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“A engenharia dará os seus inputs a diversificação económica, se a metodologia estratégica for aplicada aos planos estratégicos com cientificidade”

O docente e investigador do Center for Innovation in Territory Urbanism and Architecture CIUTA, do Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa defende que se Angola apostar no investimento a nível do ensino superior e das novas tecnologias como apostou na indústria petrolífera estaremos em condições de transformar a matéria-prima e não voltar a comprar os derivados desta para satisfazer as necessidades desta Nação.

Luanda /
23 Dez 2020 / 14:20 H.

Que avaliação faz ao investimento que o governo e as empresas têm feito no domínio da investigação científica?

Faço uma avaliação pouco ambiciosa, visto que é quase nula ou insignificante o investimento em ciência. Quando se deveria criar um estímulo ao emprego científico em Angola.

O que é impercetível para um país que se quer afirmar na sua região e no contexto das Nações.

A elasticidade intelectual carece de estímulos para criar massa crítica diferenciada, para que haja ociosidade. O que é um desperdiçar e atraso á consolidação dos alicerces do desenvolvimento.

Se Angola apostar no investimento a nível do ensino superior e das novas tecnologias como apostou na indústria petrolífera é bem verdade que estaremos em condições de transformar a matéria-prima e não voltar a comprar os derivados desta para satisfazer as necessidades desta Nação.

Como é que estes indicadores podem ser melhorados?

Os indicadores, somente é possível serem invertidos se houver uma tomada de consciencialização na lógica de pensar e nos iluminar, e, isso só é possível com o aumento dos projectos de investigação cientifica e desenvolvimento tecnológico com uma visão prospectiva de futuro num contexto de interdependência e não o contrário. Porque a lógica da caridade do conhecimento científico não é a solução, pela exposição ao perigo e a segurança Nacional.

Nos seus mais diversos ramos, como a engenharia pode contribuir para a resolução de problemas como a diversificação da economia e o aumento das exportações?

A engenharia dará os seus inputs a diversificação económica, se a metodologia estratégica for aplicada aos planos estratégicos com cientificidade.

Para que haja aumento das exportações é preciso satisfazer primeiro o consumo interno e criar condições que satisfaçam os critérios de qualidade das espacialidades territoriais que se pretenda exportar com o intuito de concorrência.

Entretanto, a diversificação económica é mais uma questão holística macroeconómica plural, já que tudo é concretizável. Vontade, querer, não é suficiente quando a tomada de decisão não é criteriosa e as políticas públicas são vazias por estrangular ou por vicio dos entes, critérios pouco claros e grelhas de avaliação injustas que torna o tecido empresarial a busca da venda segura garantindo à prestação de serviços ao Estado, quando o foco deveria ser os milhões de angolanos e a competitividade nos mercados externos.

Como as engenharias podem contribuir para a criação de políticas voltadas para, Industrialização; Agricultura; Desenvolvimento urbanístico; Digitalização dos serviços e simplificação de processos?

O contributo das engenharias dependerá das políticas públicas que tendam a investimentos técnico-científicos com a implementação de actividades de investigação e desenvolvimento, as chamas (I&D) como papel estratégico.

A ausência clara e inequívoca de um maior contributo das engenharias é o estado da matriz de princípios de políticas e medidas de políticas e acções das directrizes que orientam o funcionamento e o desenvolvimento que se pretenda.

É evidente que o campo elástico das engenharias não é indutor no melhoramento constante das políticas públicas sectoriais por não haver um espaço desejável para crescer que torne plural às instituições como a Ordem dos engenheiros e outras associações afins como valor acrescentado.

O investimento tecnológico e a capacitação dos quadros agropecuários é uma questão de segurança Nacional por muitas das vezes não sabermos o que se nos oferece, como se confeciona.

Como olha para a questão da formação de quadros no ramo das engenharias em Angola?

A formação de quadros no ramo das engenharias deve ser multiescalar, interdisciplinares e transversais a diversos domínios para que os engenheiros nacionais estejam alinhados nesta matéria e a altura da concorrência global. O que tenderá a uma grelha curricular integral voltada para o campo teórico prático, com a integração de cursos profissionalizantes e um modelo de estágios modelados, que tende um perfil de saída, que, seja mais talhado.

