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Rokafric retorna ao mercado internacional com 70% da produção

Segundo Victor Teixeira, 70% da matéria extraída da Rokafric é para exportação, pois o País não reúne ainda todas as condições para transformar, apesar de já existirem empresas engajadas neste processo, que no seu entender são insuficientes.

Angola /
09 Mai 2022 / 11:07 H.

A Rokafric vai exportar 500 toneladas de seixos rolados para o Dubai (capital económica dos Emirados Árabes Unidos), até ao final deste ano, disse Victor Teixeira, encarregado-geral da empresa de extração e exploração de rochas ornamentais), em declarações ao Mercado.

Dois anos depois de paralisadas este processo, devido as dificuldades operacionais envolvendo técnicos e equipamentos, a empresa retorna ao mercado internacional para exportação das matérias extraídas.

Com um investimento na ordem dos sete milhões USD, localizada na serra da Lua, na província do Namibe, a empresa possui uma capacidade instalada de 10%, 1500 metros cúbicos mensais. A construção da Rokafric contou com o capital social estrangeiro da empresa Marfilp, sócia maioritária com 51% das acções.

Segundo Victor Teixeira, 70% da matéria extraída da Rokafric é para exportação, pois o País não reúne ainda todas as condições para transformar, apesar de já existirem empresas engajadas neste processo, que no seu entender são insuficientes.

“Angola ainda é um País virgem no processo de extração e transformação, todo material transformado localmente acaba por ser absorvido no mercado interno. O País deixou de importar produtos acabados ou já não importa quase nada”, frisou.

Entre os grandes mercados que absorvem a matéria-prima de rochas ornamentais destacam-se Portugal, Itália , Espanha, América do Sul e a Índia. Esses países transformam e fazem a distribuição para o mundo.

“Ao longo dos tempos percebemos que com as rochas ornamentais a empresa não seria rentável porque o nível de aproveitamento destas rochas é na ordem dos 5% e no seu auge poderá chegar a 10, 12% e nunca aos 15% de aproveitamento”.

Houve a necessidade de criar subprodutos, como Seixo rolado, o material que não serve para rochas ornamentais mas que serve para jardins e coberturas de novas arquiteturas.

Dificuldades

“Produzimos apenas 150 a 200 metros cúbicos o ano passado, porque estávamos com dificuldade de mandar vir material, incluindo máquinas, por outra, o custo de transporte é cerca de três vezes mais que do o custo da extracção”, frisou.

Um dos grandes problemas, segundo aquele encarregado, é a falta de apoio logístico, pois tudo tem que vir de fora e demora muito tempo para chegar. “Operacionalmente 2021 não foi um ano bom por falta de equipamentos”, lamentou o responsável.

De acordo com Victor, a questão cambial chega a ser constrangedora quando se trata de importar equipamentos em relação a exportação de matéria-prima.

“Quando se vende em dólares recebemos em dólares, quer dizer que a valorização ou desvalorização nunca nos afecta muito. Sentimos quando precisamos de comprar e não temos divisas para fazer pagamentos aos nossos fornecedores”, recordou.

Perspectivas

A empresa perspectiva estar cada vez melhor e mais forte, como também aumentar os níveis de produção por várias razões. “O branco é um material que escasseia no mundo e o nosso País não foge à regra, há pouco material branco para satisfazer os pedidos”, adiantou.

Em termos operacionais, a empresa está a fazer novos investimentos em máquinas provenientes de Portugal e da China.

“Estamos a aumentar os custos porque tem novos produtos que queremos fazer, no caso de subprodutos, como pó para os solos e para as tintas, já vendemos alguma coisa, mas ainda é muito rudimentar, pretendemos aperfeiçoar e reaproveitar para venda, assim como produzir para estar disponível para agricultura”.

Segundo o responsável, já é vendido algum produto para ração animal por causa do cálcio, mais pretendem aumentar o referido tipo de ração.

Avaliação do mercado

O País precisa de ser mais explorado e tem a capacidade para produzir mais, desde que haja pessoas e empresas. “Se vierem mais empresas, ajudam a estabelecer tudo, desde que sigam as regras e não estraguem o mercado”, disse.

De acordo com Victor Teixeira, neste momento há procura mas não há problema de vendas. “Se vierem mais empresas para trabalhar neste sector o País torna-se mais forte. Estou convencido que o País tem um grande potencial e a muita coisa que é preciso melhorar, desde a falta de energia, os acessos, temos mais custos de transportes, burocracia para exportação do que o custo de extracção,” afirmou.

Victor Teixeira garante que existe boa colaboração com o Estado, tendo citado como exemplo, a província do Namibe onde trabalham com a direcção da geologia e minas, a entidade que regula e controla o sector. “Somos parceiros, estão sempre disponíveis a trabalhar connosco”, disse o responsável.