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Abanca interessado no Eurobic. Mas exige controlar 75% do capital

O grupo espanhol Abanca quer crescer e continua interessado em fazer mais compras, assumindo o interesse no EuroBic

Luanda /
09 Fev 2020 / 23:19 H.

O grupo espanhol Abanca, que reforçou a presença em Portugal com a compra da rede de particulares do Deutsche Bank, abre a porta a voltar às compras cá. O presidente do banco, Juan Carlos Escotet, não esconde que vai analisar e participar no processo de venda do EuroBic, banco do qual Isabel dos Santos decidiu sair da estrutura accionista e que o banqueiro visitou também na semana passada. Mas, para entrar, tem de ter 75%.

“Portugal, claramente, está dentro da nossa prioridade estratégica. É um mercado especialmente atractivo”, afirmou Escotet, na conferência de imprensa de apresentação de resultados de 2019 do Abanca, em Santiago de Compostela, que teve lugar esta terça-feira, 4 de fevereiro.

“Temos dito que queremos continuar a apostar no crescimento não só orgânico, mas também inorgânico”, continuou, em resposta a questões dos jornalistas.

Havendo um processo competitivo, Juan Carlos Escotet adianta que vai “analisar”, mas sublinha que o Abanca não quer “crescer por crescer”. Tem de haver complementaridade com o actual negócio.

MÍNIMO DE 75%

Isabel dos Santos está a vender os seus 42,5% do capital do EuroBic, decisão que foi tornada pública depois das revelações do Luanda Leaks sobre a forma como obteve dinheiro para os seus negócios. O Abanca assume negociar essa aquisição.

Mas o Abanca, a comprar o EuroBic, não fica satisfeito com essa participação. Escotet esclareceu que precisa de ter uma posição de pelo menos 75% para assegurar o controlo.

Assim, Escotet assume que precisa de comprar também uma parte ou a totalidade da participação que Fernando Teles tem no banco, de 37,5%.

Há ainda outros accionistas, com uma posição conjunta de 20%.

“O que tem sido política do Abanca é que não participamos em nenhum tipo de fusão ou integração em que não tenhamos controlo”, esclareceu o “chairman” do banco.

ABANCA COM LUCROS DE 405 MILHÕES

O Abanca alcançou lucros de 405 milhões de euros em 2019, o ano em que fechou a compra do Deutsche Bank em Portugal e em que foi escolhido para ficar com o Banco Caixa Geral em Espanha.

Houve uma reorganização societária, com a “holding” a ser absorvida pelo banco, que obrigou a reescrever os números do ano anterior. Assim, os números de 2018 são reexpressos, para 380 milhões, subindo o lucro para 405 milhões, este ano.

O ano foi considerado muito bom pelo presidente da administração do Abanca, Juan Carlos Escotet, que frisou que “2019 foi muito marcado pelo enorme esforço para consolidar o processo de aquisição, tanto o Deutsche Bank em Portugal como o Caixa Geral em Espanha”.

O Abanca é um grupo criado a partir de caixas de poupança de Espanha, que passou por um período de nacionalização e que, na reprivatização, passou para as mãos de Escotet, que tem também o grupo venezuelano Banesco. O banco tem andado às compras: não só concluiu a compra da área de retalho do Deutsche Bank em Portugal como também foi o comprador seleccionado para ficar com o banco que a Caixa Geral de Depósitos tinha em Espanha, o Banco Caixa Geral, cuja integração deverá acontecer até março. Agora, é também o nome indicado para ficar com o EuroBic.

O grupo - que tem um volume de negócios de 85 mil milhões de euros após as compras dos bancos - pretende igualmente crescer na área seguradora, onde fechou um acordo com o Credit Agricole, que se estende também para o mercado português.

Em Portugal, o Abanca é também o dono da Sogevinus, que gere cinco marcas de vinhos do Porto: Cálem, Kopke, Burmester, Barros e Velhotes.