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PIB afundou 5,2% em 2020, pior ano desde a independência

INE confirmou a quinta recessão em cinco anos e a mais severa desde a independência. Se a economia já estava mal por culpa da queda persistente do preço do petróleo, agravada pela diminuição da produção, a Covid-19 não só piorou a situação no sector de petróleo como infectou o sector não petrolífero.

Luanda /
27 Abr 2021 / 11:02 H.

A economia angolana contraiu 5,2% em 2020 face a 2019, de acordo com Contas Nacionais Trimestrais (CNT) do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgadas dia 16 de Abril, que confirmam a quinta recessão económica consecutiva e a mais severa desde a independência.

O Produto Interno Bruto (PIB) voltou a crescer face ao trimestre anterior embora a um ritmo mais lento, 0,6% no quarto trimestre, contra 2,8% no terceiro. Já em termos homólogos, a economia contraiu 5,4%, ainda assim menos do que os 6,2% do trimestre anterior.

Sem surpresa o sector dos transportes foi o mais fustigado com uma contracção anual de 38,6% . A pandemia também penalizou fortemente a construção que registou uma quebra de 29,4%. O terceiro pior desempenho foi para o sector petrolífero. O sector mais importante da economia angolana recuou 10,5%, mas isso deveu-se mais ao declínio da produção que se vem registando nos últimos anos do que à COVID.

Apenas três sectores escaparam à recessão, o comércio com um crescimento de 4,7%, a agricultura (4,4%) a indústria transformadora (3,9%) e a energia e água (2%).

A recessão de 2020 foi pior do que o previsto devido à COVID 19. Mas mesmo antes da pandemia, a economia angolana enfrentava uma situação muito complicada caracterizada por uma queda persistente do preço do petróleo, iniciada em 2014, e acompanhada, a partir de 2016, pela queda da produção. Tudo isso em um contexto em que o país se viu obrigado a cortar gastos e aumentar impostos no programa do FMI aprovado em dezembro de 2019. Embora estes factores permaneçam, é provável a saída da recessão em 2021.

Por um lado, espera-se que os gastos públicos aumentem com a proximidade das eleições. Embora tímidos, os crescimentos da agricultura e da indústria transformadora também podem ajudar. A previsão oficial para 2021 foi revista em alta. Em declarações à Bloomberg o ministro de Estado e da Coordenação Económica disse que a economia vai crescer 1% este ano, contra os 0% inicialmente previstos.

A recessão confirmada pelo INE já havia sido declarada pelo Ministro da Economia e Planeamento, Sérgio Santos, depois da segunda reunião ordinária da Comissão Económica do Conselho de Ministros, que serviu para aprovar o relatório de balanço anual do PDN 2018-2022.

“O Produto Interno Bruto (PIB) reduziu em 5,1%, o sector petrolífero 8,3 e o não petrolífero 3,6. Apesar disso, alguns sectores, como o da Agricultura, mostraram-se resilientes, experimentando um crescimento de 5,6%”, garantiu na véspera Sérgio Santos citado pelo Jornal de Angola.

"O balanço mostra que, apesar da dupla crise profunda em que o País se encontra mergulhado, provocado pela pandemia da COVID-19 e a redução do preço do barril de petróleo - maior produto de exportação do País - a economia nacional continua a apresentar sinais de resiliência, não obstante ter apresentado uma contracção muito grande”, justificou o ministro.

Quando o orçamento de 2020 (OGE) foi apresentado pela primeira vez, o Governo previa uma saída da recessão com crescimento de 1,5%, com o setor petrolífero avançando 1,9% e o sector não petrolífero 1,9%. Com a pandemia, o governo foi forçado a rever o OGE 2020 e também as projecções que passaram a apontar para uma queda de 3,6% do PIB com o sector petrolífero a cair 7% e o sector não petrolífero a recuar 1,2%.

As instituições de Bretton Woods, nomeadamente, Banco Mundial (BM) e Fundo Monetário Internacional (FMI) apontam para uma queda de 4%.

A contracção de 5,2% anunciado pelo INE é mais suave do que a previsão do CEIC UCAN, Centro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica de Angola. Numa nota intitulada “contribuição para o debate” sobre os impactos económicos e sociais da COVID em Angola, divulgada em Abril de 2020, a instituição liderada pelo economista e professor Alves da Rocha apontava para uma quebra do PIB de 6,8%.