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País quer produzir acima de 1 milhão de barris de petróleo até 2040

A meta consta da “Estratégia de Exploração de Hidrocarbonetos de Angola 2020-2025”, analisado esta semana, pelo Conselho de Ministros

Angola /
31 Ago 2020 / 11:24 H.

A proposta de Diploma define o regime jurídico aplicável ao conteúdo local no sector petrolífero, apresentado na sequência das acções prioritárias do ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, previstas no plano de Desenvolvimento Nacional (PDN) 2018-2022, bem como da necessidade de se promover o uso de bens e serviços de origem nacional no sector petrolífero.

O regime jurídico ora proposto tem por base a Lei nº 10/04, de 12 de Dezembro, Lei das Actividades petrolíferas, que, com o intuito de relançar o empresariado nacional e a criação de riqueza derivada dos recursos petrolíferos, impõe a necessidade de medidas para garantir, promover e incentivar a participação de empresas tituladas por cidadãos angolanos no sector petrolífero, bem como estabelecer as condições necessárias para o efeito.

A estratégia, esta, visa entre outros desafios, intensificar a actividade de exploração de hidrocarbonetos em Angola, de forma a garantir a contínua expansão do conhecimento do potencial petrolífero, incluindo os reservatórios não convencionais, para a substituição de reservas e a consequente atenuação do declínio e a estabilização da produção petrolífera.

Outros dos propósitos da estratégia é promover a expansão do conhecimento geológico do País e do seu potencial petrolífero, incluindo os reservatórios não convencionais; Assegurar o contínuo aumento dos recursos petrolíferos descobertos; Fomentar a concorrência na Indústria Petrolífera nacional, disseminando o conhecimento, a inovação tecnológica e as práticas de governação universalmente aceites; Promover a exploração do gás natural, através da inclusão de programas mínimos dedicados a este recurso no âmbito geral da Licitação Petrolífera.

Propósitos

O diploma prevê ainda assegurar a substituição de reservas, promovendo a actividade de exploração de forma racional e adequada; Promover o potencial de gás natural na Bacia do Baixo Congo e na Bacia do Kwanza com foco na possível criação de um novo Polo de Desenvolvimento e Monetização de Gás na região Centro-Sul.

Objectivos da estratégia

O documento define como objectivos disponibilidades e acesso a Áreas das Bacias Sedimentares de Angola, cuja meta é disponibilidade e acesso às superfícies numa extensão aproximada de 575.000 km; Expandir o conhecimento geológico e o acesso aos recursos petrolíferos, cujo intento é negociar os Blocos remanescentes até 2023; Dividir em Blocos as áreas do Ultra-Profundo das bacias do kwanza e Benguela de 2022 à 2024; Avaliar 33 Blocos nas Bacias do Baixo Congo, kwanza e Benguela até 2023.

Visa também assegurar a execução da estratégia geral de atribuição de concessões petrolíferas em Angola, cujo objectivo é avaliar e licitar 45 Blocos e Bacias Interiores até 2025; Intensificar a pesquisa nos Blocos, Concessões e Áreas Livres em todas as Bacias Sedimentares do País com o intuito de promover a perfuração de 51 oportunidades, dentro das áreas de desenvolvimento até 2025 e dividir em Blocos as Bacias Interiores até 2022.

Impacto da estratégia em caso de sucesso

Descobrir em caso de sucesso, recursos adicionais estimados em cerca de 40 a 57 BBO (STOOIP) de petróleo bruto; Garantir uma produção de base acima de um milhão BOPD até 2040; Descobrir 17,5 a 27 TCF (GIIP) recursos de gás; Fornecimento contínuo à planta do ALNG; Construção do segundo Trem do ALNG, bem como a criação de um novo Polo de Desenvolvimento e Monetização de Gás na região Centro-Sul.

Orçamento e fontes de investimento

O orçamento previsto para a implementação da estratégia foi estimado em 870 milhões USD, tendo também como previsão de “investimento estrangeiro” (Multicliente e Investimento Conjunto) 679 milhões USD para aquisição de dados geofísicos e geológicos.

Segundo o documento, investimento do Estado (Dotação orçamental à Concessionária) está previsto em cerca de188 milhões USD para estudos para avaliação, promoção e licitação do potencial petrolífero.

A produção de petróleo em Angola mantém-se num ritmo mais lento, com as actividades de prospecção praticamente paradas devido aos receios de propagação da covid-19 por parte dos operadores no País, de acordo com gabinete de estudos do Banco Fomento Angola (BFA) que estimava que a produção de petróleo em Angola cairia para 1,3 milhões de barris por dia devido ao cancelamento e adiamento dos investimentos previstos para este ano. O documento enviado aos clientes e a que a Lusa teve acesso, os analistas do BFA escrevem que “de Janeiro a Abril deste ano as exportações de crude estabilizaram nos -0,2% quando comparadas com o mesmo período do ano passado, para uma média de 1,39 milhões de barris por dia”