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O “corporate governance” não é uma panaceia para todos os problemas, mas é a chave para criar mais equilíbrios”

“O segredo já não é a alma do negócio! A alma de negócio hoje é a cultura de governance e de gestão.

Luanda /
20 Set 2022 / 08:47 H.

“O corporate governance não é uma panaceia para todos os problemas, mas é a chave para criar mais equilíbrios, em que quem joga não arbitra e consequentemente mais “balances and checks”. Permite igualmente um sistema de maior controlo e prestação de contas que obriga à responsabilização e transparência. Ingredientes necessários e imperativos para as empresas públicas por um lado e para atracção de investimento estrangeiro tão necessário para partilhar risco com investidores locais, por outro lado”, afirmou.

Conforme explica a especialista em finanças, na palavra crise pode deixar cair o “S” e criar uma oportunidade de reformas económicas que podem ser estruturais e de mudança do modelo económico, argumentando que as crises são aceleradoras de mudança e é com esta característica que se permitem decisões para “não desperdiçar uma boa crise”.

Noile Cohen aponta quartos pilares: “Pessoas - Pessoas para formar um verdadeiro exército de trabalho, usando jovens que querem ter uma oportunidade ou “soldados” agora inactivos. Existem tantos braços jovens e fortes para tornar o sector da construção de estradas e agricultura uma realidade; Comida - Comida é Agricultura e este sector é o futuro da sustentabilidade de Angola. Não apenas porque significa segurança de Estado, mas porque permite repensar um novo Modelo Económico para Angola e repensar na industrialização com energias limpas da cadeia de valor alimentar. Estradas - Estradas para criar vasos comunicantes entre pessoas, bens e serviços, não apenas para unir produtores e compradores, mas sobretudo para fazer cair os custos, promover as cadeias logísticas e finalmente melhorar a segurança social e de Estado e tornar o acesso mais fácil à cesta básica. Energia Elétrica - Energias limpas para fazer diminuir a estrutura de custos das empresas e das famílias e potenciar as ideias dos micro-empreendedores e a economia digital”.

De acordo com Noile Cohen, estes pilares, “aparentemente simples”, dividem o ónus de implementação com o sector público (Estradas e Energia Eléctrica) e com o sector privado (Pessoas eAgricultura), acrescentado que para que exista o boa governação é imperativo assente em pelo menos quatro pilares, a transparência, prestação de contas, comprometimento e comunicação efectiva.

“O segredo já não é a alma do negócio! A alma de negócio hoje é a cultura de governance e de gestão. Angola não pode perder a oportunidade desta crise para inovar e estruturalmente fazer uma aposta firme nas pessoas, na agricultura, nas estradas e na energia. “O mundo olha para nós” O País mais uma vez está a ser posto à prova não pode falhar”, rematou.

Já a especialista Compliance e CEO da Petroshore, Andrea Moreno, diz que os empresários devem capacitar-se, não somente capacitar os seus técnicos, mas também os conselhos de administração, deve se dotar as áreas de conformidade ou compliance de autonomia, autoridade e independência, com foco na ética, nas boas práticas e nos padrões internacionais, para gerar confiança. Sem confiança não pode existir uma malha empresarial sustentável.

Como desafio de angola para melhorar a sua posição a nível do sistema de prevenção e combate ao branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo Andrea Morendo diz o seguinte: Prover de mais recursos aos reguladores, meios técnicos, capital humano especializado e treinado, e manter a mão forte no combate a corrupção e crimes que dão origem aos fundos ilícitos. Continuar prezando pela transparência e dar força às instituições de controle.