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Prémios brutos crescem mas mercado ‘encolhe’ 19%

Apesar de os prémios de Seguro Directo terem crescido em termos globais cerca de 24,15%, em 2020, ao sair de 182,4 mil milhões Kz, para 277,7 mil milhões kz em 2021, o mercado de seguros ‘encolheu’ 19% com o resultado líquido do exercício a fixar-se nos 17 mil milhões Kz contra os 21 mil milhões Kz registados no período homólogo.

Luanda /
17 Out 2022 / 10:07 H.

Apesar de se observar o maior crescimento regular dos prémios do ramo Vida, no último ano, o seu peso na carteira global de prémios continua muito residual (cerca 2,82%).

Segundo César Marcelino, este facto leva, mais uma vez, a reforçar a necessidade de se reflectir muito seriamente nas políticas de incentivo a estes produtos, sobretudo de capitalização, pois avança, grande parte dos seguros de vida que actualmente são comercializados, é meramente para a obtenção de crédito bancário.

Em suma, apesar de não ter registado uma variação muito expressiva em 2021, ainda há um nível de concentração muito forte da carteira de prémios em Acidentes, Doenças e Viagens pois continua a representar cerca de 48,21% da carteira global de prémios (ver tabela).

Indemnizações

As indemnizações registaram níveis de oscilação consideráveis, de um ano para o outro, em termos globais. Em 2020, por exemplo, de acordo com o relatório da ARSEG, o valor fixou-se 92,4 mil milhões Kz e no ano seguinte o valor disparou para 102,7 mil milhões Kz, representando um aumento de cerca de 11,18%.

O ramo com maior representatividade foi o de Acidentes, Doenças e Viagens, que teve um peso significativo na estrutura de custo das indemnizações equivalente a 66, 2% do total das indemnizações pagas no ano de 2021.

O ramo que mais registou variação no valor das indemnizações foi o de Incêndios e outros Elementos da Natureza com uma variação de 746%, seguido pelo ramo Outros Danos em Coisas, com 200%.

Sinistralidade

A taxa de sinistralidade global de 2021, medida pela relação indemnizações/prémios tem observado reduções ao longo dos últimos anos, e, no ano de 2021, andou à volta de 37%, o que representa uma redução do nível de sinistralidade, de apenas 4,32 pontos percentuais (pp) quando comparado com o ano anterior.

Conforme observa, nos últimos anos, embora se tenha registado um aumento nas indemnizações, a taxa de sinistralidade reduziu como consequência do aumento dos prémios que foi superior ao aumento das indemnizações.

Contudo, o ramo que teve maior sinistralidade foi o de Acidentes, Doenças e Viagens, com cerca de 51% do total das indemnizações pagas. Todavia, o ramo Incêndios e Elementos da Natureza foi o que mais cresceu na ordem dos 747%. Depois surge o ramo Outros Danos em Coisas, com 196%.

O documento indica ainda que no ano em análise a remuneração dos mediadores de seguros representou cerca de 4,76% dos prémios brutos emitidos no sector, o que representa um aumento de cerca de cerca de 1 pp.

“Apesar deste aumento, podemos notar que o mercado da mediação ainda está muito abaixo do desejável, uma vez que o nosso mercado é fortemente dominado pelo seguro de subscrição directa por via das agências/balcões”, reconhece.

Acidentes, Doenças e Viagens foi o ramo com maior nível de remuneração em 2021, responsável por 40% do total das comissões de seguro directo, seguido pelo ramo Petroquímica com 22,7%, e em terceiro lugar, aparece o ramo Incêndio e Elementos da Natureza, com 9,1%.

Ainda no período em análise, o ramo que mais variou/cresceu foi o Transportes com pouco mais de 304%, seguido do ramo Incêndios e Elementos da Natureza, com pouco mais de 83%.

A taxa de cedência ao resseguro cresceu nos últimos três anos, conforme atesta o documento do regulador. Em 2019, por exemplo, a taxa de cedência ao resseguro foi de 31,03%, em 2020 (34,97%) e em 2021 (34,58%). Em termos concretos saíram do País, em 2021, divisas equivalentes a cerca de 96 mil milhões USD sob a forma de prémios de resseguro cedido.

O ramo que mais cedência teve foi o Petroquímica, dada a necessidade da transferência do risco, com quase 90% do total dos prémios de resseguro cedido, seguido do ramo Diversos com pouco mais de 74% e em terceiro lugar o ramo Incêndios e Elementos da Natureza com 69%.

A estrutura do activo das empresas de seguros, subdivididos três grupos, nomeadamente em Investimentos, Depósitos e Caixa representou o ano passado um pouco mais de 53% da estrutura do activo das seguradoras.

César Marcelino destacou que face à especificidade do mercado de capitais angolano, não existem muitas opções quanto à estrutura da carteira dos investimentos das seguradoras, destacando-se essencialmente os investimentos em imóveis na ordem dos 46%, seguindo-se os depósitos em instituições de créditos na ordem dos 24,90%.

Densidade dos seguros

Em relação à densidade dos seguros, que mede o rácio dos prémios brutos emitidos e o total da população, pode dizer-se, citando o responsável da ARSEG que cada angolano, em 2021, contribuiu com pouco mais de 8,654 Kz para a formação dos prémios brutos emitidos.

À questão sobre a apresentação tardia do Relatório de Mercado, uma vez que estamos no 10º mês do ano e a Associação de Seguradoras Angolanas (ASAN) havia antecipado em Abril com a publicação dos indicadores do mercado segurador, Walter Bravo, da direcção de supervisão e inspecção disse que a ARSEG depende da disponibilização dos relatórios por parte das seguradoras que devem antes ser auditados e certificados pelos conselhos de fiscais das empresas, processo que às vezes se torna moroso.

“Isto faz com que a ARSEG receba as informações em média no mês de Junho. Depois disso começa um trabalho de compilação, correcção, interacção com as empresas, emissão de pareceres e pedidos de respostas, entre outros, que leva mais dois ou três meses, razão pela qual este ano apresentamos o relatório apenas nesta altura”, explica.

“Vamos esperar que as empresas procurem ser mais assertivas e intempestivas no envio dos relatórios para que nós possamos cumprir com a nossa parte”, conclui.

Walter Bravo, director de supervisão e inspecção

Walter Bravo diz que as empresas de seguros devem ser mais céleres no envio dos seus documentos para que a ARSEG divulgue também atempadamente os relatórios do mercado. “Vamos esperar que as empresas procurem ser mais assertivas e intempestivas no envio dos relatórios para que nós possamos cumprir com a nossa parte”.