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“A China está confiante na capacidade de Angola honrar as suas dívidas”

Segundo o representante máximo da segunda maior economia do mundo, a China implementou a DSSI do G20 e apoiou o consenso do G20 sobre a extensão da iniciativa de alívio da dívida até o final do ano. O Export-Import Bank of China e o Ministério das Finanças chegaram a um acordo de mitigação da dívida, além disso, o China Development Bank e o ICBC seguiram também a iniciativa de mitigação da dívida e chegaram a um acordo com Angola.

Luanda /
11 Mar 2022 / 12:32 H.

Que balanço faz das relações Angola e China em 2021?

2021 Marca um ano de consolidação, superando as dificuldades. No sector político, celebramos juntos com amigos de Angola o centenário do Partido Comunista da China, e o Presidente João Lourenço enviou carta de congratulação. Durante a 8ª Conferência Ministerial do Fórum de Cooperação China-África (FOCAC), os ministros das Relações Exteriores China-Angola mantiveram conversas cordiais a nível bilateral.

No sector da luta anti-COVID-19, a China foi o primeiro a fornecer a Angola grande volume de material biossegurança e mais de 10 milhões de doses de vacina chinesa anti-COVID-19, tornando-se um importante parceiro externo de Angola na luta contra a pandemia.

No sector económico e comercial, a China continua a ser o maior parceiro comercial de Angola, a maior fonte de investimento directo do País e um importante parceiro de infra-estrutura. A China implementou activamente a DSSI do G20 e apoiou o consenso do G20 sobre a extensão da Iniciativa de alívio da dívida.

No sector multilateral, China e Angola tiveram maior união e cooperação na cena internacional, na salvaguarda dos direitos legítimos e interesses mútuos, o qual não apenas manifesta a tradicional amizade, como também um elevado grau de confiança política mútua entre as duas partes.

O discurso do Presidente Chinês Xi Jinping intitulado de “juntos no mesmo barco, levar o passado para a frente e construir a comunidade China-África com um futuro compartilhado na nova era” por ocasião da 8ª Conferência Ministerial do FOCAC, apontou a direcção para o desenvolvimento das relações China e Angola no futuro.

Qual é o saldo das trocas comerciais entre os dois países?

Em 2021, o comércio bilateral entre a China e Angola ascendeu para 23,34 mil milhões USD, registando um aumento homólogo de 41,4%. A importação da China proveniente de Angola foi 20,85 mil milhões USD, e a exportação da China para Angola foi 2,49 mil milhões USD, um aumento de 42.6% e 41,3% respectivamente. Perante a pandemia COVID-19 e a situação económica mundial complicada, esse resultado não foi fácil.

Nos últimos anos, a China e Angola têm continuado a ajudar um ao outro a promover o desenvolvimento no aspecto socioeconómico. A cooperação económica e comercial China-Angola tem uma base forte e é altamente complementar. As cooperações bilaterais amistosas têm sido continuamente consolidadas e desenvolvidas, formando verdadeiramente um padrão de convergência de interesses, trazendo benefícios tangíveis para os povos.

Quais produtos os angolanos mais importam da China?

As principais categorias de produtos exportados da China para Angola incluem automóveis e peças sobressalentes, produtos de mobiliário, produtos electromecânicos, etc.

Além do petróleo, o que a China importa de Angola?

Além do petróleo, os produtos mais importados pela China incluem combustíveis, minerais, óleo mineral e os seus derivados, asfalto, sal, enxofre, pedra, lima, cimento, produtos de madeira, carvão vegetal, produtos de materiais minerais, entre outros.

A China apoia activamente a diversificação das exportações angola, a fim de promover a exportação de produtos não petrolíferos. A China convidou Angola a participar da Expo Económica e Comercial China-África e China International Import Expo e anunciou a implementação de tarifas zero à 98% dos produtos angolanos.

Está disposta a trabalhar com Angola para criar um bom ambiente de cooperação entre as empresas dos dois países, expandir constantemente os campos de cooperação, inovar métodos, promover a transformação e actualização da cooperação económica e comercial China-Angola, com o fim de promover o desenvolvimento comum.

Quantas empresas chinesas operam em Angola?

As empresas chinesas em Angola são, principalmente, os membros da Associação das Empresas Chinesas em Angola, que neste momento possui mais de 60 empresas associadas. Além disso, também há várias empresas que ainda não aderiram à esta Associação.

Neste quesito, que áreas os empresários chineses preferencialmente investem no País?

As áreas de actuação das empresas chinesas em Angola são amplas, incluindo infra-estrutura, informação e comunicação, tecnologia, agricultura e pesca, recursos energéticos e minerais, finanças, logística, produção industrial, serviços, etc.

Que dificuldades os empresários chineses têm apresentado?

Actualmente, a pandemia da Covid-19 tem provocado desafios para as empresas chinesas. Segundo essas empresas, comparado com outros países africanos, Angola tem muitos procedimentos administrativos de aprovação e demora muito tempo, nomeadamente o procedimento para obter o visto de trabalho de Angola, que afecta os seus funcionários a trabalhar aqui.

