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Rússia prevê plano de relançamento de 65 mil milhões de euros

Autoridades admitem uma queda do PIB de 9,5% no segundo trimestre e de 5 a 6% no conjunto do ano de 2020.

Luanda /
02 Jun 2020 / 22:00 H.

O primeiro-ministro russo, Mikhail Mishustin, avaliou hoje em 5 biliões de rublos (65 mil milhões de euros) o plano de relançamento da economia, atingida pela pandemia do novo coronavírus.

O plano destina-se a “estabilizar a situação” até ao final do corrente ano, para garantir se seguida “nos terceiro e quarto trimestre de 2021, um crescimento estável da economia”, referiu no decurso de uma reunião em videoconferência com o Presidente Vladimir Putin transmitida pela televisão.

Para além de um estímulo à economia, o plano que deverá ser aplicado até ao final de 2021 também se destina a aumentar os rendimentos da população e reduzir o desemprego. O encerramento parcial da economia em finais de Março para conter a pandemia implicaram uma forte quebra na produção daquele país, atingido pela queda abrupta dos preços do petróleo.

O plano está longe dos montantes desbloqueados na União Europeia e Estados Unidos, mas não deixa de ser significativo para a Rússia. Mishustin indicou que o plano de relançamento consiste em “cerca de 500 medidas concretas”, que não revelou os detalhes.

O primeiro-ministro também não esclareceu como será organizado o financiamento, e quando até ao presente a Rússia evitou recorrer às reservas, avaliadas em 130 mil milhões de euros do Fundo soberano, constituído nos últimos anos devido aos preços favoráveis do petróleo.

Para além das promessas em “assegurar o restabelecimento do emprego e dos rendimentos” dos russos, Mishustin também prometeu “mudanças estruturais a longo prazo” para a economia russa.

As autoridades admitem uma queda do PIB de 9,5% no segundo trimestre e de 5 a 6% no conjunto do ano de 2020. Esperam que a economia regresse ao nível anterior à crise a partir de 2022. Em paralelo, e ao organizar em 01 de Julho o grande referendo constitucional, Putin pretende assinalar um rápido regresso à normalidade, após o parêntesis do coronavírus e retirar argumentos às vozes críticas.

“Regressamos à vida normal”, afirmou na segunda-feira o Presidente russo, ao anunciar o calendário do voto popular sobre as emendas à Constituição e que, designadamente, lhe fornecem a possibilidade de se manter no poder até 2036, quando cumprir 86 anos.

Alguns dias antes, Putin ordenou a para 24 de Junho a celebração de outro grande acontecimento, o grande desfile militar que deveria ter decorrido em 09 de Maio para celebrar a vitoria soviética sobre os nazis.

Segundo um estudo de opinião hoje publicado pelo instituto independente Levada, dois em três russos referiram que vão votar, com 44% a pronunciarem-se pela reforma, contra 32% que se opõem.

No entanto, a revisão constitucional também inclui medias populares: instauração de um salário mínimo, indexação às reformas, ou ainda definição do casamento como uma união heterossexual.

A popularidade de Putin mantém-se elevada (63% de opiniões favoráveis), mas segundo a Levada perdeu 20 pontos em dois anos. O líder do Kremlin pretende associar o principal projecto para 2020 ao que define como um sucesso da política de combate à pandemia: 5.037 mortos pela COVID-19, e não em dezenas de milhares como na Europa ocidental.

A Rússia iniciou o fim do confinamento de forma gradual a partir de 12 de Maio. Moscovo, a capital e epicentro da epidemia, apenas reabriu o comércio na segunda-feira, o dia do anúncio da data do referendo. A Rússia ainda regista 8.000 a 9.000 novos casos diários, num total de 425.000, o terceiro a nível mundial.