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Turquia continua a trabalhar para ser alternativa ao gás natural para a Europa

O presidente turco Recep Erdogan incitou os seus homólogos do Azerbaijão e do Turquemenistão a “começar a trabalhar na transferência de gás natural dos seus países para os mercados ocidentais”.

Luanda /
15 Dez 2022 / 08:40 H.

Azerbaijão e Turquemenistão podem juntar-se num trio de produtores interessados em fazer chegar o seu gás à Europa. Em paralelo, a Rússia continua interessada na criação de um hub na parte europeia da Turquia.

O presidente turco Recep Erdogan incitou os seus homólogos do Azerbaijão e do Turquemenistão a “começar a trabalhar na transferência de gás natural dos seus países para os mercados ocidentais”. Erdogan, o presidente do Azerbaijão Ilham Aliyev e o líder turcomano, Serdar Berdymukhamedov, reuniram na cidade de Awaza, no oeste do Turquemenistão, para tratar de medidas para aprofundar ainda mais a cooperação entre os três países em várias áreas (comércio e transportes), mas com a questão energética no topo da agenda.

O presidente turco disse que os três países precisam de começar a trabalhar no transporte de gás natural turcomano para os mercados ocidentais. “Estamos prontos para cooperar com os nossos irmãos turcomanos e azerbaijanis nos campos no mar Cáspio. Além disso, atribuímos importância ao desenvolvimento do comércio mútuo de electricidade entre os nossos países na nossa região”.

No meio das sanções europeias ao fornecimento de petróleo russo e à crescente importância de fontes alternativas de energia como o gás natural, a Turquia tem estado na vanguarda, com os líderes russo e turco a discutirem várias vezes a ideia de o país se tornar um centro de gás natural. Neste quadro, o contributo das restantes repúblicas da região só pode aumentar a qualidade (e a quantidade) da oferta.

Entretanto, os jornais turcos afirmam que Moscovo continua interessada em criar um centro de gás natural na Turquia (na pequena parte que o país ocupa na Europa, nos confins dos Balcãs), de acordo com a última declaração do vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Alexander Grushko, esta terça-feira. “A ideia está absolutamente em cima da mesa e esperamos que seja implementada”, disse à agência de notícias russa RIA, enfatizando que o acordo “será do interesse de todos, tanto produtores como consumidores de gás”.

Sobre esta matéria, a União Europeia – que se tem desdobrado para encontrar fontes alternativas para a compra de gás natural – ainda nada disse. Mas comprar gás russo vendido pela Turquia não parece ser uma forma de cumprir o embargo que a própria União decidiu implementar.

“E claro para todos os economistas racionais que o gás continuará a ser a principal fonte de energia por muitos anos, mesmo que se esteja em período de transição”, disse Grushko. “Portanto, precisamos de estabilidade na oferta, estabilidade na procura, estabilidade no trânsito, estabilidade no clima legal em que as transacções são conduzidas e estratégias energéticas”, acrescentou.

Um dos problemas do sistema tripartido é que uma parte do percurso de exportação do gás passa por terras que a Arménia considera suas – e estão no âmago da guerra em Nagorno-Karabakh: o corredor de Zangezur, cujas obras devem ser concluídas em 2024.