Mercado de valores
Tempo - Tutiempo.net

Estado perde quase 24 mil milhões USD nos últimos anos

O Estado angolano terá perdido nos últimos anos, com a política de delapidação do erário, "aproximadamente 24 mil milhões USD, conforme constata o Presidente da República, João Lourenço.

Luanda /
11 Out 2020 / 16:57 H.

Segundo o Chefe de Estado angolano, que falava em entrevista ao Wall Street Journal, este é o valor constante dos processos de investigação patrimonial em curso no Serviço Nacional de Recuperação de Activos da Procuradoria Geral da República (PGR).

João Lourenço, cuja primeira parte da entrevista ao jornal estadunidense acaba de ser publicada, detalha que daquele montante 13,5 mil milhões USD foram retirados ilicitamente através de contratos fraudulentos com a petrolífera Sonangol (Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola), 5 mil milhões através da Sociedade de Comercialização de Diamantes de Angola (Sodiam) e Empresa Nacional de Diamantes de Angola (Endiama) e os restantes 5 mil milhões através de outros sectores e empresas públicas.

Relativamente aos números concretos do combate à corrupção e seus resultados, o Presidente fez saber, na sua extensa entrevista, que 4,2 mil milhões é o valor, até à data, dos bens móveis e imóveis apreendidos ou arrestados no País.

Isto inclui bens como fábricas, supermercados, edifícios, imóveis residenciais, hotéis, participações sociais em instituições financeiras e em diversas empresas rentáveis, além de material de electricidade e outros activos.

O Presidente da República revelou ainda que o Serviço Nacional de Recuperação de Activos da PGR solicitou às suas congéneres no exterior do país a apreensão ou arresto de bens e dinheiro no valor de 5,4 mil milhões nomeadamente na Suíça, Holanda, Portugal, Luxemburgo, Chipre, Mónaco e Reino Unido, “lista que tende a alargar-se”.

Na entrevista, o Chefe de Estado precisou que o Estado angolano recuperou, em dinheiro 2,7 mil milhões USD e 2,1 mil milhões em em imóveis, fábricas, terminais portuários, estações de TV e Rádio, em Angola, Portugal e Brasil.

Ainda no aspecto económico, principal foco desta grande entrevista ao jornalista Benoit Faucon, João Lourenço assume que é sua previsão ter a Sonangol cotada em bolsas como a de Nova Iorque, Londres ou China, logo após a sua reestruturação.

Noutro domínio da entrevista, o Presidente da República admitiu que a Covid-19 chegou a impor, em Angola, uma redução de até 50% na presença de trabalhadores nas unidades fabris, e limitou a mobilidade das pessoas e de mercadorias entre diferentes pontos do território angolano, por um período superior a meio ano.

Este facto, fundamentou o Chefe de Estado angolano, condicionou negativamente a diversificação da economia, como, “aliás, aconteceu com grande parte dos países”.

Entretanto, na entrevista foram ainda abordados diversos outros temas, como o desafio da melhoria do ambiente de negócios em Angola e o interesse de grandes operadores petrolíferas pelo “off shore” angolano.

Estes e muitos outros assuntos serão temas a abordar pelo Wall Street Journal em próximas edições.