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Ângela Bragança: “Teremos grandes cadeias internacionais de hotéis em menos tempo do que pensamos”

A titular da pasta do turismo diz que o sector está mais aberto a iniciativas privadas. É justamente com este objectivo que o País acolhe de 23 a 25 de Maio o Fórum Mudial do Turismo, que torna Luanda a segunda cidade africana a acolher este evento, depois de Acra, a capital do Gana. Espera-se que o Fórum Mundial do Turismo seja o pontapé de saída para a revolução no sector do turismo, uma vez que vão aterrar na capital angolana os players mundiais da “indústria da paz”.

Angola /
05 Mai 2019 / 11:42 H.

No quadro de uma série de reportagens que a Media Rumo tem vindo a desenvolver sobre o sector do turismo, enviámos um questionário de 12 perguntas à ministra do turismo sobre o estado actual do sector, bem como as infraestruturas criadas para a atracção de investidores privados nos Pólos de Desenvolvimento Turístico definidos há oito anos. Dois dias depois de enviarmos o questionário, fomos convocados para uma conferência de imprensa, incluindo outros órgãos, cujas questões colocadas por todos apresentamos abaixo em forma de entrevista. Durante a conferência de imprensa, que decorreu no sexto andar do terceiro edifício do Largo dos Ministérios, em Talatona, Ângela Bragança falou do Fórum Mudial do Turismo e das estatégias para atrair mais investidores privados e mais turistas no País, tendo dado a conhecer que o Parque Nacional da Quiçama estará aberto a mais iniciativas privadas.

Angola é um produto turístico. Vamos começar a vender este produto pelo Pesidencial Golf Day?

Nós não vamos começar pelo Presidencial Golf Day (PGD). O facto de o PGD ser a primeira actividade no âmbito do Fórum Mundial do Turismo que o nosso País vai acolher, não quer dizer que seja o foco da nossa acção. Como sabem, nós temos um Plano Director do Turismo que está, de certa forma, a merecer a actualização, porque é um documento de 2011 e hoje há novas perspectivas. Hoje o turismo já evolui para a via digital, portanto, estamos nesse processo de melhorar, estudar e estruturar melhor as nossas ideias nesse caminho. Dialogámos com praticantes do golf, um deles é o senhor ministro dos transportes, que já está num grande patamar do golf, e tivemos essa percepção de que qualquer deslocação no âmbito do golf é uma deslocação de famílias. É um desporto que arrasta famílias inteiras e geralmente viajam para ficarem no país onde decorre o torneio durante dois ou três dias. Enquanto uns praticam actividades desportivas, os outros passeiam, visitam spas, shoppings, museus e frequentam restaurantes. Então é todo um circuito e é essa visão do circuito que nós queremos envolver cá no País.

Mas porquê é que Angola vai realizar o PGD nesse momento?

Porque há uma oportunidade em que teremos também aqui estrangeiros com potencial de virem a investir no nosso País e é uma forma de capitalizarmos, de certa forma, a atenção para esse nicho do mercado. Contudo, estamos a trabalhar em várias direcções. Como sabem, por orientação da Sua Excelência Presidente da República, vai ser criada a Agência para a Região do Okavango, onde vão influir os ministérios do Ambiente e do Turismo e o governo provincial do Cuando Cubango. A agência vai trabalhar na captação e no acompanhamento da implementação dos investimentos naquela região.

Que outros projectos estão a ser desenhados para a região do Okavango?

Aquela é uma região onde vai ter um programa próprio no âmbito dos investimentos e no âmbito da realização dos programas com grande participação do sector privado, nomeadamente em relação à gestão de parques, instalação de lodge, organização de safaris e componentes que vão necessariamente levar o desenvolvimento aquela região, porque vai privilegiar, sobretudo, a população do Cuando Cubango de modo a retirá-la de práticas nocivas na região, como o abate de indiscriminado de árvores, a caça furtiva e a queima de grandes extensões de vegetação.

Já há interessados?

Haverá também a vertente científica. Quando dizemos que Angola é um país virgem, é virgem nesta vertente, de que há muito potencial que não está estudado. Termos, de biodiversidade, e como classificou o National Geographic, é um segredo por escrutinar, porque, de facto, há imensas potencialidades e gostaria de, inclusive, dizer que durante esta semana, quer o Ministério do Turismo, quer do Ambiente realizarão o primeiro encontro com o National Geographic para desenvolver o programa de cooperação que aprovamos no âmbito do acordo assinado recentemente.

