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Standard Chartered confirma abandono total das operações em Angola mas banco continua a operar

O Standard Chartered Bank Angola é fruto de um Joint Venture entre o Standard Chartered Bank (UK) (60%) a ENSA (40%), que por sua vez é detida 100% pelo Estado Angolano e está em processo de privatização. Além de Angola, o Banco vai abandonar as operações onshore nos Camarões, Gâmbia, Jordânia, Líbano, Serra Leoa e Zimbabué.

Luanda /
25 Abr 2022 / 14:45 H.

O Standard Chartered Bank Group afirmou ao Mercado que está a analisar uma série de opções de desinvestimento, entre as quais, a saída total das operações em Angola. O banco dará início a um processo de venda em tempo oportuno.

“A decisão do Standard Chartered Bank Group de alienar o seu interesse comercial em Angola está em linha com o novo modelo de negócio e o reposicionamento estratégico do grupo, que implica um desinvestimento numa série de países africanos, incluindo em Angola e em alguns países no Médio Oriente”, disse o banco ao Mercado.

O grupo afirma que está a trabalhar em conjunto com os seus parceiros em Angola para identificar potenciais investidores para a aquisição das suas acções no Standard Chartered Bank Angola.

Porém, explica que “o desinvestimento não terá impacto nas operações do Standard Chartered Bank Angola, uma vez que o banco vai continuar a funcionar normalmente”.

Para além de Angola, a instituição financeira britânica com sede em Londres vai abandonar as operações onshore nos Camarões, Gâmbia, Jordânia, Líbano, Serra Leoa e Zimbabué, bem como o portefólio de banca a retalho (CPBB) na Costa do Marfim e Tanzânia, para se concentrar apenas na banca para empresas (CCIB).

O Standard Chartered Bank Angola é fruto de um Joint Venture entre o Standard Chartered Bank PLC (UK) que detém 60% do capital social do banco através da sociedade Standard Chartered Holding África e a Empresa Nacional de Seguros de Angola (ENSA) que detém os restantes 40% do banco, que por sua é detida pelo Estado angolano. A ENSA consta da lista dos activos e participações do Estado que devem ser privatizadas ainda este ano. A meta era o IGAPE privatizar 51% da ENSA em Dezembro de 2021.

Questionados sobre a data da saída efectiva do mercado nacional o banco respondeu: “Estas retiradas vão demorar algum tempo a serem concluídas e estão sujeitas às aprovações regulamentares aplicáveis. Será iniciado um processo de venda em tempo oportuno; as operações vão continuar normalmente até que seja concluída qualquer venda”.

O banco esclarece que o processo ainda está na fase inicial e que o Banco Nacional de Angola assegura aos seus clientes e ao público que o Standard Chartered Bank Angola é um banco bem gerido, com elevada liquidez e devidamente capitalizado, que vai continuar a operar normalmente em conformidade com os requisitos regulamentares do banco central.

Segundo o banco, está a acelerar a sua estratégia para melhorar a eficiência, reduzir a complexidade e aumentar a escala e está a redirecionar recursos na região de África e do Médio Oriente (AME) para as áreas com maior potencial de escala e crescimento.

De prejuízos a Lucro em 2021

De acordo com o balancete do quarto trimestre do ano passado, o banco recuperou de um prejuízo de 21,2 milhões Kz para lucros de 6,7 mil milhões Kz em 2021, o maior lucro desde que começou a operar no mercado angolano.

Em 2014, o banco registou prejuízos na ordem de 1,5 mil milhões Kz. Em 2016 a instituição financeira britânica saltou para os lucros, ao registar um resultado líquido positivo na ordem dos 180,9 milhões Kz, trajectória positiva que terminou em 2019 quando obteve prejuízos de 821,6 milhões em 2019.

Actualmente, o Standard Chartered Bank Angola tem um activo avaliado em 54,2 mil milhões Kz e um passivo de 38,5 mil milhões Kz.

O Standard Chartered Bank Group tem sede em Londres, com operações em mais de 70 países, com uma rede de mais de 1.700 agências e emprega 73 mil pessoas.