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“Nunca a diversidade da economia nacional foi seguida tão de perto”

O Director Comercial da RE / MAX Multitrust Angola, Edson Sirgado, apresenta os principais desafios do sector imobiliário para contribuir na profissionalização e credibilização da actividade de mediação imobiliária, no sentido de se aplicar em cada transacção processos rigorosos, transparentes e fiáveis.

Luanda /
18 Fev 2021 / 12:53 H.

Qual é o objectivo do fórum?

O objectivo do Fórum Imobiliário é juntar vários stakeholders fundamentais ao sector, para que juntos possam interagir, trazendo melhores soluções para os problemas actuais da população neste sector.

Em que se diferencia dos demais já realizados no País?

O facto de juntar membros do governo, com empresas com o know-how e que actuam na área, é sem dúvida um ponto diferenciador e de grande valor para que os resultados sejam positivos.

O que será abordado?

Temas como novas soluções para o mercado imobiliário angolano e perceber como é que o Executivo pretende receber contributos positivos para agilizar a legislação do sector, podendo assim trabalhar em conjunto, escutando as empresas do sector com reputação internacional como é o caso da RE/MAX.

Quais são os principais desafios do sector imobiliário?

O nosso maior desafio no imediato é contribuir para uma maior profissionalização e credibilização da actividade de mediação imobiliária, aplicando em cada transacção processos rigorosos, transparentes e fiáveis que gerem confiança em todos os intervenientes no negócio imobiliário, seja a título particular ou empresarial.

Graças a esta postura, a RE/MAX Angola, e apenas com um ano de actividade, assumiu a liderança no imobiliário angolano, trabalhando para estabelecer parcerias com todos os stakeholders que já estão a operar, desde imobiliárias, banca, fundos de investimento, entre outras.

Por outro lado, graças ao know-how e experiência comprovada da rede internacional que integramos e que podemos alavancar localmente com todo o suporte necessário, queremos posicionar-nos junto do Executivo e da associação do sector como um parceiro estratégico para assessorar e aconselhar na elaboração de novas propostas legislativas, quer na regulação da actividade de mediação imobiliária, do mercado e componentes fiscais do sector, quer em termos de acesso ao financiamento e criação de sistemas de taxas de juro bonificadas, por exemplo, para jovens ou casais recémcasados.

Do ponto de vista do negócio, vamos continuar a investir na formação contínua dos nossos quadros, o verdadeiro pilar da empresa, tendo presente que fazemos parte de uma nova realidade do mercado: organizado, profissional e com novas oportunidades para investidores, nacionais e internacionais, e principalmente para os angolanos.

O sector imobiliário foi dos mais atingidos pela pandemia da COVID-19 quais são as estratégias para se fazer face às sucessivas crises que o sector tem vivido?

A pandemia atingiu todo o mundo e quase todos os sectores, entre os quais o imobiliário. No entanto, também é real que até há um ano, a casa não tinha a importância que passou a ter hoje, onde acolhe as crianças para as aulas, os adultos em teletrabalho, e variadíssimas actividades em família que passam pela ginástica, ao cinema. Essa mudança, fez com que o investimento no mercado imobiliário fosse efectuado, e analisado com cuidado por parte das famílias.

O mercado nacional já oferece todos os materiais de construção em quantidade desejada?

O mercado nacional ainda não oferece todos os materiais de construção necessários. No entanto, nunca a diversidade da economia angolana foi seguida tão de perto, e estratégias governamentais como o PRODESI permitem que se comecem a criar algumas indústrias. Até que esse processo esteja completo, claramente que necessitamos de continuar a importar os materiais necessários às construções do País.

O que é necessário para uma imobiliária ter sucesso num mercado onde a maioria da população é de baixa renda?

A imobiliária tem de ter produto que o mercado necessite. Num mercado de baixa renda, temos claramente de dar resposta a esse mercado, e ao mesmo tempo perceber se o mesmo está pronto para assumir a formalidade que nos assiste, e que empresas, organizações internacionais, investidores e outros players, procuram.

Como explica a especulação dos preços na comercialização dos imoveis?

Actualmente já não existe tanta especulação dos preços na comercialização dos imóveis,existe sim, uma grande oportunidade de investimento em activos imobiliários a preços bastante atractivos.

Será que a renda resolúvel é o melhor caminho?

A renda resolúvel é, sem dúvida, um caminho, mas não podemos cometer os erros do passado, em que um indivíduo terminava com mais do que uma propriedade, e outros sem nenhuma. O processo de renda resolúvel pode e deve ser aplicado, mas ao mesmo tempo monitorizado por equipas experientes que possam, através das novas tecnologias, garantir que o processo seja efectuado de forma justa em Luanda e nas restantes províncias de Angola.

Será que os prazos para se efectuar os pagamentos coadunam com a capacidade financeira dos clientes?

Os prazos anteriormente estabelecidos, cerca de 20 anos, coadunam com a capacidade financeira dos clientes que tinham empregos que permitiam o pagamento dessa mesma renda.

A banca tem financiado o mercado imobiliário? Se não o que fazer para que ocorra?

