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“Angola assume cada vez mais um papel importante no teatro mundial dos negócios”

Bruno Albernaz aponta que em relação à edição passada, este ano a FILDA registou uma evolução na ordem dos 40% em termos de participação. Segundo o CEO do grupo que organiza a maior bolsa de negócios do País desde 2017, a ZEE é o lugar certo para realização da feira, uma vez que está muito próximo dos principais centros urbanos ( Kilamba, Sequele e os Zangos), do futuro aeroporto internacional de Luanda e está dentro do maior “cluster” industrial do País.

Luanda /
26 Jul 2022 / 12:37 H.

Quando é que o grupo Arena passou a realizar a Feira Internacional de Luanda (FILDA)?

Passamos a fazer a organização da FILDA desde 2017. Esta é a quinta edição organizada pelo Eventos Arena.

O Governo tem dado “nota positiva” à vossa empresa nesta nobre a missão de organizar a maior bolsa de negócios de Angola?

Temos recebido nota positiva por parte do Governo, daí a continuidade da nossa participação a frente deste evento. É importante realçar que, recebemos a organização da feira num momento muito difícil, após o cancelamento de uma edição, com muitos danos para a nossa reputação enquanto mercado e também na confiança que as empresas tinham, não só na FILDA, mas também como porta de entrada no nosso País. Portanto, foi um exercício muito difícil, ficamos sem lugar para realizar a feira, em 2017 aconteceu na marginal (Baía de Luanda) e só em 2018 é que entramos na Zona Económica Especial (ZEE) para a organização da FILDA. Fazemos a feira nestas instalações desde 2018, com excepção ao ano de 2020 que foi interrompida pela pandemia da Covid-19, e temos vindo a fazer um investimento paulatinamente na melhoria das condições para proporcionar o melhor ambiente de negócios aos expositores e também a quem nos visita.

Além da FILDA, que outros eventos realizam neste seguimento?

O grupo Arena tem algumas empresas e a Eventos Arena é a que tem a responsabilidade de organização de feiras e eventos. Neste segmento, além da FILDA, a empresa tem marcas próprias, como a Feira Internacional de Benguela (FIB), que organiza desde 2011, fazemos também a Expo-Indústria e a PROJECTA, anteriormente constrói Angola, que não foi realizada nos últimos dois anos (2020 e 2021) fruto da pandemia, mas vamos retomar em Outubro deste ano. Temos ainda, entre outros, uma série de eventos corporativos que são organizados há 20 anos, sendo que este ano marca o nosso 20º aniversário.

Quais são as principais dificuldades que enfrentam na realização dos eventos?

Os eventos têm as suas dinâmicas e por si só têm as suas dificuldades naturais, fora estas, as dificuldades estão muito ligadas à dinâmica do nosso mercado, que tem vindo a evoluir e caminhado para um nível muito próximo daquilo que é considerado um nível ocidental, se assim podemos apelidar. As marcas nacionais assumem cada vez mais uma força importante no consumo e no mercado interno, as mesmas melhoraram e evoluíram a apresentação e como tal, sendo os eventos e as feiras uma das ferramentas de marketing directo, essas marcas e produtos feitos em Angola procuram cada vez mais estas ferramentas de acesso no mercado. Temos vindo a nos adaptar à realidade e a criar soluções para poder ir fazendo com qualidade, atender os nossos clientes da melhor forma possível, sempre procurando o nível de excelência, para fazer com as expectativas que detêm sobre nós sejam atingidas e que possam atingir claramente aqueles são os objectivos.

Quanto custou organizar a 37ª edição da FILDA?

Temos um investimento aproximado entre 250 e 300 milhões de Kwanzas, os orçamentos normalmente têm sempre alguns desvios, estamos a apurá-los. Temos feito orçamentos bastantes robustos, já com alguma previsão daquilo que, possivelmente, poderão ser os desvios.

Em relação ao antigo espaço da FILDA, situado no Cazenga, a ZEE tem proporcionado maior participação de expositores e visitantes ou nem por isso?

Basta olharmos para a dinâmica da feira. Tivemos no primeiro dia quase seis mil pessoas, no segundo 6.300 pessoas, no terceiro e quarto também aproximadamente 6 mil pessoas e estes são números reais, pois temos todo um conjunto de equipamentos que nos permite ter acesso directo aos números, desde counters, câmeras e tranqueiras, entre outros. A ZEE está dentro de um dos principais eixos comunicantes, próximo a via expressa, a estrada de Viana, aos principais centros urbanos (kilamba, Sequele e os Zangos), estamos perto do polo industrial de Viana, estamos dentro do maior “cluster” industrial do País e muito próximos do futuro aeroporto internacional de Luanda. Portanto, estamos no sítio certo e foi uma evolução muito grande realizar eventos desse nível, principalmente a FILDA.

Só vê vantagens...

Claramente que temos que melhorar as condições dos pavilhões e também todas as facilidades inerentes à realização de uma feira deste nível, e é isto que procuramos fazer, porque este é o lugar certo para se realizar feiras e eventos deste nível. Aproximamos de quem produz e criamos facilidades a quem nos visita.

Os números de participantes e visitantes de 2021 foram ultrajados este ano?

Claramente, este ano evoluímos cerca de 40%. Temos 629 participações directas e indirectas.

E quantos países participaram este ano?

No ano passado tivemos três países, este ano temos 8 países em missões especiais, e depois temos mais 5 empresas de origens, que não estão em missões especiais, mas estão directamente a participar. Angola assume cada vez mais um papel importante no teatro mundial dos negócios, tivemos a participação de empresas internacionais que directamente se inscreveram na feira, procuraram os canais comerciais, marcaram suas viagens, pediram o apoio para obtenção dos vistos, e demos todo apoio, e as pessoas aqui estão a fazer os seus negócios, a conhecerem o nosso País e a criarem parcerias com os nossos empresários.