Angola é um bom mercado para o investimento chines?

Sim, a China atribui grande importância e está optimista quanto ao desenvolvimento de Angola.

Como olha para o ambiente de negócios em Angola?

Angola é um país com uma vasta área territorial, mais de 1,2 milhão de quilómetros quadrados, com solo fértil e cheia do sol. Angola tem recursos naturais abundantes, tais como petróleo, gás, diamantes e metais não ferrosos. Angola tem muitos jovens. A ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, me disse que mais da metade da população angolana tem menos de 18 anos.

Vale a pena realçar que o transporte angolano é conveniente em África, as condições como aeroportos, portos e estradas incluindo o “Corredor do Lobito” são relactivamente avançadas, o qual pode irradiar para os mercados dos países vizinhos e aumentar o seu próprio valor de investimento

Recentemente, tomamos nota de uma notícia na imprensa angolana, reportando que o ranking do ambiente de negócio de Angola subiu para 9º lugar entre os países africanos, o que mostra que, em comparação com a maioria dos outros países africanos, Angola é atraente para os investidores.

Estamos felizes em ver que nos últimos anos o governo angolano tem apostado nas reformas e na abertura do mercado, adoptando diversas medidas para melhorar o ambiente de negócio, incluindo diversificação económica, Programa das Privatizações, revisão da Lei de Investimento Privado, que já alcançaram resultados.

A parte chinesa presta atenção à cooperação de investimento com Angola e tem a disponibilidade em promover mais empresas chinesas a investir em Angola, para contribuir mais para o desenvolvimento socioeconómico de Angola. Ao mesmo tempo, espera-se que a parte angolana possa continuar a aprofundar as reformas e alargar a abertura, criar um ambiente de negócio melhor na base existente, resolver as dificuldades e problemas dos investidores em tempo hábil, e atrair mais investidores a Angola.

E no geral, que avaliação faz da economia angolana?

Segundo as instituições financeiras e consultoras internacionais de rating, Angola já recuperou da recessão que teve por cinco anos consecutivos e está a retomar o crescimento, resultado do aumento do preço do petróleo e dos efeitos das reformas estruturais que o Governo tem implementado. Nós temos boa perspectiva sobre a economia angolana e depositamos sempre confiança na cooperação económica e comercial China-Angola.

Até ao momento, quanto a China já investiu em Angola?

De acordo com estatísticas “incompletas”, até agora, os diversos investimentos das empresas chinesas em Angola ultrapassam 20 mil milhões USD. Os dois países estão a intensificar as negociações sobre o acordo bilateral de protecção do investimento, que irá criar melhores condições para atrair mais empresas chinesas a investir em Angola.

A China é o principal credor de Angola, os últimos dados do BNA apontam que a dívida de Angola com a China está avaliada em 21,6 mil milhões USD. Como está a correr o processo de negociação da dívida?

De acordo com estatísticas preliminares, a cooperação de financiamento China-Angola tem alcançado resultados notáveis, apoiando mais de 340 projectos de construção, e desempenhando um papel activo no apoio à reconstrução Pós-guerra, melhoria das infra-estruturas e desenvolvimento económico e social de Angola. Sobre a dívida entre a China e Angola, recomenda-se consultar os dados divulgados pelo Ministério das Finanças de Angola.

A China tem sempre defendido a visão correta de justiça e interesse em lidar com empréstimos, alívio da dívida e outras questões relevantes com os países africanos, e tem usado acções “práticas” para incorporar o conceito de os princípios de “sinceridade, efectividade, afinidade e boa fé”.

A China implementou activamente a DSSI do G20 e apoiou activamente o importante consenso do G20 sobre a extensão da iniciativa de alívio da dívida até o final do ano. O Export-Import Bank of China e o Ministério das Finanças angolano chegaram a um acordo de mitigação da dívida, além disso, o China Development Bank e ICBC seguiram também a iniciativa de mitigação da dívida a tomar acções, e chegaram a um acordo com o lado angolano.

Gostaria de salientar que a China nunca atribuiu quaisquer condições políticas aos países africanos na operação de financiamento, e nunca fez qualquer “forçar o pagamento da dívida”. A China está confiante na capacidade de Angola para honrar as suas dívidas. Aliás, se você tomar nota nas minhas palavras sobre o valor anual de exportação de Angola para a China, prometo que vai deixar de pensar que a dívida bilateral China-Angola seja um problema grave.

A China é uma economia que cresce exponencialmente e consistentemente, e actualmente figura entre as três maiores economias do planeta, fruto de reformas que levaram o país ao patamar em que se encontra. Como olha para as reformas que Angola está a implementar?

O desenvolvimento económico tem o carácter cíclico que reflecte a lei objectiva. Percebemos que os cálculos da economia angolana e do PIB demonstraram uma tendência decrescente por cinco anos consecutivos. Porém, também notamos que a estrutura económica angolana se alterou durante este processo, a dependência de petróleo tem diminuído ano a ano, enquanto o ambiente de negócios tem evoluído de forma constante. Tudo isto vai consolidar bons alicerces à economia angolana após retomar o crescimento.

