Criatividade e Inovação - (Parte I)

    Angola /
    11 Fev 2019 / 16:25 H.

    Já é do conhecimento de todos nós que a GEM-Global Entrepreneurship Monitor subdivide os países em três grupos, no que diz respeito ao nível de empreendedorismo, tendo em conta a sua orientação para factores de produção, eficiência ou inovação.

    O processo de identificação de oportunidades para a inovação, o estágio mais desenvolvido, depende da criatividade e do conhecimento do empreendedor. Num mundo em constante mudança e com níveis de concorrência elevados como o nosso, a gestão do conhecimento e a criatividade são determinantes nessa competitividade.

    Na literatura de especialidade somos informados que o ciclo schumpeteriano da inovação envolve três etapas da mudança: a invenção, a inovação e a difusão. ParaSchumpeter, a prosperidade e o desenvolvimento só podem surgir por meio da inovação, compreendida pela substituição de formas antigas por formas novas de organizar, produzir e consumir. Assim sendo as relações entre criatividade e inovação, como factores de desenvolvimento económico e sustentabilidade das organizações são crescentemente discutidas, em virtude da sua importância. Hoje em dia cada vez mais as organizações venham sendo estimuladas a criar ambientes que promovam a criatividade geradora de oportunidades de inovação.

    1. O que é a criatividade?

    Antes de mais, é um produto da actividade do cérebro. É uma capacidade intangível e subjectiva.

    Ao capital não interessa qualquer criatividade mas apenas aquela considerada no contexto socioeconómico, capaz de resolver problemas relevantes.

    Ela assume-se como um processo que resulta em um produto ou serviço novo com algum valor que é aceite como útil e/ou satisfatório junto de um número significativo de pessoas.

    Deste modo podemos entender a criatividade como uma experiência eminentemente pessoal e fortemente influenciada pelo grau de motivação da pessoa em usar seu pensamento criativo diante dos valores e práticas predominantes no ambiente em que se encontra.

    2. Os quatro tipos de criatividade

    A criatividade não é algo que acontece automática ou abruptamente. Os processos diversos que ocorrem durante o processo de criação envolvem os dois hemisférios cerebrais. Ao hemisfério esquerdo cabe então o processo de pesquisa, de racionalização e de reflexão intelectual enquanto que ao direito cabe a responsabilidade pela organização espacial das informações.

    2.1. A criatividade deliberada e cognitiva, de Thomas Edison.

    É caracterizada pelo alto conhecimento e muito tempo para testar combinações entre todo o conhecimento. Conforme dizia Albert Einstain “a criatividade é a inteligência divertindo-se”.

    Thomas Edison, considerado o maior inventor da história detém o recorde de 2 332 patentes no mundo, muito a frente de marcas como a Microsoft e a Google. A sua criatividade é do tipo deliberada e cognitiva, ou seja com um alto grau de conhecimento e esforço. Para usar esse tipo de criatividade (proveniente do córtex préfrontal) é preciso conhecer muito bem os assuntos envolvidos. É o caso, num exemplo simplista, de um publicitário que ao assinar um contrato de publicidade de um fabricante de silos para armazenagem de grãos, precisa de visitar a fábrica, estudar o produto, falar com os engenheiros e entender um pouco do dia a dia de um agricultor.

    2.2. A criatividade deliberada e emocional pessoal.

    Esse tipo de criatividade requer um tempo de quietude e solidão. Nela ao invés de usar-se a perspectiva do conhecimento para abordar o problema, foca-se o aspecto emocional, como se vê e sente nas relações com as pessoas, no papel da pessoa na organização, nos seus objectivos, nos seus valores, opiniões, etc. Nesse tipo de criatividade, é a pessoa voltada para si mesma, tentando avaliar os problemas do ponto de vista emocional, as suas falhas e como as poderá resolver, sem dados, atributos, padrões, e outros elementos racionais. O córtex frontal também é usado; porém uma outra área do cérebro entra em jogo: a parte do cérebro responsável por processar emoções complexas, directamente ligado ao córtex pré-frontal.

    2.3. A criatividade espontânea e cognitiva de Isaac Newton.

    Essa técnica é muito aconselhada por especialistas da área; é a criatividade típica do empreendedor, aquele que fica horas atrás de uma boa ideiae que quando parece que ela não surge, este decide parar e pensar em outras coisas, praticando uma outra actividade para “arejar a mente”, o dito ócio criativo. Quando Newton formulou a teoria da gravidade, ele foi extremamente criativo; ele já possuía um vasto conhecimento dos assuntos necessários para formular a teoria.

    2.4. A criatividade espontânea e emocional.

    É o tipo de criatividade mais difícil de descrever, é geralmente associada a grandes artistas e músicos, uma vez que ela acontece fora do córtex préfrontal.

    Isso quer dizer que não exige raciocínio ou análise. Por ser espontânea e emocional, essa criatividade surge em qualquer lugar e a qualquer momento, quase como uma visão, uma experiência mágica e inexplicável. Porém os detentores dessa habilidade, são normalmente pessoas de mente altamente fértil e activa, que praticam permanentemente a leitura, meditação, e actividades físicas, de entre outras, para estimularem o desempenho do cérebro. Esse tipo de criatividade não costuma exigir nenhum conhecimento prévio sobre o assunto, nem o compromisso em criar algo, mas geralmente precisa de uma habilidade que permita reproduzir tal criatividade.