Mercado de valores
Tempo - Tutiempo.net

Economia cresce 2,7% ao invés de 2,4% este ano

Ainda assim, as previsões do Executivo estão abaixo das demais projecções. O Banco Mundial espera recuperação de 2,9% e o FMI aguarda por um crescimento de 3%. A consultora Fitch Solutions prevê crescimento de 3,8%, já o BFA vai mais longe, espera uma expansão de até 5,7%. O CEIC-UCAN é mais conservador, melhorou a sua previsão para 2,4%. Como sempre, a causa é o petróleo.

Luanda /
23 Mai 2022 / 17:09 H.

A ministra das Finanças, Vera Daves de Sousa, afirmou recentemente, na conferência “Bloomberg Invest: Focus on Africa”, que o Governo reviu em alta a previsão de crescimento económico para 2022, antecipando agora uma expansão de 2,7%, devido ao aumento do preço do petróleo.

“Sim, revimos a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano para 2,7%, considerando o mesmo ritmo de 1,14 milhões de barris de petróleo por dia e um preço a rondar os 100 USD”, disse Vera Daves de Sousa, quando questionada durante a conferência da Bloomberg sobre África, que decorreu, a partir de Londres.

Os 2,7% previstos pelo Executivo estão 0,3 pontos percentuais acima dos 2,4% previstos no Orçamento Geral do Estado de 2022. Em Março, o Instituto Nacional de Estatística (INE) confirmou a saída da trajectória de 5 anos consecutivos de recessão económica iniciada em 2016, com o crescimento de 0,7%.

O petróleo continua a ser a principal variável macro-económica para as previsões da economia nacional, visto que representa a principal fonte de receita do País. Em Abril, o preço médio do barril de petróleo bruto exportado por Angola foi de 119,52 USD, o preço médio mensal mais alto desde Abril de 2012 quando o País exportou 54,82 milhões de barris a um preço de 124,55 USD. Em termos acumulados, nos primeiros quatro meses do ano o preço médio foi calculado em 94,89 USD, mais 35,89 USD acima dos 59 USD previsto no OGE deste ano.

Na entrevista, a ministra das Finanças também foi questionada sobre a possibilidade de Angola aumentar as exportações de petróleo e gás para a Europa, compensando a quebra nas vendas à Rússia. “Sim, temos a vontade política e abertura para o fazer, mas precisamos de muito trabalho de casa, para conseguir dar resposta a essa necessidade da União Europeia”, respondeu, salientando que entre o investimento e o retorno passam anos.

O que outras instituições prevêem

Nesta sexta feira, 20, o Centro de Estudos e Investigação Científica (CEIC) da Universidade Católica de Angola (UCAN) apresentou as previsões da economia nacional, melhorando de 1,60% previsto no Relatório Económico Angola 2019-2021 para 2,4% apresentados nas “Previsões de Crescimento Económico de Angola 2022-2025”. Ainda assim, o CEIC é o mais conservador.

O CEIC prevê também um crescimento da economia nacional na ordem dos 3,3% em 2023, bem como 3,9% e 3,8%, em 2024 e 2025, respectivamente. O Banco Fomento Angola (BFA) é a instituição financeira mais optimista, no princípio deste mês, o gabinete de estudos económicos do banco melhorou a previsão de crescimento de Angola para até 5,7% este ano, estimando também que o sector petrolífero cresça pela primeira vez desde 2015.

“No total da economia, esperamos uma subida do PIB entre os 5,2 e os 5,7%, o que configuraria o ritmo de crescimento mais elevado desde 2012, quando a economia expandiu 8,5%”, diz BFA numa nota de análise aos números da economia. As intuições de Washington, nomeadamente o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI) têm previsões muito próximas.

O Banco Mundial o no seu relatório “Africa ‘s Pulse” divulgado recentemente, espera que a economia nacional cresça 2,9% este ano. Já o FMI no “World Economic Outlook” aguarda por um crescimento de 3%. Estas previsões estão acima dos 2,4% previstos no OGE 2022.

“No total da economia, esperamos uma subida do PIB entre os 5,2 e os 5,7%, o que configuraria o ritmo de crescimento mais elevado desde 2012, quando a economia expandiu 8,5%”, diz BFA numa nota de análise aos números da economia.

As intuições de Washington, nomeadamente o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI) têm previsões muito próximas. O Banco Mundial o no seu relatório “África ‘s Pulse” divulgado recentemente, espera que a economia nacional cresça 2,9% este ano. Já o FMI no “World Economic Outlook” aguarda por um crescimento de 3%. Estas previsões estão acima dos 2,4% previstos no OGE 2022.

De acordo ainda com o FMI, a economia nacional vai crescer 3,3% no próximo ano, com um trajectória ascendente e atingirá os 4,4% em 2027, o último ano de previsões.

A consultora Fitch Solutions dá uma previsão superior às das instituições de intuições de Washington. A consultora de Nova Iorque melhorou a previsão de crescimento da economia de Angola para 3,8% este ano, ajudado pelos preços do petróleo e pela melhoria das condições económicas depois de cinco anos de recessão.

“Prevemos que o PIB real de Angola vá acelerar de uns estimados 0,6% em 2021 para 3,8% em 2022, acima da previsão de consenso dos analistas da Bloomberg, que aponta para 2,2% em 2022” e melhor que a previsão de janeiro da consultora, que previa uma expansão de 2,7%”, lê-se numa nota enviada aos investidores.

Os analistas desta consultora detida pelos mesmos donos da agência de notação financeira Fitch Ratings escrevem que “o preço do petróleo vai subir de uma média de 71 USD por barril, em 2021, para 100 USD este ano, o que será um incentivo para as empresas aumentarem a produção petrolífera, que deverá crescer 3,5% este ano”.

Como o petróleo representa 85,4% das exportações do País, a subida de preço será positiva para as contas públicas, que também serão ajudadas “pelo fortalecimento do kwanza num contexto de melhoria das condições comerciais e de redução da inflação de 25,7% em 2021 para 20% este ano”. Isto, concluem, “vai abrandar a pressão sobre o poder de compra dos consumidores