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Rui Barros: “Estamos a assistir a uma nova tendência: hiperpersonalização”

O Mercado retoma nesta edição uma entrevista que o JE (Jornal Económico) fez ao responsável da Accenture Technology, Rui Barros, que explicou as principais conclusões de um estudo que aponta as grandes tendências da área tecnológica a nível mundial.

Angola /
29 Jul 2019 / 15:29 H.

Os líderes empresariais foram ouvidos neste estudo?

Ouvimos executivos de topo de empresas, de vários sectores e de várias indústrias. Depois é também complementado com analistas internos, tanto da Accenture como internacionais e académicos. Tem uma abrangência global, na medida em que são 27 países, e é muito interessante porque algumas tendências que vimos no passado ocorreram e aconteceram.

O que antecipam este ano?

Antecipámos o que é a era pósdigital. Ou seja, quando se fala do digital e da sua transformação, a Accenture antecipa que vêm aí novos desafios da era pós-digital. Neste momento, ainda há muitas organizações que estão a fazer este processo. Em breve isso vai deixar de ser um factor diferenciador e antevimos o que vem a seguir à era pósdigital. Nesse sentido, estamos a assistir a uma nova tendência global que está relacionada com a hiperpersonalização da oferta e dos serviços no nosso quotidiano.

No fundo é a customização de tudo aquilo que consumimos?

Exactamente. Essa é uma tendência que se está a verificar a nível internacional. Ou seja, depois da massificação destas tecnologias, consumimos no nosso quotidiano tecnologia e informação customizada.

Como a Netflix?

Sim, por exemplo. Aquilo a que assistimos na televisão e ouvimos na rádio é muitas vezes customizado. Usamos os podcasts para assistir ao que queremos. E isso está a transformar a nossa oferta de produtos e serviços, e existem empresas que já estão a customizar a oferta de roupa associada e personalizada a nível individual. Temos apps que já conseguem medir o tamanho do nosso corpo, por exemplo.

O estudo diz que as empresas ainda estão a dar os primeiros passos no novo mundo. O que é que isso quer dizer?

Está a decorrer um processo de transformação digital nas empresas em que todas as suas operações são digitalizadas e automatizadas. Esse caminho não está feito e é um desafio que as empresas mais tradicionais, que não nasceram na era da internet, têm maior dificuldade. Neste momento, as tecnologias que estão a ser alvo destas transformações são as de social media, mobilidade, análise e cloud que suporta esta transformação. Já estamos a assistir a isto no mercado nacional, em que as grandes organizações estão associadas a estas grandes tecnologias. A nível internacional, constatamos que há quatro tecnologias emergentes, relacionadas com blockchain, inteligência artificial, quantum computing e realidade aumentada. Ou seja, antecipamos que estas quatro novas tecnologias, durante os próximos três anos, terão cada vez mais impacto nas organizações e no mercado nacional.

Há quem diga que o grande desafio é a curva demográfica que vamos sentir ao longo das próximas décadas. A inovação tecnológica pode ajudar a lidar com este tipo de problemas?

No Japão acreditam que a tecnologia vai auxiliar a população mais idosa, tudo associado a medicamentos e ao controlo do estado de saúde. Há um conjunto de instrumentos tecnológicos que vão facilitar e ajudar a cuidar dessa população mais idosa.

O futuro passa por menos trabalho em termos de carga horária?

Provavelmente não teremos horário de trabalho e isso já acontece em algumas profissões. O horário é cada vez mais flexível e as pessoas irão trabalhar em função de objectivos e das suas necessidades pessoais e profissionais.

O estudo fala também de uma transformação paralela...

A força de trabalho que hoje existe vai ser aumentada no futuro através das capacidades tecnológicas. Na verdade, estas vêm completar a força de trabalho e a capacidade das empresas. Por exemplo, quando usamos óculos de realidade aumentada para complementar um trabalho técnico especializado estamos a aumentar as capacidades do tal técnico que, de outra forma, não seria capaz de reparar um determinado equipamento.

E da parte do Estado e do sector público, o que falta fazer neste domínio para sermos eficientes?

Obviamente ainda há muito para fazer. O foco tem de manter-se na transformação digital. O que disse há pouco e que se aplica nas empresas e organizações também se aplica ao Estado. Ou seja, apostar em soluções de mobilidade, acabar com o papel e a necessidade de as pessoas se deslocarem. Existe um conjunto de iniciativas que o Estado deve continuar a apoiar porque servem para simplificar a vida dos cidadãos.

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