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Lucros dos big five crescem 33% no segundo trimestre

O BFA foi o que mais lucrou, o banco dirigido por Luís Gonçalves teve um resultado líquido de 67,23 mil milhões Kz. O BIC, liderado por Hugo Teles, registou o maior crescimento dos lucros, um aumento de 235%, além de liderar os créditos a clientes.

Luanda /
15 Ago 2022 / 08:29 H.

Os cinco maiores bancos privados em activos registaram um lucro conjunto na ordem dos 204,6 mil milhões Kz (cerca de 480 milhões USD, ao câmbio do BNA) no segundo trimestre deste ano, de acordo com cálculos do Mercado com base nos balancetes disponibilizados pelas instituições bancárias.

Trata-se dos bancos Angolano de Investimento (BAI), Banco de Fomento Angola (BFA), Banco BIC, Banco Millennium Atlântico (ATL) e Standard Bank Angola (SBA).

No mesmo período do ano passado, os “big five” tiveram um resultado conjunto de 153,4 mil milhões Kz (cerca de 460 milhões USD), o que representa um crescimento de 33,4% em termos homólogos.

O BFA foi o que mais lucrou e contribuiu, o banco dirigido por Luís Gonçalves (CEO do BFA) teve um resultado de 67,23 mil milhões Kz no segundo trimestre, o que representa 32,9% do lucro conjunto. Apesar do lucro, o BFA viu os seus resultados líquidos a reduzirem 11% de 75,2 mil milhões Kz no segundo trimestre de 2021 para os 67,23 contabilizados este ano.

O segundo maior lucro foi do BIC, o banco liderado por Hugo Teles viu o seu lucro a crescer 235% para 55,04 mil milhões, contra os 16,4 mil milhões Kz verificados no segundo trimestre do ano passado.

Segue-se o BAI com o terceiro maior lucro dos big five com 47,80 mil milhões Kz, um crescimento de 76% em termos homólogos. Ainda assim, o banco dirigido por Luís Lélis (CEO do BAI) mantém a liderança em activos, com 2,93 biliões Kz contabilizados até Junho.

Já o Standard Bank de Luís Teles, contribuiu com 16% no lucro conjunto dos cinco maiores bancos privados em activos. O lucro do banco de origem sul-africana cresceu 1%, de 32,8 mil milhões para 33,05 mil milhões Kz.

A fechar os big five está o Atlântico, que registou o segundo maior crescimento no lucro, com um aumento de 218%, de 477,5 milhões Kz para 1,5 milhões. Assim, o banco liderado por Miguel Raposo Alves (novo CEO do ATLÂNTICO) volta ao crescimento, depois de ver uma sequência decrescente de lucros.

O BFA também foi o que mais contribuiu para o bom desempenho do Banco Português de Investimento (BPI) no primeiro semestre deste ano, segundo dados oficiais da instituição portuguesa.

O lucro do BPI cresceu 9% no primeiro semestre, totalizando 201,3 milhões de euros. O resultado em Portugal praticamente estagnou, mas as operações internacionais, em Angola e Moçambique, subiram as contas do Banco Português.

O maior contributo saiu de Angola, com o BFA a participar com 100 milhões de euros, ou seja, com cerca de 50% do lucro total do BPI. Já o moçambicano BCI (Banco Comercial e de Investimentos), viu o contributo disparar 87% para 17 milhões de euros. Estes resultados depois entram nas contas do accionista espanhol Caixabank, que lucrou 1,57 mil milhões, uma quebra de 62% para o período homólogo.

BIC mantém liderança nos créditos à Clientes

O Banco BIC mantém a liderança nos créditos aos clientes, com uma carteira avaliada em 554,98 mil milhões Kz. Apesar de ser o maior credor, o BIC concedeu menos créditos em relação ao mesmo período do ano passado quando registou 649,5 mil milhões Kz, o que representa uma redução de 15%. Assim, os créditos representam 15% do total do activo líquido.

Na segunda posição entre os Big five está o Atlântico, o banco disponibilizou 432,84 mil milhões Kz para crédito aos seus clientes. Segue-se o BFA, BAI e SBA que cederam, respectivamente, 382,5 mil milhões, 340,6 mil milhões e 273,9 mil milhões Kz de créditos.

Quanto aos depósitos, o BAI mantém a liderança. O banco recebeu 2, 5 biliões Kz em depósitos dos seus clientes, ainda verificou-se uma redução de 10% em relação ao ano passado. Segue o BFA que contabilizou 1,8 biliões Kz que também registou uma diminuição dos depósitos, na ordem dos 14% em termos homólogos.

Já Atlântico e o BIC registaram, respectivamente, 1,3 biliões e 1,2 biliões Kz nos depósitos.

O Standard Bank foi o único dos big five que viu os depósitos a crescerem, um aumento de 16%, saindo de 672,7 mil milhões para 779,8 mil milhões Kz.

O banco de origem sul-africana, também foi o único entre os big five que os activos cresceram em termos homólogos. No final do segundo trimestre de 2021, o Standard Bank tinha um activo de 897,5 mil milhões que cresceram 19% para 1,06 biliões Kz. Assim, ultrapassa a barreira dos biliões e firma-se cada vez mais entre os maiores da banca angolana.

Já o líder em activos da banca, o BAI, viu os seus activos a diminuírem cerca de 6%, saindo de 3,1 biliões no segundo trimestre do ano passado para 2,9 biliões no mesmo período deste ano.

O BFA registou uma redução no activo de 14% para 2,4 biliões, o BIC registou uma redução de 12% para 1,8 biliões e o Atlântico 18% para 1,53 biliões Kz.