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Obrigações angolanas em queda após FMI adiar reunião sobre aumento de empréstimo

Índice de rendimento dos Euro bonds angolanos que vencem em 2025 subiram para 11,82% , o maior aumento desde Julho de 2010, disse a agência de notícias Bloomberg

Luanda /
03 Ago 2020 / 18:12 H.

As obrigações do tesouro angolano em Euros (Euro bonds) entraram em queda nos mercados internacionais depois do Fundo Monetário Internacional (FMI) ter adiado subitamente uma reunião para discutir um pedido de aumento de empréstimo a Angola.

O índice de rendimento dos Euro bonds angolanos que vencem em 2025 subiram para 11,82% , o maior aumento desde Julho de 2010, disse a agência de notícias Bloomberg.

Angola tinha pedido um aumento de 800 milhões USD no seu empréstimo de 3,7 mil milhões USD para 4,5 mil milhões.

O comité executivo do FMI deveria ter-se reunido na Quinta-feira para discutir o pedido mas o encontro foi subitamente adiado.

Um porta voz da organização disse que o adiamento tem como objectivo dar mais tempo ao fundo trabalhar com as autoridades angolanas sobre a questão mas não deu outros pormenores.

Fontes do FMI disseram que não é de prever uma reunião “antes das próximas duas semanas”.

Alguns analistas económicos afirmam que o adiamento está provavelmente relacionado com acordos que Angola está a tentar alcançar com credores para moratórias no pagamento dessas dívidas.

Embora o FMI não tenha dado pormenores sobre esta questão o presidente do Banco Mundial David Malpass disse recentemente que no caso de Angola “um dos grandes desafios para a nossa equipa técnica de assistência é a divulgação de todos os compromissos financeiros do Governo, incluindo o volume de dívida pública e com garantias estatais, quer implícita, quer explícita, incluindo as vulnerabilidades das empresas públicas”.

Por outro lado anteriormente o jornal português Expresso disse que Angola tinha decidido privilegiar uma moratória de três anos para retomar o pagamento da dívida à China, congelando a sua adesão à iniciativa idêntica que está em cima da mesa do G20 (o grupo das maiores economias mundiais), e que prevê perdoar o pagamento de juros de divida.

O expresso disse na altura que essa posição tinha ficado clara numa reunião do conselho de ministros “em que, pela primeira vez, o Presidente angolano, João Lourenço, manifestou dúvidas sobre a actuação do Fundo Monetário Internacional (FMI) no país”.

Contudo a ministra das finanças de Angola disse que o país prevê aderir à iniciativa d G 20 mas estão ainda em curso negociações com dois credores país um acordo com um outro país credor.