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Uma solução estratégica para a inclusão financeira em Angola

Numa perspectiva concorrencial, destas soluções, importa destacar que o E-Kwanza tem registado um crescimento considerável, e, de acordo com os dados publicados na imprensa, já conta com mais de 100 mil clientes e mais de 4 mil milhões de kwanzas transacionados em 2020.

Luanda /
06 Set 2021 / 12:16 H.

O Sistema Financeiro Angolano (SFA) vem registando uma nova dinâmica com o compromisso de garantir mais inclusão financeira, principalmente das populações das zonas rurais. À semelhança de muitos países africanos, particularmente da região da SADC, Angola tem procurado aumentar o nível de acesso da população aos produtos e serviços financeiros através de um conjunto de medidas do Banco Nacional de Angola (BNA).

O Inquérito do Grupo Banco Mundial sobre a Capacidade Financeira em Angola (2019) demonstra que existem mais de 9 milhões de adultos angolanos sem uma conta (entenda-se conta bancária) numa instituição financeira. O mesmo estudo caracteriza esta camada da população como sendo aquela que tem um rendimento abaixo da média, vivendo numa condição de pobreza, e com elevada taxa de analfabetismo. No âmbito desse Estudo, quando questionadas sobre as razões para não possuírem conta bancária, estas pessoas consideram que existem 5 principais barreiras à abertura de uma conta formal, nomeadamente: (i) “Dinheiro insuficiente” (29% dos inqueridos); (ii) “Documentação insuficiente” (18% dos inqueridos); (iii) “Não sei abrir” (12% dos inqueridos); (iv) “Prefiro dinheiro” (11% dos inqueridos); e (iv) “Estão muito longe” (10% dos inqueridos).

De acordo com o Inquérito sobre Acesso Financeiro do Fundo Monetário Internacional (FMI), em 2019, Angola ocupava a última posição na SADC relativamente ao número de contas de mobile Money (MM) por 1.000 adultos, demonstrando que o notável crescimento registado no número de contas MM (passou de 0.14, em 2015, para 12.26, em 2019) e o volume de transacções de MM em % do PIB (passou de 0,0006 em 2015 para 0,26 em 2019) nos últimos 5 anos, não foi suficiente para alterar esta posição que o país ocupa desde 2015.

Apesar de Angola registar um crescimento no número de utilizadores de telemóvel nos últimos anos - dados de 2019 apontam para 14.8 milhões utilizadores -, abrindo espaço para a promoção da inclusão financeira através de produtos digitais, em 2019, o país ocupava a última posição na SADC quanto ao número de assinaturas de telemóvel por 100 habitantes.

A nova Lei do Sistema de Pagamentos do BNA criou o ambiente regulatório possível para o surgimento de soluções digitais (plataformas de pagamentos móveis) que têm sido promovidas por Empresas já estabelecidas, como é o caso do BancoBAI (com o produto/ solução E-Kwanza), do BancoSol (com o produto/solução E-Kumbu), e da UNITEL (com o produto/ solução UNITEL MONEY), e por Startups promissoras, como é o caso da LWEI e da AKIPAGA, ambas em fase de teste.

Numa perspectiva concorrencial, destas soluções, importa destacar que o E-Kwanza tem registado um crescimento considerável, e, de acordo com os dados publicados na imprensa, já conta com mais de 100 mil clientes e mais de 4 mil milhões de kwanzas transacionados em 2020. Entretanto, o UNITEL MONEY, recém-chegado ao mercado, apresenta vantagens competitivas potenciais e poderá ocupar uma posição dominante neste segmento a curto/médio prazo, com a optimização de reDR E-Kwanza tem registado um crescimento considerável, e, já conta com mais de 100 mil clientes cursos e capacidades (rede de lojas; assinaturas/clientes de telemóvel; etc).

A entrada de novos players (mais plataformas de serviços de pagamentos), que continuarão a trazer consigo alguma sofisticação para dentro do SFA, aumentará o nível de intensidade competitiva neste segmento. Com o passar do tempo, a base tecnológica e as funcionalidades destas soluções (fazer depósitos; enviar dinheiro; fazer transferências; fazer levantamentos; consultar saldos e movimentos; etc) deixarão de ser uma fonte de vantagem competitiva pura, e pesarão mais aspectos relacionados com a Força da Marca, o Pricing, os Canais, o Modelo de Parceria, a Estratégia de Diversificação de Produtos e Clientes, a Aceleração do Mercado, etc, etc.

Quer a necessidade de inclusão financeira das populações, quer a sofisticação do SFA deve continuar no topo da agenda das prioridades do regulador, e com recurso aos métodos prospectivos este deverá identificar o timing mais oportuno para flexibilizar, ainda mais, o ambiente regulatório para facilitar o surgimento de novos produtos financeiros por via deste tipo de plataformas (exemplo, produtos financeiros como: Gestão de Activos; Financiamento e Crédito; entre outros).