Actualmente, a COVID-19 continua a alastrar e o crescimento económico mundial é fraco. Vários factores de instabilidade e incerteza estão a aumentar. Por mais que mude o ambiente externo, China e Angola são sempre irmãos e parceiros. A China apoia Angola na exploração independente de um caminho de desenvolvimento que se adapte às suas próprias condições nacionais, e está optimista com as perspectivas de desenvolvimento angolano, sempre confiante no futuro desenvolvimento da cooperação China-Angola.

Está disposta a trabalhar com Angola para prevenir e controlar os riscos, promover de forma constante o desenvolvimento saudável e sustentável da cooperação China-Angola e levar a parceria estratégica China-Angola para um patamar mais elevado.

A China está a construir um novo padrão de desenvolvimento, tendo o grande ciclo doméstico como elemento principal e os ciclos duplos doméstico e internacional se promovendo. Angola continua a apostar na estratégia de reforma, abertura e diversificação económica.

A cooperação China-Angola encontra novas oportunidades de desenvolvimento. A 8ª Conferência Ministerial do Fórum de Cooperação China-África (FOCAC) foi solenemente inaugurada em Dakar, no Senegal em 2021, coincide com o calendário que vai apontar os rumos para o desenvolvimento económico e comercial de alta qualidade e sustentável da cooperação China-África e China-Angola.

O que podemos esperar das relações entre os dois países nos próximos anos?

O ano 2023 marca os 40 anos do estabelecimento das relações diplomáticas China-Angola. O relacionamento entre os dois países passou por fases de desenvolvimento, semeadura e colheita, sobre o qual merece resumir, rever, ajustar e valorizar.

Embora a conjuntura económica mundial, especialmente a pandemia Covid-19 tenha trazido muitos desafios às relações China-Angola, a tendência de contínuo aprofundamento da cooperação bilateral e integração de interesses comuns não mudará. Nos próximos anos, com a melhoria da situação geral e o próprio desenvolvimento de Angola, dará início a um período de forte avanço.

Angola é bom irmão, bom amigo e bom parceiro da China. A China sempre presta elevada importância à partilha da sua experiência com Angola, e tem sempre defendido a visão correcta de justiça e interesse e incorporado os princípios de “sinceridade, efectividade, afinidade e boa fé”.

Nos próximos anos, a China irá realizar intercâmbios de governação e administração do Estado com Angola, partilhar a experiência chinesa em reforma e abertura, conferir vantagens complementares no domínio da economia, comércio e investimento, implementar os resultados da 8ª Conferência Ministerial do FOCAC , fortalecer a comunicação e coordenação em todos os níveis de governo e planear a direcção da cooperação de campo, incentivar o intercâmbio e a cooperação entre empresas industriais e comerciais, fornecer mais conveniência e suporte, para benefício mútuo e resultados em que ambos ganham.

Que projectos a China tem para implementar em Angola?

Angola é um país importante em África, e também o parceiro estratégico da China neste continente. O governo chinês presta alta importância nas relações bilaterais e tem apoiado e encorajado as empresas chinesas a desenvolver cooperação mutuamente benéfica em Angola, participar no processo da reconstrução nacional, cumprir as responsabilidades, contribuir para mais postos de trabalho locais e tributação, e formar mais técnicos locais.

As empresas chinesas têm projectos estruturantes nas diversas áreas, incluindo o projecto de doação do CINFOTEC Huambo, Barragem Caculo Cabaça, Novo Aeroporto Internacional de Luanda. Além disso, as empresas chinesas estão interessadas nos projectos de Concessão do Caminho de Ferro de Benguela, Porto de Lobito e Metro Superfície de Luanda, bem como os investimentos na agricultura, pesca, aquicultura, exploração de cobre e produção de clínquer.

Qual é o número da comunidade chinesa em Angola e que dificuldades apresentam?

Actualmente, o número da comunidade chinesa em Angola ronda entre 20 mil a 30 mil pessoas, principalmente com dificuldades de comunicação e segurança pública.

Este ano Angola realiza as eleições gerais. Como olha para o actual clima político e social?

A China não interfere nos assuntos internos de outros países, e espera que as eleições gerais em Angola se realizam sem sobressaltos, e está disposta a cooperar activamente com o Governo eleito de Angola, com o fim de implementar em conjunto os “nove programas” da 8ª Conferência Ministerial do Fórum de Cooperação China-África, incluindo a China oferecer um adicional de milhões de doses de vacinas, abrir “corredores verdes” para a exportação de produtos agrícolas angolanos para a China, oferecer financiamento comercial para apoiar as exportações e as PME. Como a China e Angola estão a ajudar um a outro e promover o desenvolvimento nos aspectos socioeconómicos, não só aumentando a força global dos países em desenvolvimento, mas também contribuindo para a prosperidade e estabilidade do mundo.