O financiamento da nossa banca ao mercado imobiliário é reduzido, salvo raras ex cepções como empresas que estimulem o crédito com juros aceitáveis para os seus trabalhadores, tendo em conta a taxa de esforço das famílias.

Para que a classe média, neste momento muito mais reduzida, possa voltar a adquirir casa própria, teremos de criar políticas de incentivo que permitam a prática de taxas de juro que não sejam de modo algum proibitivas, como as actuais.

A desvalorização da moeda tem causado constrangimentos no sector imobiliário, que soluções estão a ser preparadas para se evitarem litígios no seio dos intervenientes do ramo imobiliário?

Em termos muito práticos, a desvalorização da moeda fez com que os imóveis comprados há 5 anos, perdessem o seu valor na proporção da desvalorização da moeda. Quando estamos perante uma situação deste género, o proprietário hesita em vender o imóvel, e é aí que uma rede de consultores como os da RE/ MAX Multitrust explicam e demonstram os efeitos da própria inflacção, que era real.

Perante tais circunstâncias, torna-se claro que a venda deve ser feita, e mais do que nunca o mercado começa a estar preparado para absorver e comprar imóveis residenciais, comerciais e mesmo industriais.

No plano dos contratos tem havido muitos incumprimentos, que soluções se podem apontar para a resolução deste problema?

Os incumprimentos são residuais; começaram a tornar-se muito mais reduzidos a partir do momento em que existe apenas 1 interlocutor para determinado imóvel, pois as partes são rapidamente identificadas. É assim que operamos na RE/MAX Multitrust Angola, e que resolvemos qualquer conflito que possa surgir pela existência de um departamento jurídico especializado, e que facilita o nosso trabalho enquanto Equipa.

Qual tem sido o compromisso das imobiliárias no que o acesso da habitação social diz respeito?

Não se aplica

Enquanto parceiros do Estado e experts do sector imobiliário que políticas consideram eficazes para Angola?

Desde já podemos avançar com 4 pontos que nos parecem muito importantes: a redução da taxa de juro do crédito habitação, estabilidade cambial, crédito à habitação bonificado e renda resolúvel.

Vários empresários do sector queixam-se das dificuldades que têm enfrentado para aceder a terra porque em Angola a terra é propriedade originaria do Estado, será que esta política favorece o sector imobiliário?

Não se aplica

Aquando da celebração dos contratos há intermediários imobiliários que aconselham o pagamento antes mesmo do imóvel ser edificado e muitas vezes os clientes acabam por não receber as respectivas moradias, o que se lhe oferece dizer?

Os contratos usados pela RE/ MAX cumprem a lei de forma escrupulosa; se os negócios forem encarados por todas as partes de boa-fé, jamais uma situação dessas se poria.

Caso aconteça, e estando perante incumprimentos contratuais que podem até configurar crimes, será da competência judicial a sua resolução. No entanto, a RE/MAX é muito exigente e analisa toda a documentação que suporta a elaboração dos contratos entres as partes, já para prevenir situações futuras desagradáveis.

Quais são os custos para se desenvolver o negócio imobiliário no País?

Independentemente da área de actuação, os custos de operar em Angola são normalmente altos. Na área imobiliária, onde o capital humano é de grande valor, e sendo a formação e capacitação de quadros uma das ferramentas em que mais insistimos, a RE/ MAX Multitrust tem custos operacionais elevados que se prendem com essa área, mas também com a sua chegada ao mercado angolano, onde todos os custos associados de infraestruturas, operacionais, e marketing ganham dimensão considerável.

Qual é o volume de facturação anual de uma imobiliária em período normal?

O volume de faturação de uma qualquer imobiliária está directamente ligado ao número de transacções realizadas, onde existe uma influência directa do reconhecimento da mesma no mercado que opera, em termos de credibilidade e confiança dos clientes.

Que contributo o sector imobiliário espera dar na diversificação da economia e assim garantir um desenvolvimento sustentável?

Sendo a diversificação da economia uma das granes apostas de Angola, o sector do imobiliário vem criar emprego, potenciar a formação pessoal e profissional dos quadros, trazer equilíbrio a um mercado ainda desregulado, e permitir fluxos financeiros legítimos entre vendedores e compradores, deixando o estado de ser lesado pela falta de pagamento de impostos nas operações.

As imobiliárias têm sido auscultadas pelo governo antes da materialização das políticas habitacionais?

É do interesse mútuo que tal possa acontecer no futuro. O governo pode contar com a experiência internacional da RE/MAX para prestar o seu apoio e aconselhamento, sempre com o intuito de ser uma mais-valia nestes processos, desmistificando-os e agilizando-os.

Qual deve ser o contributo do mercado de valores mobiliários para a alavancagem do sector imobiliário?

O Mercado de Valores Mobiliários tem como principal objectivo o desenvolvimento de projectos de reabilitação de imóveis e a promoção do arrendamento dos mesmos, pretendendo alcançar, numa perspetiva de médio e longo prazo, uma valorização crescente das suas unidades participadas.

Adicionalmente, poderá tornar-se num facilitador para a entrada de players estrangeiros com capacidade de investimento, e que possam revestir-se de grande interesse para a economia do nosso País.