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Brunch With...Maria Sebastião

Os objectivos consubstanciam-se em continuar fazer carreira na gestão e liderança, assim como almeja abrir um negócio que possa ajudá-la a crescer e aumentar as suas habilidades profissionais.

Luanda /
14 Fev 2020 / 13:34 H.

A carismática convidada é esposa e mãe, uma profissional que acredita no poder do trabalho e, segundo diz, quando este é feito com empenho e dedicação consegue-se atingir o sucesso. Nasceu e cresceu em Luanda, no bairro Neves Bendinha, aos 12 de Março de 1982. Conta nesta entrevista de perfil que teve uma infância muito feliz e bem aproveitada, pois teve a oportunidade de fazer muita coisa enquanto criança. “Brincávamos na rua jogando a “garrafinha, o bica-bidon, passarão” e entre outras brincadeiras daquele tempo, foi realmente maravilhoso”, conta recordando que aquele período também foi muito difícil devido a situação da instabilidade política do País, assim como lembra de alguns momentos em que sentavam reunidos à volta para lhes serem reveladas as cantigas da terra. “Havia a falta de energia e de noite sentávamos no quintal no “luando” com a mãe e os meus irmãos onde era o nosso local de fazer serão até a hora de ir para a cama”, lembra. Teve sonhos como uma outra criança. Pensava em ser apresentadora de Televisão, isto porque na altura, tal como diz, uma das suas influências era assistir ao Telejornal e ver a forma como o apresentador falava, mas as vicissitudes mostram-lhe outras formas de encarar a vida e teve assim um rumo diferente que, no entanto, não fugiu muito daquilo que almeja ser. “A minha mãe sempre foi uma mulher batalhadora, assim como em momentos difíceis se manteve forte, é, portanto, graças a ela que sou hoje essa pessoa determinada e com vontade de vencer”, refere. Fez o ensino primário desde o São João (escola do Iº ciclo) à escola Angola & Cuba, depois dessa fase, por conta das adversidades da vida, ficou parada. Em 2004 volta ao dispor da formação ingressando no Instituto Médio de Economia do Kilamba Kiaxe (IMEKK) para o curso de Contabilidade e Administração. “Ingressei na universidade inicialmente para fazer o curso de Direito, mas depois não me identifiquei com o curso e decidi deixar. De seguida entrei na Universidade Óscar Ribas (UOR) no curso de Psicologia”, esclareceu.

Desafios e ambições profissionais

A gestora começou com o desafio laboral nas Organizações Luibe no São Paulo de Luanda, trabalhando como recepcionista, balconista e caixa durante três anos. Exerceu também funções de promotora de vendas no período 2007 na Coca-cola Bottling, mas em 2009 foi chamada para fazer um teste e, ao mesmo tempo, uma dinâmica de grupo na empresa de cal center, Ucall. Passou por uma formação e nessa altura ficou a saber em que empresa iria exercer as suas funções profissionais. “Durante alguns meses fizemos a campanha de divulgação do serviço em alguns locais da cidade de Luanda esperando que a loja em que eu fosse alocada estivesse aberta. Em Maio de 2010 assinei o contrato com a empresa ZAP, como assistente de loja na Direcção Comercial”, informou. O percurso laboral tem sido caracterizado, não só de feitos conducentes, mas também por várias promoções. Assim como em 2013 foi promovida a Gerente de loja e no ano seguinte decidiu abraçar um novo desafio para supervisora de BackOffice da direcção de “Customer Care e Melhoria Contínua” da mesma companhia. “Fui promovida a Coordenadora de BackOffice em 2016, pois existiu uma restruturação na Direcção e passei a ter uma equipa quase 100% nova”, em 2018 passou para chefe do mesmo departamento, como Gestora de Contact Center, função que desempenha até hoje, conduzindo uma equipa de cerca de 75 colaboradores.

“O maior desafio que tive foi com a nova Direcção em conseguir me firmar como profissional e conseguir dar resposta às necessidades do novo departamento, sabendo que não existiria regressão para a Direcção anterior caso não tivesse sucesso”, confessa a gestora que também afirma gostar de trabalhar com pessoas pelo facto de ser um acto motivador e gratificante. Os seus objectivos e ambições profissionais consubstanciam-se em fazer carreira na gestão e liderança, assim como almeja, futuramente, abrir um negócio que possa ajudá-la cada vez mais a crescer e aumentar as suas habilidades profissionais. Mas não pretende, por agora, abrir mão em ser feliz no que faz, porque “quando fizemos um trabalho com paixão, com amor e entrega, todos os dias de manhã levantamos com a vontade de fazer diferente”. Considera as suas fontes de inspiração e aprendizagem os livros “Ubuntu” e “O Novo Gestor Minuto” de Ken Blanchard e Spencer Johnson, pois estes “ensinam-nos que devemos respeitar as pessoas que temos a trabalhar nas equipas, porque quem produz os resultados são as pessoas. Versam sobre filosofias de vida no trabalho e como podemos alcançar melhor resultado”. Questionada sobre as recomendações para a nova geração de empresários e líderes, a gestora afirma que estes devem garantir que um dos seus principais focos sejam as pessoas, que consigam identificar as necessidades das pessoas. Refere ainda que “é necessário que as pessoas sejam formadas, é necessário que as pessoas adquiram conhecimento, quanto mais saberem, melhor farão o seu trabalho com a qualidade exigida, portanto, só é possível cobrar quando ensinamos”. Opinando sobre o País diz que a situação actual é passageira e está num período de mudança, onde os jovens podem encontrar perspectivas de trabalho e modo de ver o trabalho. Acredita, no entanto, ser necessário olhar-se para a agricultura e o empreendedorismo como sendo as bases fundamentais para que a mudança possa introduzir qualidade nos serviços que se presta e, deste modo, trazendo ideias novas e aproveitando as oportunidades que a sabedoria dos mais experientes oferece.