“Privatização do BPC nunca esteve sobre a mesa”

A privatização do Banco de Poupança e Crédito (BPC) nunca esteve nos planos do Executivo, disse a secretária de Estado para as Finanças e Tesouro, Vera Daves, respondendo à questão do Vanguarda segundo a qual por que razão esta instituição financeira está ausente da lista das privatizações.

14 Ago 2019 / 15:12 H.

À margem da apresentação do programa de privatizações de 195 empresas, Vera Daves esclareceu que sanear o BPC é um processo que vai levar o seu tempo, vai ser caro, além de ser visão do Estado mantê-lo público. A responsável considera o BPC um banco “emblemático” para o Estado. “Porque é uma mistura dos custos do saneamento com a vontade do Executivo de manter um banco que é emblemático e sistemicamente relevante”, esclarece.

Vera Daves acrescenta que o saneamento do BPC não vai ficar concluído até ao fim do programa. “Tem que se reestruturar, depois, mais lá à frente, vamos avaliar”, disse, tendo concluído que “de tempos em tempos, vai se fazendo relatórios, mas privatizar o BPC nunca esteve sobre a mesa nem é visão do Executivo”.

As privatizações, uma iniciativa do Presidente da República, têm como objectivo reestruturar e redimensionar o sector empresarial público, no âmbito da política de sustentabilidade das finanças públicas do Plano de Desenvolvimento Nacional 2018-2022. A ideia, esclarece Vera Daves, é “repensar a visão e estratégia do sector público e colocar o sector privado no centro do desenvolvimento económico angolano, com foco na prestação de bens e serviços de melhor qualidade”.

O programa tem três principais objectivos, nomeadamente o aumento da competitividade da economia nacional, aumento da concorrência entre os players, com reflexos em preços mais competitivos, bem como a prestação de bens e serviços de qualidade, distribuição mais equitativa e a promoção da estabilidade macroeconómica. “O programa é bastante ambicioso, diríamos até arrojado, mas igualmente prudente na identificação da percentagem a alienar”, garante Vera Daves.