Que País teve maior representação?

Temos quatro países com bastante representação: África do Sul, Alemanha, Itália e Portugal.

Que sector de actividade tem maior presença de expositores?

O comércio e os serviços são os que têm maior presença, mas têm vindo a perder bastante para o sector industrial e o agronegócio. O sector de comércio e serviços em tempos anteriores assumia um número bastante elevado, tínhamos quase 80% deste sector representado. Hoje temos reduções muito fortes e representa cerca de 40% de participação. Se andarmos pelos corredores, já vemos bastantes produtos feitos em Angola, desde a indústria transformadora, de bebidas e alimentar. Vemos muitas indústrias e empresas nacionais a fazer uma interface entre a produção e os grandes canais de distribuição.

E quanto a componente tecnológica?

Muitas dessas empresas já surgem com uma grande componente tecnológica, a criar e a proporcionar serviços em novas plataformas modernas de retalho, embora ainda sejam empresas de comércio e serviços, mas já muito viradas para o “push up” das indústrias que estão a mostrar o seu produto.

Verificou-se uma mudança do paradigma do expositor....

Antes tínhamos um expositor que vinha para fazer comércio directo, em que a sua previsão era chegar com a mercadoria, vender e receber o seu dinheiro. Hoje, este perfil inverteu, temos expositores que vêm para investir e estabelecer parcerias, procuram os nossos programas para apostar e investir. Antes não se via isto. Esta inversão de perfil de expositor também tem sido um gráfico que tem evoluído bastante nos últimos tempos.

Porquê o lema “ Tecnologias Disruptivas como factor de Desenvolvimento Sustentável”?

É um tema pertinente. Desde o período menos bom da pandemia, as tecnologias assumiram um papel importante na comunicação e na aproximação das pessoas. Começamos a utilizar novos meios de contactos, com uma evolução muito grande, que fizeram com que empresas se aproximassem e permitindo que uma série de procedimentos internos das empresas ficassem optimizados. Houve um grande crescimento, passando por um conjunto de passos e barreiras, com estas novas tecnologias ao serviço da economia e do consumidor normal. Essas tecnologias disruptivas vêm, e não só, ajudar o desenvolvimento mais acelerado, mas também fazer com que possamos optimizar todos os processos. Achamos que deveria ser um tema que as empresas olhassem para mudar a sua abordagem e caminhar para podermos correr muito mais que os outros.

A nível de representações, quantos expositores angolanos temos nesta edição?

A maioria são expositores angolanos, temos cerca de 450 participações nacionais e o resto, cerca de 180 empresas, de participação estrangeira.

As empresas nacionais que participaram nesta edição da FILDA são exclusivamente de Luanda ou estão representadas em outras partes do País?

Temos a participação de algumas empresas oriundas de outras províncias, nomeadamente Benguela, Huíla, Namibe, Huambo, Malanje e Cabinda. Temos inclusive uma empresa que é nosso patrocinador, a BIOCOM, é de Malanje, temos um leque de participantes que vêm expor no principal centro de negócios do País. Não podemos esquecer que temos empresas do âmbito nacional, embora tenham as suas sedes em Luanda mas os outros serviços estão espalhados de Cabinda ao Cunene.

Que balanço faz desta edição, de forma geral?

Um balanço muito positivo, as expectativas foram superadas, tivemos um número muito alto de visitantes e pessoas interessados em fazer negócio, uma informação positiva dos expositores, a realização efectiva de negócios, reconhecimento e notoriedade de quem participa. Além dos negócios, verificamos também muitas marcas novas e uma saída do anonimato. Costumo dizer que a FILDA é a “Champions League” do mercado e acho que muitas dessas empresas que estão no anonimato, numa feira deste nível, dão-se a conhecer ao mercado, às autoridades, aos concorrentes e aos parceiros. Com o feedback que estamos a ter até agora, faz-nos crer que é, sem dúvidas, uma das melhores edições que realizamos.

Que desafios apontam para as próximas edições da Feira Internacional de Luanda?

Os desafios são de continuar a melhorar o nosso ambiente, continuar a proporcionar melhores condições aos nossos expositores e visitantes, além desta melhoria é necessário cada vez mais, fazer passar a mensagem que este é o principal palco para apresentarmos ao mercado as nossas ideias, negócios, produtos e fazer desta, cada vez mais, a maior bolsa de negócios do País.

Acredita que o contexto económico tem tido algum impacto na realização e na captação de expositores?

Sempre impacta! Não podemos estar desalinhados e dizer que não afecta. Os empresários têm de olhar para a participação de uma feira como um investimento, e para investirmos temos que ter recursos. É óbvio que em tempos difíceis a principal verba que é cortada, são eventos, a comunicação, publicidade. Sendo as feiras uma ferramenta de marketing directo, claramente que são afectadas, mas temos vindo a fazer um trabalho de passagem de informação a estas empresas que muitas vezes este investimento pode fazer com que façamos a inversão do quadro, identifiquemos uma solução, não só de investimento, mas também num determinado projecto ou cliente. Neste momento de arranque, pós-pandemia, os resultados têm sido positivos e esta feira é o grande resultado daquilo que tem sido este arranque nos últimos meses da nossa economia. Só nos resta continuar a trabalhar e estar empenhados para acompanhar o crescimento e tentar crescer muito mais e criarmos soluções internas.