Renúncia no Banco Mundial causa receios entre analistas

A renúncia do presidente do Banco Mundial (BM), Jim Yong Kim, na segunda-feira, tende a dar ao Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, uma enorme influência sobre as decisões de crédito ao desenvolvimento, pondo de parte os países que têm sido críticos em relação à sua Administração.

EUA /
14 Jan 2019 / 13:17 H.

Num artigo publicado a seguir ao anúncio da renúncia, a agência francesa de notícias AFP considera que, depois de transformar a Presidência dos Estados Unidos, as alianças tradicionais, as relações comerciais e o Tribunal Supremo, o Presidente norte-americano pode ter agora a oportunidade de influenciar uma instituição capital da engrenagem internacional, sobretudo no acesso de países como a China a empréstimos preferenciais.

Mas se o Presidente Donald Trump quiser um norte-americano na liderança do Banco Mundial, terá que conseguir um candidato que obtenha o apoio da maioria dos países accionistas, no que “certamente terá muitos concorrentes”.

Como principal accionista da instituição, os Estados Unidos sempre controlaram a eleição do presidente do Banco Mundial, um cargo ocupado há 75 anos por norte-americanos, com apoio dos países europeus.

Ao abalar essas alianças nos seus dois anos na Casa Branca, será difícil a Donald Trump apresentar um candidato facilmente aclamado por todos, especialmente devido aos apelos crescentes para que a instituição seja dirigida por alguém dos países financiados.

“Esta Casa Branca tem um caminho bastante complicado pela frente se quiser apresentar um candidato”, disse Scott Morris, ex-funcionário do Departamento do Tesouro norte-americano que trabalhou no Banco Mundial e no Fundo Monetário Internacional (FMI).

O acordo tácito de colocar um norte-americano à frente do BM e um europeu no FMI foi criticado nos últimos anos e, em ambas as instituições, os líderes foram desafiados por candidatos da Nigéria e do México.