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Angola e Nigéria podem perder 65 mil milhões de USD

Os maiores produtores de petróleo da África Subsariana, Angola e Nigéria, podem perder 65 mil milhões em receita este ano devido ao impacto da pandemia da COVID-19 de acordo o estudo da União Africana (AU).

07 Abr 2020 / 12:16 H.

Os produtores de petróleo de África que viram o valor das exportações de petróleo cair nas últimas semanas, estarão entre os mais atingidos, indica o estudo da União Africana (UA) divulgado ontem.

Os maiores produtores de petróleo da África Subsariana, Angola e Nigéria, ambos podem perder 65 mil milhões em receita este ano devido ao impacto da COVID-19.

O estudo observa que os exportadores africanos de petróleo deverão ver os défices orçamentais a dobrar este ano, enquanto as respectivas economias encolherão em média 3%.

O relatório estima que cerca 20 milhões de empregos também estão em risco na África, pois as economias do continente devem diminuir este ano devido ao impacto da pandemia, realça o estudo.

Antes do início da pandemia, o crescimento do produto interno bruto (PIB) em todo o continente tinha sido projectado pelo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) foi de 3,4% este ano.

Contudo, os dois os cenários modelados pelo estudo da UA, intitulado "Impacto do coronavírus nas economias africanas", o PIB reduzira.

De acordo com o que os pesquisadores da UA consideraram cenário realista, a economia da África encolherá 0,8%, enquanto o cenário pessimista diz que haverá uma queda de 1,1%.

Até 15% do investimento estrangeiro directo pode desaparecer e o impacto no emprego será dramático.

"Quase 20 milhões de empregos, tanto no sector formal, como no informal, estão ameaçados de destruição, se a situação continuar", revela o relatório. Também informa que os governos africanos podem perder de 20 a 30% da receita fiscal, estimada em 500 mil milhões 2019. constata-se no documento.

Enquanto isso, projecta-se que as exportações e importações caiam pelo menos 35% em relação aos níveis de 2019, resultando em uma perda no valor do comércio de cerca de 270 mil milhões USD.

O relatório afirma ainda que a luta contra a disseminação do vírus levará a um aumento no gasto público de pelo menos 130 mil milhões USD.

Por outro lado, os países onde o turismo constitui uma grande parte do PIB verão as economias contrairem em média de 3,3% este ano. No entanto, os principais pontos turísticos da África, Seychelles, Cabo Verde, Maurício e Gâmbia encolherão pelo menos 7%.

"No cenário médio, o sector de turismo e viagens em África pode perder pelo menos 50 mil milhões devido à pandemia da COVID-19 e pelo menos 2 milhões de empregos directos e indirectos", afirmou o estudo da maior organização africana,

As remessas de africanos que vivem no exterior, o maior fluxo financeiro do continente na última década, dificilmente amortecerão o golpe.

"Com a actividade económica em crise, em muitos países avançados e emergentes, as remessas para a África podem sofrer declínios significativos", acrescentou a análise.