O Plano Director do Turismo é de 2011 e previa a infraestruturação de quatro pólos. O que já foi feito o se está a fazer para a dinamização dos pólos e as sete maravilhas escolhidas pelos angolanos há cinco anos?

Temos que ser justos e dizer que não se fez muita coisa, aliás, se for a Cabo Ledo verá que está virgem. Cabo Ledo tem aquela zona de Sangano onde as pessoas fizeram casas, tem o Carpe Diem [resort] com meios próprios e não há uma acção sincronizada que permita dizer aqui é uma área reservada para um grande resort, aqui é reservada para surf ou ali é destinado a parque de campismo’. É isto que pretendemos fazer com o novo Master Plan: definir esse modo de actuação.

É o mesmo que se passa com o Pólo de Desenvolvimento Turístico de Calandula?

Exatamente a mesma coisa, mas a perspectiva é desenvolver e, como disse, com intervenção do sector privado. Os governos provinciais foram convidados a prepararem, no âmbito dos planos de desenvolvimento, integrar o turismo, que defina as áreas para o turismo. E há algumas propostas já, mas os outros ainda estão a trabalhar. Eu acho que nós temos que ser conscientes de que também não havia condições para se fazer muito mais do que se fez. O país esteve confrontado com outras realidades, não falo da guerra, mas de outras, mas agora nós temos sim que desenvolver infraestruturas.

Nesta nova fase, que infraestruturas serão priorizadas?

Por exemplo, acredito que o País lançou bases para que Calandula tenha energia, para que a Vila da Muxima tenha energia, para que Cabo Ledo tenha energia. Estas regiões já estão a passos importantes. A energia já chegou a Barra do Kwanza, temos lodges na zona da Barra do Kwanza e um que será brevemente inaugurado junto aos Mangais, que está à espera apenas da ligação de energia. Portanto, creio que é um circuito que está a ser composto. Gostaria que a comunicação social caminhasse connosco nesta dinâmica, divulgando o que está a ser feito. Disse recentemente num evento que gostaria de trabalhar com todos os jornalistas e repórteres que trabalham na área do turismo para desbravarem connosco aquilo que existe e trazerem até nós muitos elementos.

O Executivo tomou algumas medidas substanciais para facilitar a entrada de turistas no País, mas os estrangeiros dizem que persistem as mesmas dificuldades de sempre. O custo do visto de fronteira é elevado, persiste a burocracia e o mau serviço. Que medidas estão a ser tomadas ou já foram tomadas ao nível do Ministério do Turismo para acabar com estes constrangimentos?

Estamos todos recordados que a questão dos vistos foi das primeiras medidas adoptadas pelo titular do Executivo, porque de facto constituía um dos maiores constrangimentos. Vir a Angola era difícil, começava pela carta de chamada, o extracto bancário, etc. Portanto, houve uma abertura grande, foi definido um maior leque de país com isenção de vistos, mas trabalhouse e penso que o maior peso é na área da facilitação. Nós próprios também temos recebidos reclamações, relativamente a operacionalidade da plataforma. Gostaria de dizer que a nossa relação com a Serviço de Migração e Estrangeiros é muito boa, temos estado a interagir com a SME e provavelmente o SME seja um dos prelectores no fórum para poder dar essa visão da abertura que queremos no âmbito migratório, porque de facto é preciso corrigir o que está mal na dinâmica dos vistos, e dar maior dinâmica. Temos estado acompanhar a atribuição dos vistos de fronteira, estão a funcionar, a recepção na área do aeroporto é melhor, mas podemos ainda fazer muito mais se quisermos ser um país de turismo.

E sobre os preços altos praticados pelos operadores turísticos em Angola, que têm sido um dos grandes motivos para a não atracção de mais turistas?

Sobre os preços dos produtos turísticos, é uma questão que, tal como as outras, vamos continuar a ver, porque nada é perfeito, é um processo que está a ser balanceado e monitorizado para ser corrigido e, com certeza, todas as reclamações e opiniões que cheguem são positivas para aquilo que se pretende fazer em matéria de dar a flexibilidade que o titular do poder Executivo orientou. Ele já não quer ouvir esta questão de dificuldade de vistos, para ele é um problema que está resolvido. Tudo o que existe em matéria de dificuldades operativas os organismos envolvidos têm que ultrapassar.

Leia a entrevista completa na versão imprensa do jornal Mercado