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Luanda precisa de 4 mil autocarros para atender a escassez

Os 45 autocarros articulados já ca estão, foram para preparação no importador, Auto-Sueco, e devem ser entregues muito em breve.

Luanda /
01 Jun 2021 / 11:49 H.

A necessidade de transporte mais que duplicou nos últimos 12 anos. Estudos mais recentes revelam para uma necessidade de quase 4 000 autocarros para satisfazer a procura de transporte e garantir uma oferta estruturada na Área Metropolitana de Luanda (AML), disse o especialista em sistema logístico e transportes, Luís Moita Santos.

Estudos feitos em 2009 apontavam que eram necessários 1 800 autocarros para atender a carência de transportes. Com a criação das centralidades, isto tudo aumentou, sem qualquer resposta por parte das entidades responsáveis em termos de oferta de transporte público.

Luís Santos, reagia à chegada de 45 autocarros articulados que foram para preparação na empresa importadora, a Auto-Sueco, que disse que a situação da oferta de transporte público colectivo regular de passageiros não será resolvida face à oferta ainda muito escassa para responder às necessidades actuais.

“A entrada ao serviço destes autocarros é sempre uma boa notícia, contudo, continuarão a ser insuficientes, face à elevada procura de transportes público colectivo regular de passageiros”, defende o especialista.

Refere ainda que ao contrário do que se verifica em outras cidades, o problema de Luanda não é de procura, e de oferta, sendo que taxi colectivo, candongueiro, não é solução em parte nenhuma do mundo, conforme frisa.

“O candongueiro é um transporte, para todos os efeitos informal, não respeitam a regulamentação a que estão sujeitos e como tal, os intervenientes não pagam impostos, nem motoristas, nem cobradores, nem os donos dos veículos”, afirma, precisando que “assim temos um transporte, muito caro, sem segurança, nem conforto e em termos de condução são altamente agressivos e responsáveis pelos principais congestionamentos de trafego”.

Outro dilema que temos com esta história, são os chamados lotadores, que na o passam de ser somente mais uns que recebem dinheiro, correrem atras de um candongueiro e gritar a chamar pessoas, criando-se muitos conflitos sociais junto as paragens.

A Governadora Provincial, Joana Lina, achou por bem oficializar esta chamada profissão, que não se percebe como são pagos e como poderão ser inseridos em empresas que na o existem.

No que diz respeito à distribuição e gestão dos autocarros articulados Luís Santos, defende que devem-se ter em conta a qualidade dos actuais operadores e serem distribuídos pelos mais credíveis e que têm mostrado capacidade de gestão técnica e financeira.

“Neste contexto a gestão dos autocarros, será feita através de um acordo de níveis de serviço que os mesmos deverão prestar, nas rotas que lhes serão atribuídas, cabendo aos operadores efectuarem a sua utilização de forma racional, tendo em conta o serviço a prestar e os cuidados com a manutenção quer estes veículos requerem, incluindo a formação dos motoristas”, acrescentou.

Onde apanhar o autocarro articulado?

Os autocarros irão circular nos eixos de maior procura, que serão os mais estruturantes da rede viária da cidade de Luanda, a título de exemplo, a estrada de catete, rocha pinto e estrada de cacuaco e o antigo roque santeiro.

Para o especialista em logística, estas vias deveriam sofrer algumas intervenções para criar melhor fluidez a estes veículos, como por exemplo a definitiva implementação da faixa exclusiva BUS, definição rigorosa das paragens, com respectivos abrigos e informação, aos utilizadores, sobre as rotas de origem/destino e frequência.

Assim se vão acabar com indefinições das paragens e maior rigor na fiscalização do estacionamento indevido, dos outros utilizadores da rede viária, acrescentou.

“A integração dos diferentes modos de transporte é de vital importância, assim como a identificação de toda a rede de transportes, com informação sobre rotas, frequências e pontos de interfaces intermodais, de modo que as pessoas absorvam a oferta que têm à sua disposição. Uma rede de transporte sem informação, não capta passageiros nem ajuda à adesão dos mesmos”.

Defende ainda que a rede de autocarros, deve garantir as deslocações de menores distâncias e gerar as acessibilidades necessárias, bem como serem linhas de alimentação para os modos de transporte de maior capacidade.

Aconselha, para que a integração entre os diferentes modos de transportes seja uma realidade, é necessário a implementação de um sistema de bilhética, que garanta aos passageiros um verdadeiro serviço de transporte entre a origem e o seu destino, com uma tarifa única independentemente dos modos de transporte utilizados nas suas deslocações.