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Portugal: falta de liquidez leva empresas a abandonar bolsa

Luanda /
04 Jun 2020 / 10:53 H.

A escassa liquidez das acções é a principal razão citada pelas empresas que escolheram deixar de ser cotadas na bolsa portuguesa, seguida do insuficiente interesse e reconhecimento dos investidores, revelou um inquérito conduzido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

O relatório “Understanding Delistings from the Portuguese Stock Market” (“Perceber as Saídas da Bolsa Portuguesa”) salienta que após a crise financeira global de 2008 e a subsequente crise da dívida soberana na Europa, o governo português tomou medidas importantes para relançar a economia, abordando a capitalização de empresas e recuperação de investimentos.

“No entanto, com uma dependência elevada de empréstimos bancários, um número decrescente de empresas cotadas, a escassez de novas entradas e a presença insuficiente de investidores institucionais, o mercado de capitais português não se desenvolveu em direcção ao seu potencial máximo”, adianta.

“Portanto, a economia portuguesa beneficiaria significativamente de mais esforços para desenvolver mercados de capitais mais diversificados e integrados”, lê-se no relatório.

Nesse contexto, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), enquanto autoridade de supervisão do mercado de capitais, promoveu o lançamento de um projecto, candidatando-o a financiamento comunitário, com o objectivo de identificar os obstáculos ao desenvolvimento do mercado de capitais português e as medidas que podem ser implementadas para ultrapassar essas dificuldades.

O projecto tem estado a ser desenvolvido pela OCDE e resultará na emissão de um conjunto de recomendações de reformas com vista a garantir o acesso das empresas portuguesas a financiamento de longo prazo. Segundo a CMVM, “a importância desta reflexão e iniciativas que possam dinamizar o financiamento em mercado é reforçada no contexto da desejada retoma após a actual crise”.