Reformas e FMI só vão ajudar Angola a médio prazo - Standard & Poor’s

O analista da Standard & Poor’s que segue Angola disse que o impacto do programa com o FMI só vai ter efeito a médio prazo, explicando que agora a economia enfrenta dificuldades que justificam uma Previsão de Evolução Negativa.

Angola /
12 Fev 2019 / 17:25 H.

“Angola tem problemas sistemáticos e que tiveram um forte impacto no ano passado, como o preço baixo do petróleo, as dificuldades de produção dos blocos petrolíferos, tudo desaguou nesta grande recessão, mas é verdade que, ao mesmo tempo, há uma mudança positiva que equilibra estes factores negativos, mas cujos efeitos só vão sentir-se mais à frente, dentro de alguns anos”, explicou Ravi Bathia.

Em declarações à Lusa no dia seguinte a esta agência de ‘rating’ ter piorado a Perspectiva de Evolução da economia, de Estável para Negativa, Ravi Bathia sublinhou que a acumulação de dívida pública é um dos maiores problemas do país.

“Neste momento os factores negativos tiveram um impacto muito forte, e com a liberalização da taxa de câmbio, já vimos um grande aumento da dívida pública em percentagem do PIB, e como muita dessa dívida é em moeda externa, os rácios dispararam, e o nível é muito alto”, disse o analista responsável por Angola, que é também um dos directores do departamento de análise de crédito soberano.

Na segunda-feira, a S&P anunciou que tinha baixado o ‘Outlook’ de Angola, mantendo o país abaixo do nível de recomendação de investimento, ou ‘junk’, como é geralmente conhecido.

Questionado sobre a razão de esperar um desenvolvimento positivo na economia nos próximos anos e, ao mesmo tempo, descer a Perspectiva de Evolução da economia, Bathia explicou que é uma questão de tempo e acrescentou que as medidas negociadas com o Fundo Monetário Internacional ao abrigo do programa de ajuda financeira no valor de 3,7 mil milhões de dólares vão demorar tempo a surtir efeito.