong Kong, na China, o King Way Group (KWG), de acordo com o South China Morning Post, após a ‘luz verde’ dos reguladores para a operação. No ano passado, recorde-se, o braço armado do BNI para a Europa, um banco que tem apostado fortemente em plataformas tecnológicas e em parcerias com fintechs, anunciou estarem em curso negociações com vista à entrada de um novo accionista. No início deste mês, a imprensa portuguesa também deu conta do negócio que, entretanto, não foi ainda conformado oficialmente pelo banco como estando fechado. Fontes conhecedoras do processo explicam que a venda se baseia na necessidade de entrada de capitas para reforçar os rácios do banco e avançar com o plano estratégico, sendo que o accionista angolano não terá, para já, interesse ou capacidade para suportar o ‘fardo’. O auditor do Relatório e Contas de 2018, a KPMG, deu mesmo conta, no seu parecer às contas, da necessidade “fundamental” de um reforço de capital este ano. No terceiro trimestre, o capital do banco foi reforçado em pouco mais de 8 milhões EUR, para 42,5 milhões, mas, segundo o Expresso, as necessidades – não confirmada oficialmente – ascendem a 15 milhões EUR.

No final do ano passado, fruto do aumento das imparidades, o rácio de solvabilidade do BNI Europa recuou para 11,8%, face a 13% em 2017, o que faz deste o banco de origem angolana com piores rácios em Lisboa: o Atlântico Europa tem 18,8%, mais um ponto percentual face a 2017, e o BAI Europa, 18% Também a posição – ou a maioria dela – do Atlantico Financial Group estará à venda, de acordo com o jornal português Económico, e igualmente a um grupo chinês. A notícia não foi confirmada pelo banco, nem desmentida, mas, ao que o Mercado apurou, a concretizar-se, o negócio será baseado mais numa boa oportunidade, do que em necessidades de financiamento. A entrada de capitais chineses nestes bancos – cujo modelo de negócio assenta muito em operações com empresas com interesses em ambos os países e em operações de banca correspondente com as respectivas casas-mãe e outros bancos angolanos – não surpreende os analistas. A China tem vindo a reforçar posições no sector financeiro em Portugal, entrando no capital de bancos e seguradoras, estando ainda em empresas estratégicas, como a EDP ou a REN, por exemplo. A tomada de posições em bancos com origem em Angola assenta que nem uma luva nos interesses chineses, tendo também em conta o crescente negócio bilateral entre Pequim e Angola, e as relações históricas em Luanda e Lisboa. O triângulo Angola-Portugal-China oferece boas oportunidades, dizem analistas, e a entrada em Portugal é também uma forma de os chineses ganharem espaço num sector onde a maior parte dos países europeus lhes fecha as portas: o financeiro.