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“Modelo económico a que as pessoas estão habituadas vai ser bastante diferente”, diz o banqueiro António Horta

Actualmente a taxa de juro directora do BCE é de -0,5% e o banco central pretende chegar aos 0% em setembro, subindo por duas vezes, em três meses, 25 pontos base. Já outros bancos centrais - europeus e não europeus - subiram as suas taxas de juro. Horta-Osório recomenda prudência a famílias e empresas

Luanda /
23 Jun 2022 / 12:03 H.

António Horta-Osório, que há pouco tempo saiu do Credit Suisse, diz que Portugal está num momento de inversão de política económica e que empresas e particulares devem ser “prudentes”.

Segundo o Expresso, o banqueiro António Horta-Osório avisou, esta terça-feira, que vêm aí tempos difíceis, com maior dificuldade para particulares e empresas para aceder a financiamento e que devemos todos ser mais “prudentes”

Horta-Osório, que este ano saiu antecipadamente da presidência não executiva do Credit Suisse após a polémica sobre o incumprimento de regras sanitárias suíças, falava na apresentação do estudo “Estado da Nação” da Fundação José Neves, em Portugal.

“Eu acho que estamos num momento em que o modelo económico que vivemos e que as pessoas estiveram habituadas nos últimos 15 anos vai ser bastante diferente daqui para a frente”, começou por dizer o banqueiro.

“Nos últimos 15 anos o modelo foi geralmente favorável, caracterizado por uma abundância de capital e de financiamento”, mas “neste momento estamos num período de inversão”, acrescentou.

Para exemplificar falou da inflação - que sublinhou não ser temporária - e da consequente subida das taxas de juro, que na zona euro deverá começar em Julho, segundo anunciou o Banco Central Europeu (BCE).

Actualmente a taxa de juro directora do BCE é de -0,5% e o banco central pretende chegar aos 0% em setembro, subindo por duas vezes, em três meses, 25 pontos base. Já outros bancos centrais - europeus e não europeus - subiram as suas taxas de juro.

Horta-Osório alertou que esta subida já não está em causa, mas sim a intensidade com que se sobe. “É um modelo completamente diferente do que as pessoas estavam habituadas” e implica maiores cuidados na gestão de dinheiro pessoal e da empresa, notou.

“Vai significar um maior custo do capital e dificuldades de financiamento”, afirmou.

Para os particulares aconselhou “prudência para o futuro”, maiores poupanças e redução das dívidas em vigor.

Para as empresas o mesmo conselho e não só: optar por financiamentos mais longos, focarem-se em modelos de negócio sólidos, planeamento para períodos mais curtos e contínuo e traçar diversos cenários para uma rápida e melhor adaptação.