Então como podemos escalar o ensino em Angola e as novas tecnologias com um elevado grau de penetração?

Isto só é possível se o estado equacionar e ver potencial nas universidades e tornando-as mais credíveis, com parcerias.

Sendo um vector importante as dinâmicas do ensino Superior na cadeia de valor, podemos fazê-lo com a formação técnico profissional, parcerias com entidades para estágios universitários que ajudariam na vertente teórico-práctica;

Criação de um programa de acções de sensibilização que crie e identifique tecnologias e conhecimento produzidos na Comunidade Académica em Angola com possibilidade de valorização económica devem ser mensuradas na sua plenitude;

Acha que o mercado tem oferta ou procura suficiente a integração desses quadros?

O mercado da procura e da oferta esta intrinsecamente ligado a economias funcionais integral por ser um campo elástico com vectores escalares à flutuação da demanda multinível.

O actual currículo académico está formatado para as tendências de inovação que o sector das engenharias a nível global precisa?

A sensibilidade interpretativa, o défice e a prática de conhecimento crítico faz com que a ideia de mercado globalizado com economias instáveis, concorrência, tecnologia, há não instarem as universidades ao desafio da inovação resiliente para melhorar os cenários macroeconómicos.

Para o efeito, aceitável e recomendável a actualização dos currículos porque a investigação e inovação é transformar conhecimento e o caminho para superação. O que é exigível um conjunto de cenários que satisfaçam esta métrica até 2022.

Sobre a construção do metro de superfície, que vai unir o porto de Luanda à centralidade do Kilamba, que termos técnicos e científicos devem ser levados em conta, atendendo às características de Luanda?

Para construção de uma linha metroviária de superfície é curial realizar o estudo do sistema de metro de superficie alinhado com os transportes públicos colectivos e suas complementaridades, no desenvolvimento e transformação da Polis com: Estudo prévio; Estudo de viabilidade; estudo consolidado; Estudo optimizado; Soluções de implementação; Desenvolvimento do projecto; Ensaio do sistema.

Quanto as características de Luanda deverá obedecer os princípios para construção das linhas viárias de superfície a seguir: Versatilidade nas configurações urbanas; Flexibilidade de traçado das linhas; Funcionalidade das redes; Instalação por etapas; Facilidade de integração no tecido urbano sem grandes fraturações; Redução da carga cognitiva; Estar desenhado para um cenário de constantes crescimentos de volumes de tráfego; Reduzir a precaridade; Oportunidades de negócio; Um volume de expropriação por utilidade pública gigantesco; Quartar o máximo isolamento excessivo das áreas circunvizinhas; Elaborar uma legislação que confira as condições de construção-gestão-manutenção.

Quanto às estradas do País, como olha para a localização, priorização e a situação das mesmas?

Deve observar a integral de politica pública de mobilidade e o desenvolvimento das escalas dentro de uma visão prospectiva de futuro.

Quanto a qualidade dos critérios e exigências são universais e alinhado com as especificações geológicas de contexto e as metodologias de construção.

Com as autarquias quiçá prenderá se conseguir encontrar o caminho do equilíbrio da construção - gestão do trafego – manutenção das vias e suas complementaridades técnicas.

O modelo de centralidades adoptado pelo governo foi a melhor solução para atender a problemática da habitação no País?

Como participe na ajuda a tomada de decisão do grupo técnico do GRN, só suspeito para dizer o contrário. Más centramos a nossa visão a contextos e experiências do urbanismo sustentável, que mensurou o aumento da sustentabilidade por meio da densidade urbana, controlando a dispersão, permitindo reduções descriminadas no uso per capita de recursos á exemplo das infraestruturas básicas, o impacto sobre o solo, o escoamento pluvial e uma densidade que sustenta-se o transporte público de futuro.

Os engenheiros de construção civil reclamam a inserção nas grandes empreitadas nacionais, no que concerne ao PIIM qual acha que deveria ser a participação desta franja?

A narrativa deve ser o incremento e potencialização das Empresas Nacionais, por ser ela que gera empregos e propicia o aumento da prática e desenvolvimento da engenharia e dos engenheiros Nacionais.